Quando o presidente morre

A probabilidade de ocorrer um incêndio em uma empresa é, significativamente, menor do que a de ela perder seu presidente. A probabilidade de ocorrer um incêndio em uma empresa é, significativamente, menor do que a de ela perder seu presidente. Quase todas as empresas estão preparadas e possuem um plano de contingência. Não nos lembramos de nenhuma empresa que considerasse a possibilidade de seus líderes, seres humanos e até que se prove o contrário, mortais, virem a faltar.

Algumas tragédias mais conhecidas marcaram importantes empresas brasileiras. Em nenhuma delas havia um plano de contingência estruturado com as devidas e necessárias simulações. Dentre as tragédias mais conhecidas no Brasil, a queda de um avião com os principais dirigentes do Bamerindus determinou que José Eduardo Andrade Vieira, ainda não preparado, assumisse o comando. Muitos atribuem a essa fatalidade o que aconteceu posteriormente ao banco. Recentemente, o assassinato do ?Nelsão?, José Nelson Schincariol, deixou a empresa durante 30 dias sob o comando de um colegiado de executivos, no momento em que desafiava a AMBEV. A tragédia determinou a antecipação do processo sucessório para o filho de Nelsão, Adriano. E ainda, a brutal perda sofrida pela TAM, do Comandante Rolim em um acidente de helicóptero. Não havia nenhum plano sucessório pensado, até mesmo pelas características do grande líder, que mesmo tendo problemas de saúde, não admitia tocar no assunto. Talvez a morte de Rolim tenha sido a mais sentida por uma empresa, por ele ser a alma de uma marca legendária.

Recentemente, no âmbito internacional, uma empresa possuía um plano de contingência e quando a fatalidade aconteceu, a sucessão foi imediata e sem maiores conseqüências. No dia 19 de abril de 2004, vítima de um ataque cardíaco fulminante, Jim Cantalupo deixou o McDonald?s sem comando. O vazio no poder durou exatamente três horas, até o ?step?, criteriosamente preparado, Charlie Bell, assumir como novo CEO. A queda das ações, que se iniciou no minuto seguinte ao anúncio da morte de Jim, imediatamente foi estancada e o mercado respirou aliviado, e, acima de tudo, admirado com competência e presteza do processo.

Não obstante o exemplo magistral do Mcdonald?s, é sempre muito difícil tocar nesse assunto no ambiente empresarial. No território da gestão de crises, e para a maioria das empresas, os presidentes são imortais.

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