História da recicladora que ajuda ao próximo Nome: Marli Medeiros
Formação: 2º grau incompleto
Profissão: Recicladora
Missão: ?Reciclar vidas?
A capacidade de se indignar é fundamental para mudar a realidade. E foi assim que Marli Medeiros, 55 anos, conseguiu transformar a vida dos moradores da Vila Pinto, em Porto Alegre.
Violência, principalmente contra a mulher, discriminação social, falta de infra-estrutura, medo, sofrimento e impunidade a indignavam. Mas ela sabia que uma vida melhor era possível e provou isso a todos: ?Nunca desisti. Acreditava que a união faz a força e que todos juntos por uma causa são muito mais fortes?. Com essa força, Marli fundou na década de 90, com um grupo de moradoras, o Centro de Educação Ambiental (CEA).
O CEA é uma ONG que administra vários projetos. O Centro de Triagem da Vila Pinto (CTVP) tem 65 associados que tiram seu sustento da separação e venda de materiais recicláveis. Já o Centro Cultural James Kulisz atende crianças e adolescentes, oferecendo diversos cursos como informática, costura, além de teatro cinema e biblioteca. A Escola Infantil Vovó Belinha atende 120 crianças de zero a seis anos. Há também novos projetos como a Cooperativa Habitacional, que fará uma transformação no jeito de morar na Vila.
Os frutos do bem
A iniciativa de Marli já foi reconhecida com prêmios nacionais e internacionais, mas é a possibilidade de proporcionar melhores condições de vida à população da Vila Pinto que a deixa realizada. ?A premiação não é pela reciclagem de lixo, e sim pela promoção da reciclagem humana de uma comunidade que já tinha praticamente perdido a esperança de ter uma vida melhor?, conta.
Marli tem orgulho de suas raízes e se satisfaz ao fazer o bem. ?Sou negra, pobre e da Vila, nunca desisti da luta. Ver as pessoas se entusiasmando, se reconhecendo como agentes de transformação e acreditando no seu potencial é maravilhoso?, declara. Para ela, essa é a sua grande vitória, pois lembra que no início foi difícil convencer os moradores de que era possível ser feliz: ?Me parecia que as pessoas achavam mais fácil sofrer. Existia uma cultura de mendicância enraizada?.
Felizmente, Marli impulsionou a mudança graças ao seu desejo de compartilhar tudo de bom que acumulou durante sua vida. ?Tudo o que possuo Deus me deu, preciso fazer bom uso enquanto eu viver. Procuro transmitir a todos que é possível ser feliz sem ter tudo o que se quer, mas reconhecer que temos tudo o que precisamos. Sou muito feliz?, finaliza.
Para saber mais:
E-mail: ceambiental@yahoo.com.br


