Quando a adversidade parece ser maior

A história da moradora de rua que se tornou atleta profissional Uma infância hostil: recém-nascida e abandonada pela mãe na porta da Febem dentro de uma caixa de sapatos, cresceu com várias outras crianças carentes, sem amor, carinho e com muito medo. Medo de tudo, de gente, do escuro, de carros, etc. E ainda passou fome. Quando completou a maioridade, foi encaminhada para o primeiro emprego. Trabalhou cinco meses como empregada doméstica, mas a patroa não lhe pagava. Decidiu se vingar furtando objetos de valor e fugindo para o centro de São Paulo, onde usou o que roubou em troca de um lugar para dormir na praça, a céu aberto.

Vivendo nas ruas, sem proteção e respeito, os mendigos tentaram estuprá-la. Para se proteger, raspava o cabelo e vestia-se como homem. Qual o futuro dessa mulher? O que Ana Luiza poderia fazer para superar tantas adversidades? Naquele momento, nada. Estava muito fraca espiritual e mentalmente. Começou a usar drogas a fim de fugir da dura realidade de viver na rua. Para conseguir mais drogas, precisou roubar e foi para o mundo do crime. Precisava sustentar o vício roubando, e isso era uma maratona: furtava comida, roupas, bolsas, etc. e trocava tudo por cocaína. Foi presa diversas vezes e apanhou muito para entregar os traficantes, mas nunca entregou nenhum deles, o que a manteve ferida, porém viva.

Certo dia, em uma dessas corridas da polícia, parou em frente a uma loja de eletrodomésticos, ficou assistindo ao filme Carruagens de fogo, que conta a história de dois corredores, e disse aos garotos que roubavam com ela: ?Vou correr assim um dia?. Um deles falou que, como era viciada em drogas, nunca iria conseguir isso. Mas ela respondeu: ?Se corro da polícia, também posso correr na rua?. Ana Luiza colocou isso na cabeça e, aos 34 anos, com tênis, bermuda e camiseta roubados, começou a treinar sozinha e foi parar na maratona de São Paulo. Ao terminar os 42 quilômetros da prova, sentiu uma imensa felicidade e, pela primeira vez, encontrou um sentido para sua vida. Era aquilo que ela queria.

No fim da década de 90, Ana foi morar sob as marquises próximas do Parque do Ibirapuera e passou a treinar lá. Foi descoberta pelo dr. Fausto Cunha, secretário de esportes da Prefeitura na época. Ele a levou para um alojamento de atletas, ofereceu abrigo, tratamento para conseguir deixar o vício e alimentação digna. Quando Ana Luiza completou seus 40 anos, bateu dois recordes brasileiros, nos 800 e 1,5 mil metros. Em 2006, venceu a meia maratona de Santiago, no Chile, e foi a terceira colocada na maratona de Buenos Aires. Ana Luiza dos Anjos Garcez viajou todo Brasil como atleta de sucesso.

Quando um jornalista perguntou se ela havia vencido na vida, Ana respondeu: ?Comecei a vencer quando ninguém mais acreditava em mim e agora, aos 46 anos, não penso em parar. Tenho sonhos e pressa de seguir em frente. Ainda moro no abrigo da Prefeitura. Quero uma casa para mim, mesmo que seja de um cômodo só, sem banheiro. Basta um canto para acomodar todas as minhas centenas de medalhas?.

Adversidade gera força
Uma das maiores lições que podemos aprender na vida é transformar a adversidade em força para vencer barreiras e obstáculos. Poucas pessoas desenvolveram essa inteligência emocional aplicada, mas quem almeja a vitória deve ver as barreiras como vitaminas para o espírito vencedor. Ana Luiza nos ensinou dois importantes conceitos sobre superação, acompanhe:

1. Sempre existe um caminho e uma solução ? Nunca pense que tudo está perdido. Sonhe, treine, persista, pois a sorte é invisível. E, um dia desses, ela poderá estar ao seu lado, mas, para isso, você precisa estar pronto para aproveitá-la e mergulhar na realização de seus sonhos.

2. Tudo gira em torno dos seus dons ? Ana tinha o dom de correr. Desde criança, a parte que mais gostava de seu corpo eram os pés. Ela descobriu seu talento correndo da polícia. Você deve descobrir os seus. Eles são joias raras e a única maneira de alcançar o sucesso duradouro.

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