Na rede desde setembro do ano passado, a loja virtual da Som Livre, só nos primeiros quatro meses de operação, passou de 4.304 unidades vendidas para 24.715 registradas em dezembro último, quando a loja apresentou um faturamento da ordem de R$ 1,35 milhão. Isso retratou um crescimento em vendas de 474%, e uma carteira de 50 mil clientes cadastrados.
Para este ano, o objetivo da Som Livre Loja Virtual é ampliar e consolidar esses números. O leque de produtos oferecidos aumenta, com a inclusão de DVDs, vídeos, softwares e livros, inicialmente da Editora Globo. Além disso, a empresa começa a investir mais pesado em propaganda e em marketing de relacionamento.
Antonio Perdia, gerente geral da loja, informa que o objetivo é atingir os 50 mil CDs/mês, mas não revela o montante dos investimentos. “Fies dependem do volume de verba que eu disponho e meu panorama pode mudar em breve”, diz Pezella. Deverão ser alocados novos recursos com investidores para a empresa.”Criamos este negócio para ganhar dinheiro”, justifica.
Tudo começou em 1997, quando a gravadora Som Livre deu início ao processo de venda direta por telemarketing, por meio da Globo-disk. Esse projeto de marketing direto envolvia a venda por telemarketing, eletronicamente e por catálogo, e seria realizado por duas empresas distintas, com parte da estrutura operacional conjunta. Assim, um ano depois, enquanto a operação da Globodisk era implementada, a Sigla, que detém a gravadora Som Livre e a Globodisk, além da RGE, começou a investir na Som Livre Loja Virtual.
O projeto previa o desenvolvimento de uma loja eletrônica, cuja principal característica fosse o entretenimento do usuário. Para isso, uma equipe da gravadora pesquisou durante um ano, levantando nomes dos cantores, seus trabalhos, participações especiais e outras informações que hoje são oferecidas aos usuários do site – www.somlivre.com.br.
Iniciado cm junho de 98, o projeto absorveu investimentos da ordem de R$l,5 milhão para desenvolvimento dos sistemas de back office, feito pela equipe técnica da gravadora, e pelo site, responsabilidade da Mídia Log – que hoje responde por Agência Click, depois de adquirida pelo Grupo Opportunity “O site é a vitrine do negócio”, define Pezella. “Depois da compra ou do cadastro, as informações circulam pelo sistema interno da empresa, que é bem mais complexo”, acrescenta.
A logística da Som Livre Loja Virtual é em grande parte resolvida pelo sistema desenvolvido sob medida para as necessidades da empresa. Ele controla a performance do site, a remessa e o recebimento de e-mails, a baixa de estoque. Para assegurar o prazo de entrega dos produtos entre três a cinco dias, a loja trabalha com uma sistemática de reposição de estoque dos CDs, conforme a maior ou menor procura e é o sistema interno que controla isso.
Os pedidos feitos pelo sue são automaticamente enviados ao armazém, onde são separados e enviados ao cliente por Sedex. É o sistema interno que também controla o status do pedido, veiculando o tracking no site.
A utilização do armazém é dividida entre a Som Livre Loja Virtual e a Globodisk. Até o momento a Globodisk tem um número muito maior de clientes com 1 milhão de pessoas cadastradas e trabalha com apenas vinte títulos. Segundo Pezella, entretanto, o plano é unir os produtos e dar início à venda por catálogo. A loja virtual oferece 11 mil títulos de 200 gravadoras, e apenas 3% deles são da Som Livre. Mensalmente, são incluídos na loja os lançamentos, cerca de 200 títulos.
Também a verba publicitária das duas empresas foi unida numa mesma agência para obter maior força de negociação junto aos veículos de comunicação na compra de mídia. Até o fechamento desta edição, as empresas analisavam propostas que estavam sendo oferecidas por alguns fornecedores, entre eles a Talent, a Agência Click e Ogilvy&Mather. Até agora, a Globodisk tem sido muito mais agressiva em propaganda do que a Som Livre Loja Virtual, mas a estratégia é reforçar os esforços neste momento. Durante o lançamento da empresa e nos seus primeiros meses de existência foram veiculados dois anúncios na Rede Globo, feitos pela Almap/BBDO, mas para Pezella isso foi o mínimo. Como a empresa e a rede são da Globo, os valores investidos não tiveram maior peso no orçamento.
Até então, a empresa tem investido muito no desenvolvimento das vendas com promoções de preço para determinados produtos, além de estar tomando medidas para aumentar a segurança do site e atrair mais o consumidor. É o caso do software de segurança da Verisign adotado por eles, que retém as informações dos clientes no site apenas enquanto está sendo efetuada a transação. Imediatamente após, os dados são enviados para um servidor interno e trafegam apenas pela intranet da empresa por linha dedicada.”Investimos pesado em medidas de precaução e cautela”,diz Pezella.
Recebendo em torno de 18 mil visitas por dia, a Som Livre está registrando uma taxa de 3% de conversão na loja, o que representa uma média de vendas em torno das 18 mil unidades por mês. Para atender a esse fluxo, a equipe interna da Som Livre Loja Virtual é composta por 25 pessoas, incluindo o webmaster, o webdesigner e o editor do site. Há seis pessoas respondendo pelo atendimento, três atuando no marketing, outras seis na parte operacional e mais cinco na manutenção da produção de streamings. Por dez meses foram alocados três grupos de sete pessoas, trabalhando três turnos de seis horas cada para produzir os 40 mil streamings de 30 segundos que são oferecidos ao usuário da loja. Cada cliente pode ouvir até três trechos de cada CD. “Não temos no Brasil fornecedores desse tipo de produto, como oferece o mercado norte-americano”, aponta Pezella. “Por isso, produzimos também os streamings internamente”, complementa.
Segundo Perdia, é agora o momento da Som Livre investir mais agressivamente. “É muito complexo fazer funcionar bem uma loja virtual, por isso, achamos melhor ficar quietos no início”, conta. “O conceito desse negócio é somar bom atendimento e bom produto: agora estamos prontos”.


