As ferramentas de pesquisa de mercado são instrumentos poderosos, que podem indicar a direção para onde as empresas poderiam ou deveriam ir e quais armadilhas evitar. Mariana, enquanto se olhava no espelho dando pequenas meias voltas, disparou a pergunta que pega qualquer marido desprevenido:
? Querido, você acha que eu engordei?
No mesmo instante, a sua mente começou a viajar e retrocedeu algumas semanas. Ele se viu de volta à empresa em que trabalha, sentado em frente a um consultor de RH, que passava os olhos pela sua ficha.
? Muito bem dr. Camargo, vamos ver o que diz a sua avaliação. Tanto a diretoria como seus subordinados o consideram um bom líder, comprometido com os objetivos e metas da empresa.
? Que ótimo, era bem o que eu imaginava ? já com um sorriso de alívio ? mais alguma coisa?
? Na verdade sim. Há alguns aspectos que foram levantados e que devem ser trabalhados.
Com algum desconforto, dr. Camargo endireitou-se na cadeira.
? Por favor, continue.
? Seus subordinados acham que o senhor ouve pouco e não leva em consideração a opinião dos outros…
? O quê? Que absurdo!
? Eles têm medo ou não têm motivação para apresentar novas idéias, pois o senhor tem tendência de desmerecê-las, sem mesmo dar uma chance para que possam ser desenvolvidas.
Sentando para trás e cruzando os braços, em claro sinal de discordância, ele argumenta:
? Não é verdade. Isso é coisa desse pessoal que fica viajando, sem entender claramente a filosofia da empresa…
? Essa é uma outra reclamação: os subordinados sentem-se pouco envolvidos e informados sobre os planos e pensamentos da empresa.
Camargo fechou os olhos tentando organizar os pensamentos. Parecia que havia levado um soco no estômago.
Não é fácil receber feedback ? No mundo corporativo, as ferramentas de pesquisa de mercado são instrumentos poderosos e extremamente úteis, que podem indicar a direção para onde as empresas poderiam ou deveriam ir e quais armadilhas evitar. Ajudam a perceber oportunidades de mercado e a ouvir a opinião e satisfação dos seus clientes internos, externos e consumidores.
Mas, ao mesmo tempo, expõem deficiências e fraquezas, erros ou acertos estratégicos, cometidos por pessoas com atribuições gerenciais e executivas ou, até mesmo, por empresários que se julgam intuitivos e infalíveis.
Nos Estados Unidos, são gastos anualmente em pesquisas mercadológicas cerca de 8,3 bilhões de dólares. É um mercado maduro em que não é sinal de fraqueza parar para pedir informações sobre a melhor direção. Muito pelo contrário, os acionistas, conselheiros e diretores tomam decisões a partir das pesquisas disponíveis. O valor das companhias oscila de acordo com as avaliações de satisfação dos clientes. A informação é um commodity, em geral disponível a todos através de milhares de publicações, institutos e websites.
O segredo é o que fazer com as informações. No Brasil, as grandes empresas utilizam a pesquisa como ferramenta em levantamentos semestrais ou anuais. Mas a sua utilização constante ainda é pequena no dia-a-dia. São informações para tomar pequenas ou grandes decisões e adotar medidas corretivas antes que ocorram estragos irreversíveis. É a maneira moderna e madura de garantir a sobrevivência e a competitividade no mundo digital.
Camargo lembrou do plano de ação proposto pelo RH e de como, passado o susto inicial, deu início a uma gestão mais compartilhada e aberta. Entendeu que a empresa não estava apontando dedos e buscando culpados, mas lutando para melhorar os processos e o clima interno, através do desenvolvimento das pessoas, garantindo o futuro.
? Querido, você ouviu o que eu perguntei? Você acha que eu engordei?
Nesse momento, ele também compreendeu que, diferente das pesquisas formais, certas perguntas são feitas apenas por fazer e só existe uma resposta:
? Não, querida, você está ótima.


