Eles podem ajudar você a preservar seu dinheiro da crise Nunca se falou tanto em proteger o dinheiro do investidor quanto nos últimos meses. A tempestade da crise financeira fez investidores e, principalmente, analistas buscarem segurança em ações de empresas solidificadas, com boa posição de caixa e perspectivas de lucro. Essas companhias fazem parte dos chamados safe-sectors ? a principal aposta do mercado financeiro quando o tema é investimento seguro.
Não existe uma definição oficial para o termo safe-sector, embora sua tradução seja de fácil interpretação. Os ?setores seguros?, assim chamados por analistas e investidores, são como guarda-chuvas na hora em que começam a respingar as primeiras gotas de água. E são chamados de seguros não porque oferecem qualquer tipo de garantia, mas porque sua performance, em comparação a outros segmentos, apresenta-se mais conservadora quando o assunto é rentabilidade, fluxo de caixa e pagamento de dividendos.
No Brasil, existem três safe-sectors que são amplamente recomendados pelos analistas: energia elétrica, bancos e telecomunicações. Eles não são os únicos, mas se destacam pelo histórico de boa rentabilidade, pagamento de dividendos e posição de caixa. Em cada um desses setores, é a estabilidade de operação e previsibilidade de faturamento que indicam quando a empresa pode ser considerada segura para investir. No momento atual da economia, até mesmo os bancos ? passíveis das consequências de uma crise financeira ? se apresentam como boas companhias para investir devido à maturidade econômica e bom desempenho nos últimos balanços trimestrais.
Como saber quando uma ação é segura?
Para Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento da Fator Corretora, investidores e analistas devem mudar a forma como veem a empresa antes de decidir se ela está imune ou não a uma crise. ?Por vários anos, analistas e investidores de renda variável direcionavam toda a atenção para as demonstrações de lucros e perdas. Com a crise financeira e desaceleração global, devemos questionar se isso continuará a ser suficiente para fazer as escolhas certas. É necessário mudar os paradigmas e concentrar-se no fluxo de caixa e balanço patrimonial?, afirma.
Assim, se há uma fórmula para descobrir uma companhia segura, é ficar atento à mudança nos fatores e maneira como eles alteram nossa escolha. ?Descobrir como as empresas financiam seu negócio, saber qual a necessidade de capital de giro, entender a estrutura de capital das organizações e como elas financiam seu negócio, programa de investimentos, pagamento de dividendos e amortização da dívida de curto prazo?, complementa.
Dica nº 1 ? Fuja das commodities
Com o preço das commodities caindo, as ações das companhias ligadas ao setor também podem despencar. Para o analista Patrick Correa, da Máxima Asset, o setor pode sofrer com a desaceleração e penalizar o preço das ações ? das pequenas às grandes empresas. ?Vale e Petrobras são ações que poderão ser penalizadas caso a queda das commodities se acentue, principalmente se a queda esperada do preço do minério de ferro seja confirmada. Além disso, o setor de fertilizantes também poderá sofrer, caso se observe uma diminuição na produtividade. Esse é, por exemplo, um grande fator de risco para a Fosfertil?, comenta.
Por outro lado, algumas companhias poderão se beneficiar da queda nas commodities, uma vez que conseguirão aumentar suas margens de faturamento e lucratividade. Segundo Patrick, a Sadia e Perdigão, por exemplo, são casos em que as ações poderão se valorizar, já que as commodities são seu principal insumo.
Já para Lika Takahashi, o segmento não deve ser visto com tanto entusiasmo pelo investidor, embora algumas empresas possam se beneficiar ao longo do ano. ?Os preços podem reagir positivamente em linha com os novos cortes na taxa de juros pelo FED. Entretanto, não recomendo entusiasmo. No curto prazo, há chances de que a China produza mais surpresas negativas e, no médio prazo, a perspectiva de diminuição da capacidade do sistema financeiro e dos mecanismos de crédito poderá tanto prolongar a duração da desaceleração quanto inibir a recuperação, o que mais a frente é particularmente ruim para commodities?, complementa.
Dica nº 2 ? Preste atenção neles
Os setores de energia elétrica, grandes bancos, telecomunicações e educação figuram como aqueles em que o investidor deve ficar mais atento em 2009. No relatório divulgado pela Fator Corretora em dezembro, estima-se o Ibovespa em 51 mil pontos até o fim do ano, o que mostra um cenário bastante favorável para o investidor que tem dinheiro para comprar.
Para Lika, o momento é de observar prioritariamente as empresas sólidas ? com isso, leia-se as grandes companhias: ?Essa é a hora de reconhecer o mérito e pagar o prêmio para as organizações que têm grande previsibilidade de geração de caixa, situação financeira saudável e prudência para pôr o pé no freio no crescimento das vendas a fim de administrar a necessidade de capital de giro?.
Setor seguro 1 ? Energia elétrica
Nesse segmento, estão as maiores apostas de altas para este ano. Com posições de caixa consideravelmente boas, as companhias de geração e distribuição de energia se apresentam como os setores mais seguros e preferidos dos analistas. Segundo Patrick Correa, ?o setor elétrico é bastante defensivo, tem uma fácil projeção de fluxo de caixa e algumas empresas pagam bons dividendos?. Além disso, o setor tem sido um dos preferidos por permitir uma previsibilidade de fluxo de caixa e pagamento de dividendos. ?Alguns papéis se beneficiam pelas correções da tarifa atrelada ao IGP-M. O setor ?performou? em linha com o Ibovespa nos anos de alta e cedeu menos que o índice no ano passado?, reforça.
Para Lika, o setor continuará a desempenhar um fator defensivo, o que assegura mais tranquilidade ao investidor. ?As apostas principais são as empresas geradoras AES Tietê, pelos altos dividendos, e CESP, que está extremamente subavaliada?, afirma.
Carteira recomendada ? Fator Corretora
Empresa | Recomendação | Preço atual | Preço-alvo/R$ |
Eletrobrás (ELET ON) | Atraente |
| 35,00 |
Tractebel (TBLE ON) | Manutenção |
| 23,00 |
AES Tietê (GETI PN ) | Compra |
| 21,00 |
Celesc (CLSC PNB) | Manutenção |
| 40,00 |
Companhia Energética de São Paulo (CESP PNB) | Compra |
| 27,00 |
Cemig (CMIG PN) | Manutenção |
| 40,00 |
*Cotação em 15/02/2009
Setor seguro 2 ? Bancos
Sim, o mercado de crédito no Brasil mudou e, com ele, a facilidade de emprestar dinheiro ou financiar carros e casas deixou de existir. Segundo Lika, os bancos não são mais os mesmos e, principalmente, os pequenos estão sob pena de sofrer mais com a crise mundial. ?Os bancos se tornaram bastante seletivos e têm represado os recursos ao mesmo tempo em que os negociadores e consumidores estão menos confiantes em gastar. Os dias de forte expansão de crédito chegaram ao fim e os de aumento na inadimplência estão apenas começando?, comenta.
Mas, mesmo com uma nuvem negra pairando sobre o mercado financeiro, o setor bancário ainda pode ser considerado um porto seguro. ?Apesar da crise, os bancos continuarão crescendo, não tanto quanto nos últimos quatro anos, quando chegaram a 28% de crescimento ao ano. Mas o setor continua com fundamentos bons, principalmente para os bancos grandes?, afirma Patrick.
Na avaliação de Lika, a consolidação dos grandes bancos evoluiu após algumas fusões e aquisições, o que assegura ao investidor uma boa base fundamentalista. ?O processo de consolidação evoluiu bastante com a fusão Itaú/Unibanco e a aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. A questão é como o Bradesco responderá a essas duas operações. Preferimos Itaú e Banco do Brasil?, sinaliza.
Carteira recomendada ? Fator Corretora
Empresa | Recomendação | Preço atual R$* | Preço-alvo/R$ |
Banco do Brasil (BBAS3) | Compra |
| 20,08 |
Itaú (ITAU4) | Compra |
| 33,79 |
BicBanco (BICB4) | Atraente |
| 5,51 |
Unibanco (UBBR11) | Manutenção |
| 20,96 |
Sofisa (SFSA4) | Não atraente |
| 4,79 |
Daycoval (DAYC4) | Manutenção |
| 7,20 |
Bradesco (BBDC4) | Atraente |
| 30,17 |
* Cotação em 15/02/2009
Setor seguro 3: Telecomunicações
Se nas tempestades, a comunicação via telefone e internet fica prejudicada, o setor de telecomunicações parece demonstrar mesmo sua solidez nos investimentos. Recentes aquisições ? ainda que turbulentas como o caso da compra da Brasil Telecom pela Oi ? e a famosa portabilidade aliada à convergência fazem do setor um dos mais promissores e, porque não dizer, seguros.
Na opinião de Patrick, a consolidação das grandes empresas ainda está por vir, mas já sinaliza um bom segmento para investir. ?Ainda se espera por novos movimentos na consolidação do setor de telecom, principalmente em busca de convergência. No entanto, é preciso cautela, pois é um setor altamente regulamentado e qualquer alteração na legislação pode influenciar o comportamento dos investidores?, comenta.
Para Lika Takahashi, o que indica o setor de telecom seguro para investir é a consistência de resultados. Ela também concorda que novas consolidações virão em 2009: ?As empresas de telefonia fixa têm consistência de resultados, enquanto que na móvel esperamos que a estratégia das operadoras mude de crescimento para rentabilidade. Também são esperados movimentos de consolidação e a convergência tecnológica e de serviços continuará a avançar. As apostas no setor são: Telesp, Oi ON e Vivo?, finaliza.
Carteira Recomendada ? Fator Corretora
Empresa | Recomendação | Preço atual R$* | Preço-alvo/R$ |
Brasil Telecom Part. (BRTP PN) | Não atraente |
| 22,76 |
GVT (GVTT ON) | Atraente |
| 31,31 |
Telemar (TNLP ON) | Compra |
| 51,13 |
Vivo (VIVO PN) | Compra |
| 42,63 |
Tim (TCSL PN) | Atraente |
| 5,38 |
Telefônica (TLPP PN) | Compra |
| 65,70 |
*Cotação em 15/02/2009
Pequenas empresas, grandes ações
Menos conhecidas dos investidores, mas nem por isso menos importantes, são as ações de empresas ligadas à educação. Esse setor não chega a figurar no grande grupo de ações consideradas seguras, porém é citado pela Fator Corretora como um dos segmentos que devem receber atenção especial do investidor neste ano.
Na avaliação de Lika, as organizações estão com uma posição de caixa confortável e podem continuar o ritmo de aquisições iniciado em 2008, por exemplo: a Anhanguera Educacional (AEDU11) aumentou seu faturamento de R$112 milhões em 2006 para R$600 milhões no ano passado, fruto da aquisição da Microlins e LFG ? duas das maiores redes de cursos técnicos e preparatórios do Brasil.
?As empresas de educação listadas na bolsa podem sair fortalecidas da crise. Elas estão capitalizadas para fazer compras, talvez a preços mais convidativos. Há potencial de crescimento, pois a penetração do mercado ainda é pequena?, comenta.
?Pague prêmio para empresas que têm geração de caixa previsível, boa situação financeira, prudência e boas práticas de governança corporativa?
Lika Takahashi
Visite os sites:
www.fatorcorretora.com.br
www.maximaasset.com.br
Colaboração: Paulo Motta


