Aqui estou eu, escrevendo o editorial da edição de dezembro a última do ano. Impressionante como passa o tempo. E a cada ano, parece que passa mais rápido.
Muitas coisas aconteceram este ano – fomos para a distribuição em bancas, mudamos o nome de Técnicas de Venda para Venda Mais, construímos um site enorme, lançamos e-zines… Enfim, foi bastante movimentado.
Nessa confusão toda, promovi uma lenta mudança na linha editorial. Passei a falar sobre outros temas mais abrangentes relacionados a Vendas, e não apenas às técnicas propriamente ditas. Sofri muitas críticas por causa disso – coloco um diabo na capa e assinantes ligam reclamando, coloco GAY na capa e assinantes me mandam e-mails reclamando, coloco matérias de Internet e continuam reclamando. Gerentes dizem que eu só falo para vendedores, vendedores dizem que eu só falo para gerentes. Quem vende serviços diz que eu só falo de produtos, produtos baratos que só falo de produtos caros, que preciso traduzir a palavra prospect, que não deveria usar termos em inglês como “ad infinitum”(???) – isso e latim, minha gente.
Nietzsche, que morreu louco, disse certa vez: “Não quero que minha luz vos ilumine, quero que minha luz vos cegue”. Pois minha postura é exatamente o contrario – encontro-me na posição de editor da única revista de Vendas do Brasil de certa forma atuando como um farol. É minha função iluminar o que vem pela frente; mostrar não só o que esta acontecendo, mas principalmente o que vai acontecer. Falar de coisas agradáveis e desagradáveis também.
Temos, como povo, o infeliz costume de não planejar o futuro. E os poucos que planejam, menos ainda têm a disciplina de seguir esse planejamento até o final. Em Vendas, ainda é pior: temos casos e mais casos de vendedores que são um sucesso dando camisas autografadas do Flamengo para o comprador (como contou-me uma amiga minha). Planejamento, só da viagem para pescar.
Obviamente as coisas estão mudando. Por isso tenho uma seção de Marketing Cultural, por isso falo de Internet, por isso falo de Telemarketing, Marketing Direto, mercado gay etc. A tendência é o vendedor que da a camisa do Flamengo para ter sucesso ficar cada vez menor, à medida que os mercados ficarem ainda mais competitivos, profissionalizados e informatizados. Se o negócio é ser um consultor de Vendas, e não um tirador de pedidos, isso não ocorre da noite para o dia. Mas todo mundo quer pílulas mágicas – o segredo do sucesso, o pulo do gato, como ficar rico sem fazer força. Isso não existe.
Não podemos ficar presos à síndrome de Peter Pan, eternamente entre a adolescência e o adulto, querendo melhores resultados mas sem querer pagar o preço, pensando apenas nas próximas seis horas. O preço do sucesso é a dedicação, é a leitura, é o estudo, é a repetição. Ou você acha que os melhores atletas, músicos, atores, etc., não praticam e estudam todos os dias? Então, por que o vendedor acha que com ele é diferente?
Ou você está indo para a frente, ou está indo para trás – não tem meio-termo. Se nada de importante mudou na sua vida profissional nos últimos cinco anos, pode saber que vem chumbo grosso pela frente. A acomodação é muito confortável, mas tem um preço altíssimo, e todos nós conhecemos alguém que está pagando agora mesmo por esse erro.
Não poderia dormir tranqüilo se deixasse isso acontecer por medo de desagradar a uma parcela dos leitores. Então, encerro este editorial, e de certa forma o ano inteiro, prometendo continuar incomodando, que é para isso que eu estou aqui. E quem preferir a acomodação, com coisinha mastigada e simples, que vá ler gibi da Mônica. Quem preferir do Cebolinha, pode me escrever reclamando, que prometo analisar como sempre e responder pessoalmente.
Feliz Natal, um excelente Ano Novo e até janeiro.
Raúl Candeloro – Editor
Raul@vendamais.com.br
www.raulcandeloro.com.br


