SOCORRO! TENHO MEDO DE VENCER

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É a nossa força de vontade que nos faz vencer, mas é ela também o nosso maior inimigo

Sala de espera de dentista. Homem dos seus quarenta anos. Mulher jovem e bonita.

Ele pensa: que mulherão. Que pernas.

Ela pensa: cara engraçado. Lendo a revista de cabeça para baixo.

Ele: te arranco a roupa e te beijo toda. Começando pelo pé. Que cena. A enfermeira abre a porta e nos encontra nus sobre o carpete, eu beijando um pé. O que é isso? Não é o que a senhora está pensando. Entrou um cisco no olho desta moça e eu estou tentando tirar. Mas o olho é na outra ponta! Eu ia chegar lá. Eu ia chegar lá!

Ela: ele está olhando minhas pernas por baixo da revista. Vou descruzar e cruzar de novo. Só para ele aprender:

Ele: ela descruzou e cruzou de novo! Ela sabe que eu estou olhando. Também, a revista está de cabeça para baixo. E agora? Vou ter que dizer alguma coisa.

Ela: ele até que é simpático. Grisalho. Distinto. Vai dizer alguma coisa…

Ele: o que é que eu digo? Tenho que fazer alguma referência à revista virada. Finjo que examino a revista e depois digo: “Sabe que só agora me dei conta que estava lendo essa revista de cabeça para baixo? Pensei que fosse eu russo “. Aí ela ri e eu digo “E essa sua Cruzeiro? Tão antiga que deve estar impressa em pergaminho “. Aí riremos os dois. Falaremos das eleições. Conversaremos cordialmente. Aí eu dou um pulo e arranco a roupa dela.

Ela: ele vai falar ou não? É do tipo tímido. Até que seria diferente. Hoje em dia a maioria já entra rachando… Esse é diferente. Distinto. Respeitador

Ele: digo o quê? Tem um assunto óbvio. Estamos os dois esperando a vez num dentista. Algo em comum. Primeiro consulta? Não, não. Sou cliente antiga. Estou no meio de um tratamento. Canal? É. E o senhor?

Ela: ele desistiu de falar Gosto de homens tímidos. Maduros e tímidos. Ele está se abanando com a revista. Vai falar do tempo. Calor, né? Aí eu digo “É verão”. E ele: “É exatamente isso. Que coincidência! Os dois estamos com calor e concordamos que a causa e o verão. Temos o mesmo dentista. E o destino. Você é a mulher que eu esperava todos esses anos. Posso pedir sua mão em noivado?

Ele: ela acabou a revista. Olhou para mim. Tem que ser agora. Digo: “Você está aqui para limpeza de pernas? Digo, de dentes?”

Ela: e se eu disser alguma coisa? Estou precisando de alguém estável na minha vida. Alguém grisalho. Se ele disse, qualquer coisa, eu dou o bote. “Calor né?” “Eu também te amo!”

Ele: é melhor não dizer nada. Um mulherão desses. Quem sou eu? Esquece, rapaz. Pensa na sua cárie que é melhor Meu Deus, ela vai falar!

– O senhor podia…

– Não! quero dizer, sim?

– Me alcançar o outra revista?

– Aqui está.

– Obrigada.

Ai a enfermeira abre aporta e diz:

– O próximo.

E eles nunca mais se vêem.

Já passou por alguma situação como essa? Em que a oportunidade bateu à sua porta, e você não foi atender? Você cruza com alguém dos seus sonhos, e não vai até lá. Você tem uma idéia que pode mudar tudo na sua empresa e, prevendo a reação de seus pares, fica quieto.

Infelizmente, isso é normal. Por qualquer motivo que seja, acabamos sendo ou realizando menos do que podemos. E por que isso? Por puro e simples medo. Medo do que os outros podem dizer, medo de fazer alguma coisa diferente. Esse medo tem muitos nomes. Vícios que trazemos conosco desde sempre. Mas nem tudo são más notícias. Trazemos também várias virtudes. E só saber utilizá-las. Sabe aquele comercial que diz “potência não é nada sem controle”? Pois inteligência não é nada sem vontade.

É a nossa força de vontade que nos faz ir além, que nos faz vencer – ou não.

O importante é vencer o medo de vencer. Isso exige treinamento, perseverança, autoconhecimento e disciplina. Fazer é mais importante do que apenas conhecer. E como se faz para ativar essa vontade dentro de nós? Isso é com você. Só você pode fazer essa força aparecer. Entusiasme-se pelo que você faz.

Segundo Luiz A. Marins Filho, autor do livro Socorro! Tenho Medo de Vencer, o entusiasmado acredita na sua própria capacidade de vencer o medo de vencer. Marins nos dá alguma dicas:

Aperfeiçoamento constante – Há algumas vantagens na frase “eu não sei”. Ela significa que você está aberto a aprender coisas novas. Porém, não é o que acontece. Geralmente temos uma opinião formada sobre tudo e todos. Somos mais de 150 milhões de técnicos de futebol, médicos, advogados, economistas e consultores financeiros. E como diz – novamente – Luis Fernando Veríssimo: a solução para os problemas brasileiros é colocar os motoristas de táxi no governo e no comando dos times de futebol, já que eles sabem de tudo. Há um inconveniente, lógico. Os políticos e técnicos de futebol passariam a dirigir os táxis.

Mas o ponto é: assuma sua ignorância em certos assuntos, e procure aprender com quem conhece. Ao contrário do que possa parecer, isso não é mim para sua imagem. Mostra que você está interessado e quer melhorar sempre. E não pare nas conversas. Estude, leia, se aperfeiçoe sempre. Assim, você evita cair num dos maiores inimigos do sucesso, o perfeccionismo. Não permita que o medo de errar, a busca por uma ação definitiva o impeça de fazer as coisas. No mundo profissional atual, é preciso que tenhamos a coragem de fazer, de agir, de tentar e de empreender. E se não estivermos preparados para errar, corremos o risco de nunca sermos notados – nem mesmo pelos nossos constantes acertos…

Intuição – O inundo é regido por números. Informações precisas sobre qualquer assunto chegam até você em questão de segundos. Por isso mesmo, uma das coisas mais valorizadas hoje, nas empresas, são aquelas pessoas que dizem:

– Sei lá, eu acho que….

– Alguma coisa me diz que esse produto vai ser um grande sucesso no Nordeste.

Isso mesmo, a boa e velha intuição. Aquilo que não se ensina. E ela tende a ter um valor cada vez maior, pois as mudanças estão se acelerando, o mundo está cada vez mais rápido. Aquele que consegue imaginar o que vai acontecer e toma as decisões mais acertadas, se destaca. Mesmo que algumas delas não dêem bons resultados. Afinal, é preciso errar para fazer algo acontecer, para acertar. O uso constante da intuição mostra que a pessoa também é dotada de criatividade e espírito inovador, duas das moedas mais valiosas no mundo, atualmente.

Educação – As pessoas o tratam como elas são tratadas. Muitas vezes, por características de personalidade, você passa por mal-educado ou distante… e essa imagem acaba sendo ligada a sua empresa. E você acaba perdendo negócios. Porém, isso é fácil de ser evitado. Use as palavras mágicas “com licença”, “por favor”, “obrigado”, “é um prazer recebê-lo em nossa empresa”, entre outras. No seu trabalho, evite flutuar muito seu humor. Lógico que isso não pode ser evitado muitas vezes, mas tente equilibrar seu modo de agir. As pessoas saberão como tratar com você e se sentirão inseguras. Quando, eventualmente, as coisas ficarem difíceis não tenha medo de se justificar:

– Olha, desculpa, mas hoje eu estou num péssimo dia.

Freqüentar coquetéis, palestras e seminários, também educar-se. Ser simpático e educado nesses locais equivale muitas vezes, a mais negócios para você.

Comprometimento – Nada disso tem valor se não houver um comprometimento da sua parte. Deve haver um envolvimento seu com o seu trabalho. Isso não quer dizer se matar de trabalhar. Quer dizer realmente assumir o que você faz. Falta aquilo que o faz aplicar idéias e inovações, que é supervisionar, acompanhar, cobrar, verificar, insistir, conquistar subordinados, chamar a atenção, exigir qualidade, entre outras. O comprometimento é o que nos faz agir antes que uma crise chegue à nossa porta. Se você não se comprometer, não poderá se sentir motivado.

O comprometimento evita grande parte dos problemas das empresas. Ele faz com que as pessoas passem a trabalhar visando o cliente interno e externo, em vez de brigar com o outro departamento.

E, mais importante de tudo, é através dele que nós somos avaliados. É ele que transparece nas nossas ações diárias. Então, ponha a mão na massa.

Metas – Compare sua carreira a um iate. Você estudou por décadas, ou seja, tem um motor possante e um barco de primeira. Trabalha em uma empresa que lhe dá oportunidades de crescimento. Então você tem um casco, marinheiro. Agora é só ir ao mar, certo? Errado. Falta a bússola. Falta você definir metas claras para o que você deseja na sua vida profissional e pessoal. Para saber mais sobre o assunto, veja a matéria publicada em Técnicas de Vendas, de fevereiro de 1998.

Escritóriofobia – O que se espera de você e o que você espera de seus subordinados? Entre outras coisas, criatividade. Queremos ter uma empresa criativa e inovadora. E por que isso não ocorre? Ricardo Semler, autor do livro “Virando a Própria Mesa”, diz que o problema começa na bandeira nacional. “Ordem e Progresso”, é muito difícil ter essas duas coisas juntas. Deveria estar escrito “Ordem ou Progresso”. Deve ter sido um erro de revisão. Faça com que as pessoas queiram opinar, questionar, agir durante o expediente. Faça o possível para que o ambiente da sua empresa seja mais informal e livre de chefias autocráticas.

Essa é a garantia do sucesso? É só ter isso que eu vou perder o medo de vencer? Não. Mês que vem traremos a segunda parte dessa matéria, com mais dicas do professor Marins para você vencer o medo de vencer. Até lá, pratique o que você leu aqui e faça acontecer.

SEJA UM CAMPEAO

Roberto Shinyashiki também fala sobre como você pode perder o medo de vencer em sei livro A Revolução dos campeões.

Ele nos mostra como é confortável ficar fazendo o que sempre foi feito, sem inovar. E quando a dificuldade bate na nossa porta, a solução é simples: reclamar. Reclamar do governo, das multinacionais, dos clientes. Geralmente, isso precede uma seção nostalgia: “No meu tempo…” ou “meu pai sempre me dizia que antigamente não era assim. Bom, pode ser que antigamente não fosse assim, mas agora é. E temos que enfrentar a situação como ela se apresenta.

Fazendo uma analogia com a Fórmula 1: quando uma equipe cria algo revolucionário e passa a ganhar tudo, as outras equipes têm duas escolhas: reclamar ou aprender com a vitoriosa e copiar, tentando reverter o campeonato. As que reclamam, perdem tempo e ficam na mesma. As outras melhoram o espetáculo.

Temos que entrar em campo e não reclamar do adversário, mas aprender com ele. Jogar o jogo, curtindo o prazer que a partida nos oferece, ainda mais se começarmos a ganhar.

O jogo é duro, e se espera que cada um dê o melhor de si. Esse melhor inclui reconhecer a própria incompetência. Calma, é no bom sentido. Todos chegam a um limite em que qualquer promoção é prejudicial à empresa. A velha história do ótimo gerente que vira um péssimo diretor. Você tem que ter a humildade de reconhecer esse seu limite. E não parar de evoluir ao chegar nele. Se você não pode ser um diretor, nada o impede de ser o melhor gerente do mundo. Vá atrás disso.

Para saber mais
A Revolução dos Campeões, de Roberto Shinyashiki – Editora Gente
O Sucesso é Ser Feliz (16ª Edição), de Roberto Shinyashiki – Editora Gente
Socorro! Preciso de Motivação, de Luiz A Martins Filho – Editora Harbra
Motivação & Resultado: como obter o melhor de sua equipe, de Donald H. Weiss – Editora Nobel
Como Motivar o Seu Staff: 52 técnicas poderosas de motivação, de Donald Blohowiak – Infobook

Crônica “Sala de Espera”, da obra “Comédias da Vida Privada”, de Luís Fernando Veríssimo
L&PM Editores/fone: (051) 222-9664

Artigo baseado no livro “Socorro! Tenho medo de vencer”, de Luiz A. Marins Filho, Ph.D., Editora Harbra. Disponível no acervo Venda Mais. Para adquiri-lo, ligue (041) 336-1613 e fale com a Cláudia. Se preferir, http://www.editoraquantum.com.br

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