É na mente que nascem os comandos para nossas ações e, principalmente, as decisões e posturas de como iremos fazer as leituras dos fatos do dia-a-dia. É por isso que os teóricos afirmam que somos o que pensamos. Os valores que você carrega em sua mente são os grandes responsáveis por definir como você fará a interpretação dos fatos que lhe ocorrem. Um fato por só não diz muito. Por exemplo, quando um cliente lhe responde “não” diante de uma proposta de venda, mais importante do que “não” é como você irá interpretar e reagir mentalmente a ele. É a conclusão, o pensamento que você irá formar a partir dessa leitura que irá determinar como você se comportará.
O que fazer então, para melhorar nesse sentido? Seu grande desafio em direção ao pódio em vendas e na vida é começar a mudar o padrão de seus pensamentos. É mudando sua atitude mental que você passará a enxergar as mesmas coisas, o mesmo mundo, só que de uma outra perspectiva, na qual você passa a ter uma nova postura mental, um novo padrão de pensamentos, mais nobre, mais positivo, mais amoroso, mais cooperativo. Você não conseguirá com isso determinar que o mundo mude, e novos fatos ocorram. Por exemplo, dizer para si mesmo que hoje será um grande dia de vendas, não fará que mais clientes entrem em sua loja. Os fatos que iam ocorrer antes de você tomar essa decisão mental, continuarão acontecendo. Mas, por causa da sua nova forma de ver os fatos, do novo filtro que você implantou em sua mente para interpretar ocorrências, você passará a reagir também a eles de uma outra maneira.
No exemplo anterior, pensando e acreditando que hoje será um bom dia de vendas, você passará a enxergar certos aspectos dos fatos que sempre estiveram lá, mas jamais poderiam ser vistos, pois sua mente estava bloqueada para eles, uma vez que você estava afirmando que hoje iria ser um dia ruim de vendas. Lembre-se que você sempre irá procurar enxergar os fatos e os aspectos deles que comprovam a que você pensa. Pensando positivamente, você irá fazer leituras positivas e também reagir positivamente. E, assim, você irá quebrar correntes naturais, mudando com isso o mundo.
Vou explicar melhor. Digamos que seu gerente, ou outra pessoa de seu convívio, lhe dirija a palavra com dureza, inclusive agredindo-o moralmente. Diante desse fato, você terá que tomar uma decisão mental de como irá interpretá-lo. Se você interpretar que isso é um absurdo, inadmissível, e que você precisa contra-atacar, você estará dando seqüência natural à corrente de ódio, revidando a pessoa também com uma palavra dura. Mas, se diferentemente, você interpreta que o gerente deve estar passando por algum momento de pressão ou desequilíbrio emocional, talvez por causa de um problema familiar ou por uma pressão do patrão, e você decide pensar que o problema não é você, e que aquilo que foi dito não é suficientemente forte para justificar o seu revide, e decide calmamente esperar que a situação esfrie para, sob estado de equilíbrio, conversar sobre o que realmente está perturbando o gerente, você quebra a corrente natural, e com sua atitude e comportamento dá uma grande contribuição para mudar o mundo.
O caminho mais rápido para mudarmos as pessoas e o mundo é mudando a nós mesmos. Mas isso exige um profundo controle e equilíbrio mental. Por isso é que Hans Margoliu diz: “Somente em águas quietas as coisas se espelham sem distorções. Somente numa mente calma existe uma percepção adequada do mundo”. Ou seja, sob estado de desequilíbrio emocional a interpretação dos fatos fica comprometida, turva. A probabilidade de errarmos em nossas decisões quando estamos nesse estado é enorme.
Não é à toa que se aconselha que você conte até 10, 100, antes de responder a algo que tenha lhe desapontado profundamente. Vou lhe dar outro exemplo de como podemos quebrar a corrente natural do sentimento negativo através do controle de nossa mente, e o que ocorreu com minha amada esposa.
Bem, estava voltando de Natal, RN, onde tinha ido ministrar duas palestras para a multinacional inglesa Coats Corrente, que tem três fábricas naquele estado.
Antes de sair de Natal, liguei para minha esposa, perguntando se ela poderia me pegar. Confirmado que era possível, me enganei quanto ao horário de chegada e disse para ela que chegaria às 15h10. Na verdade, o vôo só chegaria às 15h25 no aeroporto de Fortaleza, portanto quinze minutos depois do combinado com ela.
Logo que desci da aeronave, só com bagagem de mão, corri para o saguão de desembarque, preocupado que minha esposa estivesse esperando-me por muito tempo. Não estranhei o fato dela não estar lá, pois é comum ela esperar na parte externa do aeroporto. Saí da área de desembarque em direção a área externa, próximo ao local dos táxis, onde sempre marco com ela.
Achei que ela, como de costume, estivesse no carro, aguardando minha chegada. Nada, nenhum sinal dela. Liguei para seu celular e, para minha decepção e desapontamento, ela tinha esquecido de me pegar. Ficou assustada quando liguei e prometeu que iria “voando”.
Eu disse “tudo bem!”.
Naquele mesmo momento, ainda em pé, parado do lado de fora do aeroporto, os sentimentos de ódio e raiva começaram a me invadir, fruto dos pensamentos que permiti germinar em minha mente. “Mas como é que ela fez uma coisa dessas comigo”, “Isso é falta de consideração”, pensava eu. Quando percebi o que estava acontecendo comigo, parei e retomei o controle. Refleti e dialoguei comigo mesmo. Vi que se eu continuasse alimentando este tipo de sentimento através dos pensamentos que estava maquinando, meu reencontro com ela seria um desastre, um conflito certo. Tomei então a decisão mais difícil, porém, a mais acertada. Decidi que não iria ficar alimentando minha mente com esses tipos de pensamento. Disse mentalmente para mim: “Paulo, deixe isso para lá. Que diferença pode fazer quinze minutos a mais, ou amenos? Imagine o clima que vai surgir se você continuar pensando e sentindo isso. Entre, sente e relaxe. Esqueça isso”.
Bem, foi exatamente o que fiz. Voltei para o saguão, sentei, relaxei, deixei minha mente vagar, enquanto observava as pessoas. Consegui até “curtir” uma bela cena de um avô que, sozinho, dedicadamente cuidava de sua netinha. Minha esposa chegou, dei dois beijos e um abraço nela. Ela pediu carinhosamente desculpas, me explicou como o dia estava corrido, cheia de clientes e atribuições com as crianças, e fomos conversando até em casa. Fiquei depois imaginando como aquele resto de dia poderia ter sido péssimo. Decidi que não seria, e colhi os frutos dessa decisão.
Acredite, não é difícil. Talvez você, como eu, não consiga de primeira. Mas tente, insista, é possível.
O grande apóstolo Paulo, por exemplo, notável por seus escritos e por suas obras e proezas em defesa do evangelho, escreveu aos judeus em Roma o texto a seguir, ainda no século I, e que se encontra na Bíblia em Romanos 12:2: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. É interessante notar que Paulo sugere que o caminho para você não tomar a mesma forma do mundo é transformando ou renovando sua mente. Portanto, se você quiser mudar o mundo que está aí (não se conformar), a mudança ocorrerá através da renovação de sua mente. É nela que poderá ocorrer a maravilhosa transformação de sua visão do mundo, de seu ponto de vista, e que acarretará na transformação de suas posturas. Espero que esteja ficando clara para você a importância da etapa de preparação mental na sua caminhada em direção ao sucesso, à vitória.
Anteriormente a Paulo, Jesus, segundo Mateus 15:7, afirmara que “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca do homem que o contamina”. Jesus aqui se referia às palavras que proferimos, e que são frutos do que pensamos. Sabendo disso, ou seja, que é na mente que construímos nossos bons e maus pensamentos, e que a partir deles nos tornamos o que somos, Paulo faz uma outra brilhante recomendação, alertando que devemos ESCOLHER o que deve ocupar nossas mentes. Veja essa próxima passagem, e que se encontra em Filipenses 4:8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, que seja isso o que ocupe vossas mentes”. Cabe agora, pararmos para você se questionar: que tipos de leituras você tem feito? Como você tem ocupado e alimentado sua mente: com programas de violência, notícias sobre desgraças e mortes, ou com textos positivos, que lhe ajudam a pensarem coisas boas, amáveis? Pense nisso um pouco e reavalie seus hábitos.
Certa vez, ouvi de um amigo uma revelação espantosa sobre uma senhora: “Paulo, ela não confia em absolutamente ninguém. Quando criança, seu avô a colocava no colo e dizia seguidamente: ””meu amor; não confie em ninguém, nem em seu próprio pai, nem mesmo no seu avô. Confie só em você!” É natural que hoje ela tenha desenvolvido essa capacidade de desconfiar de todos, uma vez que ela foi programada assim. Mas, uma das grandes descobertas modernas sobre a mente é que além de programável, ela também pode ser reprogramada. Portanto, não estamos fadados a sermos produtos do meio, como Voltaire afirmava, nem estamos presos aos valores que nossos antepassados, familiares ou não, nos impuseram como verdades absolutas. Deus nos permitiu a grande chance de escolhermos o que pensamos e, consequentemente, escolhermos quem seremos. Acredite, se você realmente estiver comprometido com o seu crescimento profissional, em ser um campeão, você terá que fazer essa escolha. E ela começa na mente. Pense nisso e tome uma atitude positiva em relação à sua vida. Que Deus lhe abençoe nessa grande virada.
“É na mente que construímos nossos bons e maus pensamentos. E é a partir deles que nos tornamos o que somos.”
Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: PALAVRAS-CHAVE Inteligência emocional, sucesso, autocontrole.
Para saber mais: Trabalhando com a Inteligência Emocional, de Daniel Goleman – Editora Objetiva.
Paulo Angelim é consultor e palestrante em Marketing, Vendas e Motivação. Homepage: www.pauloangelim.com.br


