Ser verde dá lucro

O conceito de sustentabilidade foi ampliado nos últimos anos e, hoje, ser uma empresa ecologicamente correta abrange muito mais que antes.

O conceito de sustentabilidade foi ampliado nos últimos anos e, hoje, ser uma empresa ecologicamente correta abrange muito mais que antes.

A revista canadense Corporate Knights, especializada em novas ideias e negócios sustentáveis, divulgou no início do segundo semestre sua lista das 100 empresas mais sustentáveis do mundo. Para entrarem na avaliação, as empresas precisavam ter um valor de mercado mínimo – 2 bilhões de dólares até agosto de 2012 –, depois, eram avaliados outros indicadores, como produtividade da companhia no uso de energia, água, geração de resíduos, emissão de carbono, percentual de mulheres em postos de comando, segurança no trabalho, capacidade de inovação, relação entre o salário dos CEOs e demais funcionários, capacidade de inovação e rotatividade dos colaboradores.

Unindo todos estes requisitos, cinco empresas brasileiras figuraram no ranking das cem companhias mais sustentáveis do mundo: Natura (2ª colocada), Cemig (43ª), Vale (49ª), Grupo Pão de Açúcar (74ª) e Banco do Brasil (100ª). Todas elas desenvolvem atividades que impactam bastante no meio ambiente, mas também têm condições de viabilizar novos projetos para minimizar mais ainda os efeitos nocivos das empresas à natureza.

Das cinco brasileiras, três falaram com a revista VendaMais para contar um pouco mais sobre os projetos que levaram elas à figurar neste ranking, bem como alguns planos para o futuro.

Para ver a lista completa, acesse www.global100.org/annual-lists/2013-global-100-list.html.

Menos desperdício

São quase 45 anos de vida, 1,5 milhão de vendedores e um faturamento de R$ 8,5 bilhões em 2012. Líder na venda de cosméticos no Brasil e a quinta maior companhia de vendas diretas do mundo, a Natura investe em muito mais do que somente em beleza.

O aroma de bem-estar da Natura chega até programas especiais de sustentabilidade, sendo um dos mais abrangentes o Programa Amazônia, lançado em 2010, com o objetivo de ampliar a presença da empresa na região, buscar novas propostas de desenvolvimento sustentável e agregação de valor local, incentivar ciência, tecnologia e inovação. “Este programa tem como meta movimentar na região cerca de R$ 1 bilhão em recursos da Natura, passando de 10 para 30% os insumos produzidos na região e aumentar de 3,5 mil para 10 mil o número de famílias nas comunidades fornecedoras”, afirma a assessoria de comunicação da empresa.

Somente em 2012, a informação é de que os investimentos e despesas em ações relacionadas à sustentabilidade somaram mais de R$ 73,2 milhões (no ano passado), volume maior do que em 2011, quando o total foi de R$ 70,9 milhões. “Este ano, o lançamento mais importante foi a marca SOU, que utiliza 70% menos plástico e propicia 60% menos emissões de CO2 que a média das embalagens convencionais do mercado, além de gerar três vezes menos resíduo”, afirma a assessoria da Natura, que está inovando com um novo jeito de consumir: prazer e qualidade com muito menos desperdício.

Ar, Água e Terra

Somente em 2012 a Vale investiu US$ 1,3 bilhão em ações socioambientais, sendo a maior parcela destinada a dispêndios ambientais e o restante em ações sociais. Durante este ano, a empresa destinou quase US$ 1,6 bilhão para estas ações, das quais as que geram mais orgulho para a Vale são a Meta Carbono – redução de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2020 –, o investimento em tecnologias voltadas à redução do consumo total de água, o que resultou em um reuso de 77% da quantidade total e a proteção de mais de 13 mil km2 de área verde, sendo a Reserva Natural Vale, localizada no Espírito Santo, uma das maiores protegidas da Mata Atlântica brasileira. Segundo a assessoria de imprensa da Vale, as áreas protegidas contribuem para manter o equilíbrio ambiental e proteger os recursos naturais, além de atuar na captura e armazenamento de gases causadores do efeito estufa provenientes da atmosfera.

Para a Vale, uma empresa sustentável busca captar as inúmeras oportunidades de crescimento, reconhecendo os limites físicos do planeta, além de trabalhar também com a sociedade, influenciando sua cadeia de valor na promoção dos direitos humanos com a finalidade de estreitar o relacionamento com as comunidades. “Por isso a empresa foca na educação e pesquisa, no emprego de tecnologias e no uso e­ ciente dos recursos naturais para a prática responsável de uma mineração sustentável”, diz o porta-voz da assessoria.

Visando ampliar sua atuação verde, a Vale possui o Plano de Ação em Sustentabilidade, uma das ferramentas que tem o papel de impulsionar a concretização da visão estratégica da empresa em práticas operacionais e benefícios tangíveis: “principalmente em temas que buscam a melhoria contínua dos ativos, tais como energia, água, resíduos, emissões e recuperação das áreas degradadas”, afirma a assessoria de imprensa.

Conjunto de ações

Para Rodrigo Nogueira, gerente-geral da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil, sustentabilidade não possui uma definição concreta, pois é um novo cenário, uma mudança de percepções e valores. “Responsabilidade socioambiental, para o Banco do Brasil, é ter a ética como compromisso e o respeito como atitude nas relações com funcionários, colaboradores, fornecedores, parceiros, clientes, credores, acionistas, concorrentes, comunidade, governo e meio ambiente”, explica Nogueira.

No BB, o tema sustentabilidade é um conjunto de ações complementares e que possuem transversalidade em todas as áreas da empresa: “possuímos diversas iniciativas de destaque com relação ao tema, a exemplo do Programa Água Brasil, que representa, na prática, que é possível o desenvolvimento da conservação ambiental”, diz.

Segundo Nogueira, à medida em que o desempenho financeiro está alinhado às melhores práticas de governança e responsabilidade socioambiental, a cultura da empresa se transforma, refletindo nos processos e negócios que atingem patamares cada vez mais sustentáveis. Neste cenário, o BB destaca ações como o Desenvolvimento Regional Sustentável, que apóia atividades produtivas por meio da mobilização de diversos parceiros, promove a geração de trabalho e renda, contribuindo para a inclusão produtiva e social. A estratégia conta, atualmente, com 4.088 Planos de Negócio por todo o Brasil, com 1,5 milhões de beneficiários somando mais de R$ 15 milhões de saldo em carteira.

Nogueira ressalta que, em março de 2010, o Banco do Brasil, definiu o tema água como principal eixo de atuação em suas ações voltadas para a sustentabilidade, a fim de promover a conscientização e a mudança de atitudes em prol da preservação e conservação dos recursos hídricos. “O Programa Água Brasil, como é chamado, objetiva a melhoria da qualidade e oferta de água, a ampliação da cobertura da vegetação natural em 14 microbacias, estímulo ao consumo responsável e tratamento adequado dos resíduos sólidos em cinco municípios brasileiros”, completa.

De acordo com Nogueira, o investimento com maior potencial e o patrimônio mais valioso do Banco do Brasil é o capital humano. Assim, ele acredita que o conjunto de ações foi fundamental no reconhecimento desta empresa, também eleita como uma das melhores para se trabalhar, e com possibilidade de ser novamente listada no DJSI (Índice Dow Jones de Sustentabilidade), além de ser reconhecida como uma das empresas líderes pelo Prêmio Empresa Verde.

Para o futuro, o gerente-geral da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do BB é firme: “sustentabilidade não tem linha de chegada, é um processo de contínuo aprimoramento. A agenda socioambiental do BB está em contínuo processo de construção”.

“A Vale percebe que a implementação bem-sucedida da agenda de sustentabilidade signi­ficará competitividade no longo prazo”.

O Programa de Voluntariado BB alcançou a marca de 13 mil funcionários inscritos e resultou em um investimento de mais de R$ 5 milhões em 68 projetos apoiados por voluntários do Banco do Brasil.

Quer começar agora?

Inspire-se na dinâmica sustentável da Vale e do Banco do Brasil e comece já a ser mais verde. Duas das empresas mais ecologicamente corretas do país dão dicas para você que deseja entrar neste mundo:

VALE

  1. Promoção do desenvolvimento local
  2. Educação, saúde e segurança onde a empresa está presente
  3. Promoção do desenvolvimento sustentável junto a governos
  4. Participação em políticas públicas e do valor econômico gerado e distribuído
  5. Incentivo à agenda de sustentabilidade entre fornecedores e clientes
  6. Construção de um relacionamento de confiança e de qualidade

BANCO DO BRASIL

  1. Decisão de assumir compromisso com a responsabilidade socioambiental
  2. Criação de um grupo mobilizador com representantes de todas as áreas da empresa
  3. Realização de um diagnóstico da postura socioambiental da empresa
  4. Definir plano de ação de longo prazo para o tema
  5. Elaborar e implementar plano de comunicação e capacitação para o tema
  6. Prestar contas do avanço e resultados junto à liderança da empresa e retroalimentar o processo, a partir da interação sistemática com os diversos públicos da organização.

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