Saiba como curar sua empresa de uma doença crônica que pode levá-la à morte A má gestão dos estoques é uma doença crônica do varejo que atinge a grande maioria das empresas do setor, independentemente de sua área de atuação. Supermercados, farmácias, lojas de conveniência e materiais de construção não estão livres da sua influência. Os resultados são graves, senão devastadores: preços fora da realidade do mercado, falta de produtos nas gôndolas, perda de competitividade, consumidores insatisfeitos. Como um vírus letal, se não for combatido com rapidez, pode levar o paciente (no caso a empresa) à morte lenta e dolorosa.
O problema não é novo, mas foi agravado nos últimos anos com o acirramento da concorrência, que obriga as empresas a reduzir os custos. Rever processos e tornar as operações mais eficientes passou a ser o melhor remédio para combater esse mal e garantir a sobrevivência.
De modo geral, o varejo praticamente não possui nenhum controle sobre os estoques, cujo excesso hoje gira em torno de 20% a 30%. Os prejuízos decorrentes são múltiplos. Primeiro por não haver parâmetros confiáveis na hora de comprar. Com medo de ficar sem o produto, as empresas, por garantia, acabam adquirindo quantidades acima do que realmente vendem. Com essa atitude, além do excesso de estoque (que representa capital parado), correm o risco de perder os produtos com o fim do prazo de validade. Isso sem contar os custos de uma área de armazenagem mal dimensionada.
O que agrava a situação é a atual estrutura de compras descentralizadas (cada loja atua de forma independente), o que dificulta ainda mais o controle. Nesse modelo o estoque fica disperso. Um produto que sobra em uma loja pode faltar em outra, gerando prejuízos e ineficiência para a rede como um todo.
A solução, que já está sendo adotada pelas maiores redes de varejo do País, é investir cada vez mais em logística, por meio de centros de distribuição avançados (CDA). As empresas que adotaram a medida estão conseguindo reduzir em média 30% dos seus estoques, além de obter outras vantagens.
A compra e os estoques centralizados permitem maior controle, tanto físico quanto contábil. Com números mais precisos, a área de compras não necessita chutar os pedidos para cima, com medo da falta de produtos. Itens de baixo giro também podem ser fracionados e entregues à medida que vão sendo comercializados, sem que cada loja necessite acumular estoques.
Outro benefício importante é a racionalização do espaço de armazenagem. O estoque centralizado libera espaço nas lojas para ser investido na área de vendas. Porém, para gerar esses resultados é essencial que o varejista obedeça uma série de critérios. A centralização é viável para produtos adquiridos em grande volume e alto giro, ou cujos fornecedores estejam distantes. Não compensa para produtos cuja reposição seja diária, caso de alimentos perecíveis como frutas, legumes e verduras (FLV) e produtos regionais, em que o fornecedor esteja localizado nas proximidades e possa atender com rapidez.
Às empresas que planejam investir na centralização, sugiro dois passos básicos:
1. Primeiro, classifique os produtos de acordo com o giro e calcule quantos dias de estoque é necessário para cada um. A partir daí é possível dimensionar o tamanho do centro de distribuição e determinar o valor do investimento.
2. Depois, avalie com quais produtos é possível realizar o cross-docking, ou seja, produtos de alto giro e grandes volumes. Nesse aspecto, o importante é escolher fornecedores que cumpram os horários de entrega, pois a operação é sincronizada e qualquer atraso compromete toda a operação.
Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: PALAVRAS-CHAVE Logística, ECR, estoques.
Para saber mais: Gestão de Estoques na Cadeia de Logística Integrada, de Hong Yuh Ching – Editora Atlas.
Luiz Renato Braga é consultor da Kom International – ABPL & Associados. E-mail: luiz.renato@abpl.com.br Fone: (0**34) 3226-2555


