Poucos jovens entendem exatamente no que estão se metendo quando decidem seguir uma carreira ou outra. A medida da sua satisfação geralmente gira em torno de coisas palpáveis, como dinheiro, prêmios, cargos, etc.
Essa vida pode ser triste, principalmente para os novatos que iniciam cegamente suas carreiras em Vendas. Existe muito mais na nossa profissão do que apenas o tamanho da comissão.
Nosso perfil psico-demográfico demonstra claramente que existem centenas de casos de sucesso entre nós, profissionais de Vendas. Gente que subiu na vida, gente que juntou dinheiro, gente que construiu empresas. Esses são os sobreviventes, porque o campo de batalha está coberto de corpos de pessoas que não conseguiram.
Vendedores e vendedoras, como classe, têm a tendência de viver no limite, misturando momentos de intensa concentração e energia com comportamentos compulsivos beirando a obsessão. Muitos têm pressão alta, ataques de depressão (ou de mau humor), altos e baixos constantes, dificuldade em valorizar qualquer coisa que não seja dinheiro. É difícil encontrar o ponto certo de equilíbrio, e muitas vezes pagamos um alto preço psicológico e físico por causa disso (principalmente para quem tem família).
Felizmente, alguns vendedores já começam a ver que existe um outro lado para isso. Em minhas andanças pelo Brasil, tenho notado que muitos profissionais estão em Vendas justamente por causa da satisfação psicológica (e bem remunerada) de ajudar as pessoas a resolverem seus problemas.
Em algum ponto de nossas carreiras descobrimos que bom mesmo é estar em movimento. O movimento faz com que nos sintamos vivos, o coração batendo, a cabeça funcionando a mil. E o prazer de estar vivo.
Quando o estar em movimento se transforma em sinônimo de felicidade, o sucesso não passa mais a ser definido por números, mas sim pelo processo – a busca da perfeição, seja ela definida da forma que for. E isso que nos emociona e diferencia – descobrir um novo limite, vencer um obstáculo antes intransponível, escalar uma montanha, física ou emocional, só para poder chegar ao topo, olhar em volta e sorrir satisfeito, pensando… “consegui”. YFS!
Uma vida cheia de desafios é geralmente estressante e desconfortável, mas é muito melhor do que a outra opção, que é uma vida cheia de nada. Pessoalmente, poderia escrever livros e livros sobre todas as cabeçadas que dei no meio do caminho, todos os atalhos errados, todas as paradas não planejadas. Creio que você possa dizer o mesmo. Mas geralmente é melhor se arrepender de ter feito do que de não ter feito. Se o sucesso não tivesse um custo, todo mundo seria um sucesso.
Como vendedores, precisamos desenvolver nossa medida pessoal do que é sucesso e o que não é. Algumas pessoas vão sempre comparar-se com outras, algumas vão olhar para seus resultados no passado, outras ainda perseguirão sonhos de consumo criados pela mídia – cenouras imaginárias (alcançáveis ou não) penduradas eternamente à sua frente. Os excessos de uma pessoa são perfeitamente naturais para outra. E as motivações pessoais vêm em vários tons de cinza, raramente preto ou branco.
Nesse contexto, moldamos ativamente nosso destino, através das percepções dos nossos desejos, da tarefa que devemos cumprir e do que significa para nós conquistar esse objetivo. Cada um de nós deve encontrar a forma correta de definir nossa experiência na vida. Mesmo que essa forma mude de forma, sua intenção e propósito pessoal permanecerão intactos e puros. Num mundo cada vez mais inconstante, isso é algo que ninguém pode nos tirar.
Resumindo: defina o sucesso do jeito que você o imagina, e sua vida (e seus resultados) certamente vão melhorar.
Raúl Candeloro – Editor
Raul@vendamais.com.br
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