Entre a primeira e a Segunda guerra, Napoleon Hill escreveu “A Lei do Triunfo” baseado em mais de vinte anos de pesquisas e classificações, muitas vezes por intermédio de entrevistas e trocas de correspondências com personalidades como Henry Ford, Thomas Edson, Andrew Carnegie, o Presidente Roosevelt, Graham Bell, F.W. Woolworth (proprietário de lojas), Harvey Firestone, George Eastman, John Rockefeller, John Burroughs, entre outros. Aproximadamente 50 anos depois, em 1987, Tom Peters escreveu “Prosperando no Caos”. Veja que interessante como várias atitudes que conduziram ao sucesso no passado remoto se repetem meio século mais tarde. Tom Peters, no capítulo chamado “Aprendendo a Amar as Mudanças: Uma Nova Visão de Liderança em Todos os Níveis”, descreve dez atitudes para a liderança bem sucedida:
1. Domine o paradoxo (definição de paradoxo no Webster””””””””””””””””s New World Dicticnary: uma afirmação que parece contraditória, inacreditável ou absurda, mas que pode ser verdadeira).
2. Desenvolva uma visão inspiradora.
3. Gerencie pelo exemplo (exatamente o que Shackleton* fazia).
4. Pratique gerência visível (Shackleton novamente).
5. Preste atenção (escute mais – opa, Shackleton de novo).
6. Submeta-se à linha de frente.
7. Delegue.
8. Busque a gerência “horizontal” eliminando a burocracia.
9. Avalie todos por seu amor às mudanças.
10. Crie um senso de urgência.
Veja, em seguida, como essas atitudes completam e muitas vezes se sobrepõem às qualidades essenciais dos líderes na “Lei do Triunfo”. Transcrevo agora parte do livro histórico de Napoleon Hill que, por incrível que pareça, continua atual (sua edição, somente na língua portuguesa, encontra-se na 21ª tiragem):
A longa depressão econômica que teve início em 1929 providenciou para os Estados Unidos uma lição de moral que os livrou de uma multidão de males e preparou o terreno para um novo grupo de condutores e uma nova espécie de liderança.
O tipo de liderança que a América se vangloriava de possuir antes da depressão faltou ao povo, na sua hora de maior emergência. Em nenhum campo de esforços, pode-se dizer, essa crise focalizou um lidem verdadeiro, um homem possuidor das qualidades essenciais que constituem a liderança. Tais qualidades são aqui enumeradas como um guia, para os que aspiram a ser líderes no futuro.
AS VINTE QUALIDADES ESSENCIAIS PARA OS LÍDERES
Os homens sem fibra não terão parte na liderança do futuro. Terão sido suplantados, por não terem mostrado as qualidades de um verdadeiro líder, numa época em que todo o país sentia os horrores da crise resultante de uma direção ineficiente. Os líderes do futuro têm de possuir as seguintes qualidades:
1. Domínio completo dos seis medos básicos da humanidade (medo da pobreza, medo da velhice, medo da crítica, medo de perder o amor de alguém, medo da doença, medo da morte). Observação pessoal: para entender melhor essa questão dos medos deve-se ler o livro de Hill. Mas, antecipando esclarecimentos, existem outros medos (como o do fracasso, da solidão, etc) que têm como raiz verdadeira um dos seis medos básicos, que devem ser identificados por nós e dominados, para que não sejamos dominados por eles.
2. Tendência para subordinar os interesses pessoais ao bem dos seus adeptos.
3. Unidade de propósito, representada por um programa definido de direção que se harmonize com as necessidades da época.
4. Compreensão e aplicação do princípio por meio do qual o poder é alcançado mediante a coordenação de esforços, num espírito de perfeita harmonia.
5. Confiança em si mesmo, na sua mais alta forma. Observação pessoal: alta forma aqui eu entendo como altivez de espírito. Portanto, trata-se da autoconfiança que passa longe da arrogância, e agrega otimismo, sem fugir da realidade.
6. Habilidade para tomar decisões rápidas (mudanças) e mantê-las com firmeza.
7. Imaginação suficiente para prever as necessidades da época (mudanças) e criar planos para sua solução.
8. Iniciativa, na sua forma mais profunda.
9. Entusiasmo, e habilidade para transmiti-lo. Observação pessoal: Eu gosto da etimologia da palavra “entusiasmo” que vem de “in Theo” que quer dizer cheio de Deus. Então, uma pessoa entusiasmada traz o significado de estar cheia de Deus.
10. Autocontrole, na sua forma mais elevada.
11. Boa vontade para oferecer mais trabalho do que lhe é pago.
12. Uma personalidade agradável e magnética.
13. Capacidade de pensar com exatidão.
14. Capacidade de cooperar com os outros num espírito de harmonia.
15. Persistência para concentrar pensamentos e esforços sobre uma determinada missão, até vê-la realizada.
16. Capacidade para tirar proveito dos erros e fracassos.
17. Tolerância na sua forma mais elevada.
18. Temperança, em todas as suas formas.
19. Honestidade de intenção e ato.
20. Estrita aderência à regra de ouro, como base de relação com os outros.
Pode parecer exagerada esta lista de requisitos necessários aos líderes, porém o tempo mostrará que os que subsistirem possuirão todas essas qualidades e farão delas um uso eficiente. Um exame à lista revelará o fato de que os líderes do futuro serão compelidos a evitar os erros de liderança do passado, dos quais ó principal tem sido a exploração dos adeptos.
Sábio é o aspirante à liderança que, no futuro, compreenda desde cedo que nenhuma empresa ou profissão alcançará êxito se for conduzida sem a consciência que dirigentes e dirigidos são sócios e, como tal, têm direito a partilhar dos mesmos benefícios e lucros.
Os negócios que terão êxito, no futuro, são aqueles que forem dirigidos de acordo com uma política cooperativa, e os chefes se considerarão então servidores do público em vez de indivíduos com o privilégio de explorar o povo para proveito próprio (lembre-se de que esse texto foi escrito na década de 30, portanto, 70 anos atrás).
Forte abraço e bons negócios.
Para saber mais:
Prosperando no Caos, de Tom Peters. Editora Harbra – www.harbra.com.br
? A Lei do Triunfo: Curso Prático em 16 Lições, de Napoleon Hill. Ed. José Olympio – www.editoras.com/joseolympio
* O explorador britânico Ernest Shackleton (1874-1922) ficou famoso tanto por suas expedições polares, como pela sua liderança. Carinhosamente apelidado de “Boss” por seus companheiros, Shackleton tinha como prioridade a segurança e o bem estar de seus homens, o que gerava uma fidelidade e adoração dos seus comandados jamais alcançadas por seus concorrentes.
Fonte: 360graus.terra.com.br
Marco Antonio Fiadi conduz seminários e palestras sobre liderança usando a história de Shackleton como coluna de seus workshops. E-mail: mfiadi@americaschoicebbs.com


