Banco Central, Câmaras de Compensação e instituições financeiras passaram a adotar, a partir de 22 de abril, o SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro). A nova infra-estrutura financeira nacional está trazendo profundas mudanças no que se refere ao trânsito de recursos entre empresas e bancos, e poderá alterar significativamente o posicionamento das instituições no mercado. As empresas competentes suportarão a mudança com direito à comemoração. Aquelas que não compreenderem os impactos decorrentes do SPB ficarão assistindo à festa da arquibancada.
Sem o SPB, as transações interbancárias são efetivadas de um dia para outro ou em até 48 horas, como é o caso do DOC entre bancos diferentes. Com o novo sistema, os clientes e usuários devem optar pela transferência imediata inter-banco (doc online). As transações bancárias acima de R$ 5 mil devem obrigatoriamente migrar de cheques, DOCs e outros instrumentos, que hoje exigem compensação ao final do dia, para o sistema de liquidação instantânea, através da TED (Transferência Eletrônica Disponível).
Assim, aquela tradição de fazer compras para cobrir a dívida a posteriori deixará de existir. Só vai comprar quem tem o direito ou o dinheiro de fato, pois o sistema não permitirá nenhuma transação sem fundos. Tudo acontecerá no ato da compra. Se tiver fundos, o cliente leva a mercadoria. Se não tiver, deixa para comprar quando puder.
A regra parece dura, mas o SPB “dará a César o que é de César”, não permitindo roletas financeiras existentes no passado. O SPB será implacável com os fantasmas. Valerão a seriedade e a transparência. Naturalmente, as mudanças acontecerão de forma gradativa. Nas transações abaixo de R$ 5 mil, o cliente continuará, caso deseje, com o direito de utilizar a rede de compensação tradicional.
De qualquer maneira, o SPB exigirá extrema atenção. Ao comprar, todos devem adquirir artigos conforme suas posses. Transações sem qualquer lastro serão acusadas imediatamente pelo sistema. Será preciso analisar custos, as verdadeiras necessidades, refletir. O novo sistema, não permitindo operações de alto valor sem lastro, fará uma seleção natural dos inadimplentes. O vendedor deve fazer sua escolha de acordo com o histórico do cliente, para vender mais e com maior segurança.
Para quem trabalha com crédito, será o Nirvana. Transparência sempre foi a base do tema, que fará o filtro inicial Para salvar os maus pagadores, as empresas devem trabalhar com informação e consultoria, e explicar ao cliente a nova conjuntura, além de intermediar constrangimentos com os credores (Bancos), de modo a manter a fidelidade da clientela. Em relação aos cartões, nada deve mudar a curto prazo, mesmo porque são relações cobertas por contratos existentes que não têm ligação imediata com o novo SPB.
A relíquia chamada moeda ficará mesmo muito mais preciosa. Refletirá cada vez mais a competência de quem a possui, de quem tem valor agregado e algo a oferecer. Eliminará a ciranda financeira e trará credibilidade para o sistema como um todo. Mudarão as relações comerciais, a médio prazo, e deixará de existir espaço para os aventureiros.
Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: PALAVRA CHAVE – pagamentos, finanças, SPB.
Para saber mais: Sistema de Pagamentos Brasileiro: Nova Estrutura e seus Impactos Econômicos, de Leandro Alvos de Souza – Editora Saraiva.
Altair Assis é diretor de negócios na área financeira da Novabase do Brasil (www.novabase.com.br), empresa especializada em soluções tecnológicas.


