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Descubra como as áreas de Relacionamento com o Investidor podem ajudar você Entrar em contato com as áreas de Relacionamento com o Investidor é fundamental para quem deseja conhecer mais as empresas nas quais pretende investir. Quer saber como obter informações, vantagens e benefícios de contatar um RI ou o que fazer se não for atendido? Acompanhe a entrevista exclusiva com Geraldo Soares, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI).

O IBRI é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com mais de 300 profissionais ligados à área de Relações com Investidores. Fundado em 1997, tem como missão a formação e valorização do profissional de RI. O instituto estimula e promove atividades de Relações com Investidores junto às companhias e aos profissionais ligados ao mercado de capitais. Além disso, incentiva a adoção de padrões éticos e profissionais de trabalho e conduta das pessoas ligadas às atividades de RI.

Além de presidente do IBRI, Geraldo é superintendente de Relações com Investidores do Banco Itaú Holding Financeira S.A, membro do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Investidores (INI) e Coordenador do Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado (Codim). Confira na entrevista exclusiva como utilizar o RI das empresas para melhorar seus investimentos.

Como os setores de Relacionamento com o Investidor podem ajudar os investidores individuais a obterem melhores resultados?

O caminho ideal para investir é primeiro procurar ajuda especializada e definir com um analista o seu perfil (moderado, conservador e agressivo). Com base nessa análise, no dinheiro disponível e em seus projetos futuros, o analista irá ajudá-lo a definir como investir, setores e empresas interessantes. Mas antes de aplicar seu dinheiro, é fundamental entrar em contato com a área de RI da empresa em que pretende investir. Faça perguntas, leia os relatórios, entre em contato com o profissional de RI e tire dúvidas, vá às reuniões da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e conheça as perpectivas da empresa.

Tudo isso antes de comprar a ação, e depois que investir na empresa?

Continue entrando em contato com o RI, porque esse setor está lá para atender você e sanar todas as suas dúvidas. Se cadastre no site do RI para receber todos os informativos, pois não é porque se tornou acionista que necessariamente receberá tudo. Você precisa se cadastrar porque não podemos entrar em contato com o investidor se ele não permitir. Então, faça seu cadastro e participe de tudo que puder: reuniões, chats e teleconferências. Só assim vai saber o que está acontecendo com a empresa na qual investe e também com o mercado. E se tiver dúvidas, faça contato por e-mail ou telefone, pois será atendido.

Segundo uma recente pesquisa do Instituto Nacional de Investidores (INI), 11% dos entrevistados disseram que não receberam resposta ao entrar em contato com o RI de determinada empresa. O que fazer nesses casos?

Eu sugiro que o investidor entre em contato com algum órgão, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pois ela vai exigir uma resposta da empresa. Ou procurar o próprio IBRI, pois se recebermos alguma denúncia como essa, cobraremos o atendimento imediato da companhia. Tem também a Ouvidoria da Bovespa. Nesse canal, é normal o investidor ir direto na Ouvidoria da Bovespa para que ela mesma busque a resposta e repasse ao investidor.

Essa mesma pesquisa mostra que 43% dos investidores individuais nunca entraram em contato com uma área de RI por não saber como fazer isso. E 31% disseram que nem sabem o que esses departamentos fazem. Como mudar esse cenário?

Essa é a realidade mesmo. Nós discutimos muito isso no IBRI, porque sabemos que as empresas precisam melhorar sua comunicação com os investidores individuais. Muitas já estão fazendo. No Itaú, por exemplo, enviamos um informativo trimestral para 65 mil pessoas. Nele, colocamos o endereço e o telefone da área de RI e incentivamos os investidores a entrarem em contato. Fazemos isso há quatro anos por que percebemos que tudo que mandávamos não era lido em função da linguagem muito técnica. Agora, enviamos um informativo bastante didático. E quando decidimos agir dessa forma, convidamos os acionistas e discutimos com eles o que é o RI e como ele pode ajudar, pois tem profissionais especializados para atender o investidor.

Quais são as principais dúvidas que fazem o investidor individual entrar em contato com os RIs das empresas?

Sobre dividendos, práticas de governança corporativa, volatilidade das ações, cotação de ações e em questões sazonais, como na época de declarar o Imposto de Renda. Os investidores individuais também buscam mais informações sobre algum boato ou notícia publicado na imprensa.

Até que ponto as empresas brasileiras de capital aberto estão realmente preocupadas em atender bem os investidores individuais?

Isso melhorou muito. Com o desenvolvimento do mercado de capitais, companhias abertas que não tinham postura de RI passaram a ver seu concorrente ter e, com isso, melhorar o valor de mercado. Assim, as empresas que não tinham área de RI se mexeram. O IBRI faz, em parceria com a Bovespa, um curso para as empresas melhorarem seu relacionamento com investidores. No ano passado, tivemos uma turma, já neste abriremos três em função da demanda. Outro exemplo é o MBA de RI IBRI/FIPECAFI na USP, que tinha apenas uma turma nos anos anteriores, hoje já tem duas e, possivelmente, abrirá a terceira. Isso prova que as empresas estão mais preocupadas, pois são elas que mandam os profissionais fazer e pagam esses cursos.

Qual é a nota que você dá às áreas de RI no Brasil?

Dou uma nota entre sete e oito. Tirando as cem empresas que são consideradas tops, o excesso de padronização é um problema. Toda comunicação precisa ter a identidade da própria companhia, não dá para ser igual a todo mundo, apesar de as ferramentas poderem ser as mesmas. Além disso, falta expandir mais a comunicação, apesar de já termos melhorado muito através de periódicos, chats e teleconferências. As empresas precisam expandir mais o relacionamento com o investidor, ir onde ele está. Tem algumas que fazem reuniões da Apimec, mas são poucas. Mais instituições precisam fazer.

Existe um órgão regulamentador que define como deve funcionar uma área de RI?

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é responsável por fiscalizar e regulamentar o mercado de valores mobiliários, tem as regras de divulgação que a área de RI deve cumprir. Mas tem muitas coisas que ainda não são regulamentadas, por isso criamos o Codim ? que é uma união de dez entidades coordenadas pelo IBRI e Apimec, a CVM participa como observadora. Ele divulga pronunciamentos de orientação para as empresas de práticas sobre as quais ainda não se tem legislação para explicar à empresa e ao profissional de RI como fazer determinadas atividades, por exemplo: algumas companhias nacionais faziam teleconferência no Brasil só em inglês. Então, divulgamos um pronunciamento de orientação sobre teleconferência, dizendo para fazer em português e em legislação contábil nacional. O Codim não tem força de lei, são apenas orientações, mas como são dez entidades representativas no mercado de capitais, as empresas costumam adotar os procedimentos indicados.

Como o investidor pode avaliar a qualidade da área de RI de uma empresa?

Deve levar em consideração se a empresa realiza reuniões da Apimec e também a quantidade desses encontros. O atendimento imediato do RI quando for solicitado. O site do RI deve ter informações atualizadas e úteis para o acionista e que sejam de fácil consulta. A realização de teleconferências trimestrais também é fundamental.

Na sua opinião, quais são as empresas modelo em termos de relacionamento com o investidor, o que elas fazem de diferente?

Prefiro não citar para não cometer injustiças. Mas uma boa maneira de saber isso é consultar as empresas ganhadoras do Prêmio IR Magazine Awards Brazil, que é promovido pela IR magazine em associação com a PR Newswire e em conjunto com a Revista RI e o IBRI. O objetivo é reconhecer a excelência nas comunicações com os acionistas e das práticas de relações com investidores no Brasil. Os vencedores são indicados a partir de uma pesquisa independente conduzida pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas ? FGV. É um estudo de percepção sobre a atividade de RI. No site do IBRI, o investidor pode consultar as melhores empresas classificadas ano a ano e conhecer também os vencedores da edição de 2008, divulgada neste mês.

Para saber mais:
IBRI: www.ibri.com.br
CVM: www.cvm.gov.br
Apimec: www.apimec.com.br

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