Como sacudir a poeira e dar a volta por cima Nem sempre você pode escolher pelo que passará na vida, afinal, existe o acaso, o imprevisível e o imponderável. A gente planeja, se prepara, e vem uma chuva. É o incontrolável. Mas saiba que, mesmo assim, você pode optar pela forma como passará por isso.
Não importa o que seja, quão grande seja a dor, a decepção e a frustração. O fato é que você poderá escolher como perceber, elaborar e reagir a esses fatos imutáveis da vida. Não somos capazes de mudar os fatos, principalmente os inesperados. Mas podemos sempre dar-lhes novos significados, novas interpretações e novos ?para quês? ? esqueça os porquês, eles nos fazem olhar excessivamente para trás, enquanto você deveria gastar suas energias, hoje, mirando no alvo que está à sua frente: o amanhã.
Sofra, chore, extravase, não reprima seus sentimentos
Não pense que pelo fato de eu ser palestrante e escritor também não estou sujeito a viver e sofrer as situações sobre as quais escrevo. Só acredito no que escrevo com propriedade e pertinência porque sou, como você, sujeito a tudo isso. Neste exato momento, que ponho a mente a viajar, e os dedos a teclar, estou chateado e desapontado com um fato. Cansado de remoer, e sentindo a necessidade de avançar, dei um cutucão em mim e disse: ?Não vou me entregar; vou escrever o artigo que estou protelando.? E cá estou eu.
Se desejar e exercitar, você pode aprender a controlar parte de sua mente. Refiro-me à parte do ?eu devo?. A outra, a do ?eu quero?, é uma porçãozinha primitiva, selvagem e que, muitas vezes, insiste em nos levar a satisfazer desejos menores, circunstanciais e inconseqüentes. Entretanto, temos o poder (limitado, é lógico) de exercer controle sobre o ?eu devo?. Mas cuidado. Eu jamais lhe indicaria deixar de sentir, ou seja, sufocar ou reprimir seus sentimentos. Fomos feitos com a capacidade de sentir (as outras são pensar e agir) e precisamos usá-la, sob o risco de tornarmos nossas vidas insípidas e inodoras.
O que quero dizer é que se a dor vier, gema. Se o sofrimento chegar, chore. Se o cliente faltar, emburre e pragueje (não contra ele, é claro). Mas faça tudo isso só por uns poucos instantes. Um período suficiente para que você extravase, coloque para fora as coisas negativas e, depois, pare para dizer a si mesmo: ?Sim, e agora??
Depois de sentir, dê o próximo passo
Esse é exatamente o momento mais importante. A hora de inferir o ponto de inflexão, responsável por fazer a curva descendente da motivação mudar de sentido, e voltar a subir. É a hora do ?tá bom, mas e agora, o que é que eu faço??
Neste exato e sublime momento, você tira o foco dos problemas, dificuldades, empecilhos, obstáculos e começa a focar em algo absolutamente singelo, mas imprescindível para lhe tirar do estado em que se encontra: você começa a buscar um caminho. Porém, esqueça que isso ocorre por acaso, que é obra do destino. Não! Isso é obra do ?eu devo?. Do supervisor interno, do superego ou do nome que você queira chamar à essa porção maravilhosa de nossa mente que nos torna capazes de tomar decisões.
Enfim, contra o veneno poderoso do acaso, você tem um antídoto maravilhoso, capaz de fazer você recuperar-se e continuar andando. E ele se chama: o poder de fazer escolhas. Jeremias fez isso e registrou em seu Livro das Lamentações. Lá o encontramos vivendo um turbilhão emocional e, logo depois, afirmando: ?Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.? Após essa afirmação, ele só louva, e não pragueja; proclama, e não reclama; ri, e não chora; anda, e não se prostra.
Em síntese, não dá para evitar as dores, os sofrimentos, os percalços, os obstáculos e as frustrações. Não adianta lutar contra isso. Agora, não me venha dizer que é necessário parar por causa disso. Como já expliquei, se você quiser, dá para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.


