POUCO PAPO E MUITA AÇÃO

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Vivemos numa era em que qualquer um pode estudar a teoria de quase qualquer coisa, e se autodeclarar um especialista, principalmente em áreas como Marketing, Vendas e Internet. Gente cujo único caso de sucesso é sua autopromoção.
Estudantes de Administração e até mesmo MBA””””””””””””””””s ficam anos falando sobre administração, estudando administração, discutindo administração – mas na verdade não fazem nada de concreto. No máximo, mais alguns trabalhos teóricos sobre administração. Imagine se os cirurgiões fossem treinados assim – discutindo operações. Você deixaria um médico teórico operá-lo? Falar sobre fazer uma coisa não é a mesma coisa do que fazê-la. Está na hora de parar de estudar como fazer e começar a fazer.
Dizem que sabedoria é a habilidade de diferenciar perigos imaginários de perigos reais, escolhendo como agir de acordo com cada um. Mas quem tem escolhas tem um problema. Por mais inteligente e atencioso que você seja, não dá para planejar tudo. O negócio é decidir, implementar e ver no que dá.
Qualquer idéia hoje é copiada rapidamente, então não adianta ser mais inteligente do que a concorrência – você tem de fazer mais do que a concorrência. Isso tudo tem um custo – aprender pode custar caro, pois aprendizes erram. Mas a outra opção é apostar na ignorância, o que é obviamente muito mais custoso. Às vezes o maior risco é não correr o risco.
Afinal de contas, não precisamos apenas de mais capital intelectual – precisamos de idéias colocadas em prática. Conhecimento só tem utilidade quando você faz algo mais do que apenas ficar discutindo a teoria.
Infelizmente, hoje em dia temos muitos consultores, que escrevem e falam bem, ganhando mais do que alguém que realiza algo de concreto. E que falar é bem menos arriscado do que fazer. Porém, uma empresa para ser competitiva deve estimular a ação, e não as discussões teóricas.
Segundo Jeffrey Pepper, que junto com Robert I. Sutton escreveu The Knowing-Doing Gap: How Smart Companies Turn Knowledge into Action (A diferença entre saber e fazer: como empresas inteligentes transformam conhecimento em ação) – Harvard Business SchoolPress, empresas que castigam seus funcionários por ousar e errar criam um problema grave, além da paralisia mental que o medo provoca. Quando um erro ocorre, as pessoas gastam mais tempo tentando jogar a culpa nos outros do que realmente tentando aprender e evitar que isso aconteça novamente.
Pior: as pessoas começam a mentir, sem se importar com clientes, imagem da empresa, lucratividade, etc. A única coisa em que funcionários com medo conseguem pensar é no curto prazo – se não serão demitidos amanhã.
Aprender significa acertar e errar. Fazer também. Só não erra quem não faz. Você tem de aceitar a idéia de que erros vão acontecer, e que devem ser não apenas tolerados, mas estimulados. Não se pode esperar que uma empresa fale de criatividade e idéias arrojadas para sua equipe, se depois castiga quem tenta algo diferente.
Lembre-se: fazer é uma opção. Fazer algo é muitas vezes é melhor do que não fazer, mas isso não significa que seja o ato perfeito. Você tem de pensar como os japoneses que inventaram o Kaizen: hoje um pouquinho melhor do que ontem, amanhã um pouquinho melhor do que hoje.
O técnico dos San Francisco 49ers Steve Mariuchi resumiu bem a coisa: “Nunca uso um relógio durante os jogos, porque eu sei que é sempre agora – e que agora é a melhor hora de fazer alguma coisa”.
Então porque é tão difícil estimular a criatividade e a pró-atividade? Uma das prováveis causas é a própria equipe. Estudos mostram que, em reuniões, pessoas críticas e negativas transmitem para o grupo a impressão de que são mais inteligentes do que realmente são. Por isso temos tanta politicagem interna – derrubar os outros acaba sendo uma forma de subir. Alguém tem uma idéia, e de repente duas ou três pessoas começam a criticar essa idéia, explicando porque ela não funcionará.
Todo mundo aplaude seu bom senso, que evitou um possível erro, mas na verdade o que aconteceu? Criou-se um ambiente em que ninguém quer arriscar a ser criticado, nem dar a chance aos colegas criticarem e mostrarem como são ””””””””””””””””espertos””””””””””””””””. Resultado – paralisia.
Nesse tipo de ambiente, a tendência é fazer as coisas sempre do mesmo jeito, com medo de errar. “Se sempre foi feito assim, e ninguém falou nada, vamos continuar fazendo”. Termina-se com algumas práticas intocáveis não questionadas, como as vacas sagradas na Índia processos internos, regras, e outros hábitos pré-históricos, que algum dia ajudaram a empresa a se organizar ou que faziam parte do plano original, mas que hoje em dia só atrapalham, engessando iniciativas e criatividade.
Quem quer matar a criatividade geralmente tem também a mania de querer medir tudo, de controlar o incontrolável, buscando uma segurança enganosa em números e gráficos inquestionáveis. Não sou contra relatórios – pelo contrário. Entretanto, meça apenas o que é realmente importante. Quem controla tudo não controla nada. Relatórios demais só atrapalham, e ninguém mais presta atenção neles.
Melhor ter um único relatório com 3 variáveis muito importantes, do que 87 calhamaços que ninguém lê, e levam 3 dias de trabalho (por mês!) para serem feitos.
Pegue o famoso bechmarking, por exemplo. Empresas consideradas excelentes em sua área de atuação são visitadas por outras empresas que querem aprender e copiar seus métodos, tentando fazer tudo igual, quando na verdade deveriam estar entendendo o seu jeito de pensar. A mesma coisa com pessoas de sucesso. Não é só o que elas fazem o que importa, mas sim, a maneira como pensam – e depois fazem (nessa ordem).
Note que tomar decisões não significa a mesma coisa que agir. Tomar uma decisão é o começo da ação, não o final do processo.
Ficar horas planejando os detalhes dos detalhes, tentando descobrir a decisão absolutamente correta, não é a melhor forma de investir seu tempo, nem de ganhar dinheiro. Você só ganha dinheiro fazendo alguma coisa.
Se você quer que seu futuro seja melhor do que seu presente, então você tem de fazer alguma coisa de concreto. Algo prático. Afinal, o que é viver senão ter que escolher constantemente o que vamos fazer? Como dizem os japoneses, meça duas vezes e corte uma. Então estude, discuta, pense… mas depois de decidir, execute rapidamente, e vá decididamente até o final. Esse é o segredo das pessoas que ganham dinheiro. Pouco papo e muita ação.

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