Soichiro Honda: o samurai que venceu o Ocidente

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Pouca gente sabe que, depois de ter sido baby-sitter e mecânico de bicicletas, Soichiro Honda fundador da fábrica que leva seu sobrenome concebeu uma nova tecnologia para as hélices do famoso caça Mitsubishi Zero, infernizando ainda mais a vida dos americanos que lutavam no Pacífico durante a Segunda Guerra. O Zero era mais leve e muito mais rápido do que o de seus rivais. Pelo feito, Soichiro Honda recebeu do imperador do Japão o prêmio “Herói da Indústria”.

A Honda sobreviveu ao pós-guerra, internacionalizou-se e globalizou sua marca e seus Conceitos. Modificou a forma de se comercializar motocicletas nos EUA, acabando com o sistema de consignação e fazendo com que o americano com cara de good boy trocasse o carro por uma scooter japonesa. Obteve as primeiras colocações vendendo motos e carros na terra da Harley Davidson e de Henry Ford. A Honda quase quebrou a Yamaha quando essa última resolveu desafiá-la. É da Honda o maior recorde da história de patentes automobilísticas em um único ano, quando, na década de 80, praticamente ditou as inovações do mercado europeu.

Na década de 90, após a morte de Soichiro (aos 84 anos), a Honda foi a primeira indústria a construir um carro em série com estrutura de alumínio em um elevado índice de automação industrial. Está entre as duas maiores montadoras nos mercados europeus com Civic e o Accord. A Honda fatura cerca de 45 bilhões de dólares e lucra anualmente dois bilhões (descontados também o pagamento dos dividendos).

O segredo do sucesso

O segredo do sucesso da Honda foi baseado no conselho dado pelo pai de Soichiro, o senhor Gihei Honda. Ele aconselhava o filho a “nunca incomodar os outros no trabalho ou na vida; não mentir e sempre respeitar a palavra empenhada”. Honda implantou um dos mais maravilhosos modelos de gestão participativa da história mundial.

No projeto dos automóveis Vigor e City os funcionários foram convidados a apresentar suas sugestões. Cerca de 300 mil foram apresentadas e 90% aproveitadas. Além dos benefícios normais, incluindo a participação nos lucros e direito a comprar ações da empresa, os funcionários da Honda podem opinar livremente. Se algum funcionário notar um problema ou descobrir um meio de tornar sua tarefa mais simples, sua idéia é implementada. Se isso aumentar a produtividade, o funcionário é premiado e promovido. Na Honda, todos – presidente, diretores, engenheiros e operários – usam o mesmo modelo de uniforme. As decisões tomadas pela diretoria devem estar de acordo com a opinião dos funcionários.

Não existe monotonia. Nenhum funcionário pode ficar mais de três meses seguidos numa mesma atividade. Duas vezes por semana são promovidas reuniões para ouvir os colaboradores.

Essa política de vencer constantemente os desafios com criatividade, participação e respeito pelo ser humano faz da Honda o que ela é hoje. Sua filosofia é baseada em cinco pontos:

1. Agir com a fé e entusiasmo da juventude.

2. Basear as atividades sobre um método, pesquisar e desenvolver idéias novas e utilizar o tempo integralmente.

3. Trabalhar com prazer e procurar alegrar o ambiente profissional.

4. Buscar um volume de trabalho harmonioso.

5. Ter sempre em mente o valor da pesquisa e do esforço.

Soichiro devolveu a auto-estima ao operário. Isso não poderia trazer mais prazer a todos e ainda obter os mais altos índices de satisfação de consumidores em todo o mundo.

Al Ries tem razão quando afirma que uma imagem de marca se constrói de dentro para fora. Os japoneses também pensavam assim quando, há seis mil anos, começaram a treinar seus samurais.

“Nossas dúvidas são traidoras e, temendo tentar, nos fazem perder o sucesso que muitas vezes poderíamos alcançar” Shakespeare

Luís Sucupira Neto – gerente de marketing e comunicação – Microsol Tecnologia. E-mail: marketing@microsol.com.br

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