QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO?

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Afinal de contas, o Brasil está ou não em crise? Sempre que viajo para dar palestras, perguntam-me a mesma coisa. Só posso responder o que tenho visto e dar também minha opinião de empresário. Tenho notado claramente a distinção entre um Brasil “prá frente” e um Brasil arcaico e acomodado. Eu sei que você já viu essa história antes, mas deixe-me falar um pouco. Tirando o pessoal que trabalha com algum tipo de exportação e, principalmente, agronegócio (esses fizeram a festa com o dólar alto), invariavelmente encontro pessoas fazendo exatamente as mesmas coisas que faziam há cinco anos, e reclamando.

Parece um contra-senso: todo mundo concorda que temos cada vez mais concorrência, clientes mais exigentes, pressão cada vez maior por resultados. Todo mundo sabe que não pode parar, que tem de se mexer, inventar, aprimorar, investir. Por que não fazem é que eu não entendo – e nem Freud explica. Mas reclamar… ah, como reclamam. Principalmente os homens com mais idade (já sei que vão se ofender e me mandar e-mails reclamando). Enquanto isso, as mulheres inundam os cursos de MBA e pós-graduação (elas correspondem a mais de 60% dos alunos de pós). Como seres multifuncionais que são, elas reclamam enquanto estudam e trabalham. A maioria dos homens só consegue fazer uma coisa por vez, então quando começa a reclamar, não consegue fazer mais nada.

Caso típico: somente na semana passada conversei com duas pessoas que acusaram a concorrência de “anti-ética”. Sabe por quê? Porque os concorrentes haviam investido em métodos mais modernos de produção, melhorado a qualidade e produtividade, e agora estavam “prostituindo o mercado com preço baixo”. Esses dois empresários (um homem, a outra mulher) reclamavam que assim não dava, que sempre tinham trabalhado assim (a mulher chegou a citar que seu bisavô trabalhava assim, e ela com muito orgulho mantinha o mesmo sistema) e que sempre tinha dado certo, agora vejam só o que esses malvados da concorrência estão fazendo. Dá para acreditar? Pois acredite, é muito mais comum do que se pensa.

Talvez por isso o livro Quem Mexeu no Meu Queijo? tenha feito tanto sucesso. Por falar justamente de acomodação, o livro toca num ponto vital para o empresário: a capacidade de adaptação. O mais interessante é fazer trabalhos com grupos sobre isso e notar como sempre temos a tendência de acusar os outros de acomodação. Nunca nós mesmos. Na verdade, voltamos a falar de atitude. Essa atitude começa em admitir a acomodação. Como um alcoólico, acho que muitos diretores, gerentes e vendedores deveriam ficar em pé, dizer seu nome e admitir: “Sou um acomodado” (o termo certo seria bunda-mole, mas aí muita gente se ofenderia, então serei politicamente correto).

O Brasil está em crise desde que me conheço como gente. Mas esta é sempre a pior. É nada! Estamos na situação ideal? Obviamente não. Adianta reclamar? Os empresários de sucesso que tenho acompanhado têm preferido canalizar suas energias para o que pode ser feito, e essa atitude faz muuuuita diferença…

Moral da história: não estamos em crise nada. A coisa não está parada, mas andando lentamente para a frente. Antes nem telefone tínhamos. Os bares estão lotados, restaurantes também. Que crise é essa? Se todo mundo hoje está em melhores condições do que seus pais quando tinham a mesma idade? Crise é epidemia de SARS, bomba de terrorista, tanques nas ruas. O que temos é uma visão distorcida da mídia de algumas grandes cidades, trombeteando o apocalipse para aumentar a circulação e tiragem. Isso tudo é recebido por um bando de dinossauros com a bunda mole e gorda sentada numa cadeira confortável, numa salinha protegida, reclamando que assim não dá.

Aqui mesmo na VendaMais sentimos todos os dias os efeitos da situação econômica. Mas você já me ouviu reclamar? Melhoramos ainda mais a revista, contratamos gente mais capacitada, criamos pesquisas, agregamos valor com pôsteres e santinhos, fizemos campanhas de venda entre as equipes… Ou seja, tem de falar e fazer. Todo mês publicamos idéias de pessoas fazendo coisas diferentes – e dando certo. Quando é que sua empresa vai ser publicada também? Se quiser ir para a frente, tem de correr duas vezes mais rápido. TBC, meu amigo e amiga. TBC.

Abraço e boa$ venda$.

Raúl Candeloro – Editor
Raul@vendamais.com.br
www.raulcandeloro.com.br

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