Por Leila Navarro
Aos 15 anos, Ashrita Furman era o que os norte-americanos chama de nerd: estudioso, racional, avesso à prática esportiva Aos 15 anos, Ashrita Furman era o que os norte-americanos chama de nerd: estudioso, racional, avesso à prática esportiva ? para perda de tempo, afirmava ?, assumindo sua postura de cê-dê-efe de carteirinha, sempre às voltas com livros e o mundo das idéias. Mas ele não se sentia feliz.
De repente, ao ler Sidarta, de Hermann Hesse, descobriu que precisava encontrar um sentido para a sua vida e passou a buscá-lo, primeiro, nos livros sobre filosofias orientais e, depois, na prática de ioga e da meditação, com o guru Sri Chimmay. Certo dia, em 1978, Sri sugeriu a seus alunos que participassem de uma prova de ciclismo no Central Park de Nova York ? a idéia era ser quem conseguia completar mais vezes um circuito de 5 milhas (oito quilômetros).
?Por que não??, perguntou-se Ashrita, que imediatamente comprou uma bicicleta e começou a treinar. Na véspera do evento, após uma sessão de meditação, Sri perguntou a seus discípulos quantas milhas eles pretendiam fazer. Alguns deles, ótimos atletas, pensavam em pedalar cerca de 300 milhas (482 quilômetros) e Ashrita imaginou que conseguiria fazer 200 milhas (cerca de 320 quilômetros). Nesse momento, Sri dirigiu-se a ele, perguntando: ?E você, Ashrita, quantas milhas fará? Quatrocentas??. O rapaz levou um susto. Anos depois, lembrando-se desse episódio no livro I Am Not The Body, I Am The Soul ? Breaking Limits, Ashrita escreveu: ?Sri viu algo dentro de mim que eu não via. Decidi tentar 400 milhas (cerca de 644 quilômetros) ou morrer tentando. Anotei o meu propósito e o atingi?.
A partir de 1979, Ashrita quebrou 71 recordes nas mais variadas e estranhas modalidades, como o percurso percorrido em cima de uma haste com mola (37 quilômetros) ou em um uniciclo (85 quilômetros) ? algumas vezes, superou-se a si mesmo, tornando-se o homem mais citado no Livro Guiness de Recordes. Por que ele se dedica a romper sistematicamente seus próprios limites e tem, hoje, vários alunos que buscam fazer a mesma coisa?
Ashrita acredita que, neste mundo, devemos servir de exemplo para os outros, ao mesmo tempo que desenvolvemos as áreas espiritual, mental, física e emocional. ?Existe um momento da verdade, no qual eu realmente tenho de transcender meu corpo e minha mente, para ir mais fundo dentro de mim mesmo e entrar em contato com minha alma?, diz ele. ?Existe um momento no qual eu tenho de saltar com confiança, ultrapassar a minha capacidade humana e me lançar para um ponto além de mim mesmo.?
Imagino que muitos de vocês devem estar se perguntando com foi possível a uma pessoa que nunca havia participado de uma competição dessa conseguir alcançar este resultado. ?Isso é mesmo possível? O cara teve muita sorte!? A resposta é simples: não existe sorte nem azar.
Existem possibilidades de transformação e, principalmente, de superação em cada acontecimento, dependendo de nossas ações e reações. Ou seja, fatos considerados negativos podem ter conseqüências altamente positivas e os chamados fatos positivos nem sempre cumprem a promessa de mudar nossa vida para melhor ? e isso é uma realidade aceita e respeitada pelas SuperPessoas.
Hoje, tenho certeza de que o maior algoz não nos destrói ? ao contrário, ele nos empurra para a vida. Grandes tragédias podem nos revelar novas possibilidades e um não dado com firmeza, ainda que inicialmente nos deixe revoltados, pode desencadear um processo reflexivo que nos levará a decisões mais adequadas aos nossos sonhos e aos nossos planos.
Frase: ?Sabemos quem somos, mas ignoramos em que podemos tornar-nos? ? Shakespeare
Para Saber Mais: SuperVocê ? Descubra seu Poder de SuperAção, de Leila Navarro (Editora Gente)


