Spoleto

A arte de servir massa e diferenciar-se da concorrência

Massas girando, cheirinho de molhos, temperos a gosto. Quem vê uma refeição sendo preparada no restaurante Spoleto talvez não imagine que o cozinheiro foi cuidadosamente treinado, até mesmo com técnicas de teatro, para encantar o cliente. A rede de fast-food que, em 1999, iniciou sua trajetória com uma pequena loja em Ipanema, RJ, hoje se divide em 221 espaços, 206 no Brasil – incluindo todas as capitais – e mais alguns pontos no México e Espanha. E a expansão não para por aí, já que o plano é difundir a marca para o interior dos estados, especialmente em São Paulo e nos das regiões norte e nordeste.

Apesar do compromisso com a velocidade, para que os pratos possam chegar de forma rápida aos clientes mais apressados, o atendimento é o foco principal do Spoleto. Por isso, nos poucos minutos em que a comida está sendo preparada, o consumidor pode aproveitar para conferir uma performance que foi especialmente pensada para ele. “O principal diferencial do Spoleto é o chef, é essa questão do entretenimento que não tem concorrente fazendo algo semelhante”, explica a diretora de marketing do grupo, Jacqueline Lopes. “Para ser cozinheiro no Spoleto, o profissional, primeiramente, faz aulas de teatro, em que realiza exercícios de expressão corporal e aprende a falar, atender e receber o cliente. Depois, ele passa por um treinamento de malabarismo com a massa, frigideira e pratos. Temos em todas as lojas do Spoleto um chef malabarista”, completa.

Servindo felicidade Embora curta, a missão do Spoleto revela, em apenas quatro palavras, o foco de todas as ações da empresa. “Satisfação em servir felicidade” está na cabeça de todos os funcionários, o que ajuda a organização a criar, dando voz a várias artes, sempre tendo o cliente como ponto principal.

Além do show culinário, outras artes fazem parte do DNA do restaurante. “Spoleto, como o nome já diz, é uma cidade da Itália ligada às artes. Tudo o que a gente faz é sempre com arte, a arte de cozinhar, montar os pratos, etc. Quando o restaurante começou, ele já fazia vernissage com artistas novos, eventos com música e festivais, e até hoje é assim”, diz Jacqueline. A ideia, além de incentivar a cultura, é interagir com a comunidade, oferecendo espaços para que artistas locais possam mostrar seus trabalhos. A empresa também aproveita a deixa para divulgar suas pratas da casa através de concursos como o de melhor chef do grupo, que garantiu, no fim do ano passado, 4,5 mil reais em prêmios e “troféu frigideira” aos três primeiros colocados da disputa.

Outro ponto forte da empresa é a acessividade. “Estamos nos principais shoppings do Brasil, em todas as capitais e em várias cidades do interior. Nossa comida é rápida, de qualidade e cabe no bolso, porque a gente se baseia no tíquete-restaurante das empresas, então nosso tíquete, em média, é de 15, 85 reais”, explica Jacqueline.

Criatividade
Ao longo desses nove anos de empresa, muitos diferenciais foram criados pelos mais variados profissionais da Spoleto, visto que a organização estimula o conceito de intraempreendedorismo. “Temos sempre de trazer coisas novas para o setor em que estamos, algo que agregue valor à marca e, principalmente, facilite ou inove a vida do cliente”, explica Jacqueline. Em seu departamento, a diretora revela que está sempre “buscando novos produtos, ganhando visibilidade à marca e fazendo parcerias diferenciadas”. Entretanto, o estímulo não se limita apenas aos diretores. “O cara da fábrica tem de criar receitas diferentes, mostrar o diferencial, dizer se dá dinheiro e se faz a marca crescer. Ou seja, cada pessoa tem de ser empreendedora”, conta.

Para isso, a sede principal consiste em um grande galpão, sem divisórias. “O escritório do Spoleto é todo aberto, todas as pessoas ficam no mesmo salão, o presidente, vice, diretores executivos – todos estão juntos. Então, você sempre tem contato com novas ideias”, revela Jacqueline.

Início
A inovação, aliás, faz parte da cultura da empresa desde que foi criada. A história do Spoleto começou em 1999, quando Eduardo Ourivio e Mário Chady testaram a primeira loja em um complexo de pequenos restaurantes existente em Ipanema. “A vida toda eles tiveram negócios. Como empreendedores, pecaram algumas vezes, mas sempre buscando uma ideia inovadora. Até que um dia ela aconteceu durante uma conversa que o Eduardo teve com um amigo estrangeiro”, relembra Jacqueline. Hoje, o Spoleto se orgulha de servir, em média, 30 mil pratos por dia.

Para quem deseja seguir no setor de serviços ou colocar em prática uma ideia nova, almejando sucesso semelhante ao do Spoleto, a diretora de marketing dá algumas dicas. “A pessoa tem de, primeiro, saber o que quer, pesquisar aquilo com que tem afinidade. O empreendedor nato está sempre buscando alguma coisa diferente até chegar a uma ideia como a do Spoleto, que é única. Ele é incansável nessa busca”, garante.

Outro conselho importante dado por ela é nunca parar de sonhar. “A gente quer crescer muito. Hoje, já temos mais de 200 lojas no Brasil e almejamos expandir ainda mais. Além disso, queremos tornar todos os nossos gerentes em chefs malabaristas e permitir que o cozinheiro possa ascender a gerente de loja e, principalmente, trazer novas combinações, pratos e produtos”, conta Jacqueline.

Insistência
Antes do Spoleto, Eduardo Ourivio e Mário Chady fracassaram algumas vezes. “A maioria dos ‘erros’ nos negócios anteriores foi decorrente da falta de planejamento e/ou excesso de otimismo”, conta Jacqueline. Entretanto, o caminho serviu de aprendizado. “Quando montaram o Spoleto, os sócios sabiam quais deficiências tinham e foram buscar cursos, bench-marking, contrataram profissionais de planejamento, etc., mas a maior ‘sacada’ foi eles terem entrado para a Endeavor – ONG internacional que apoia o empreendedorismo, dá todo suporte e cobra uma postura de gestão de negócios e muito planejamento. Afinal, verdadeiros empreendedores erram e aprendem com seus erros, nunca desistindo do seu sonho”, completa a diretora de marketing.

5 dicas que você pode aprender com o Spoleto

1. Diferencie-se – Procure fazer algo inédito, mas com o qual você se identifica e em que acredita.

2. Não tenha medo de empreender – Antes de encontrarem o empreendimento certo, Eduardo Ourivio e Mário Chady quebraram várias vezes. Hoje, comercializam mais de 30 mil pratos por dia nas mais de 200 unidades do Spoleto.

3. Invista no endomarketing – Crie eventos que ressaltem as qualidades de seus colaboradores. Para isso, não é necessário gastar muito: o foco está na criatividade e preocupação com a gestão humana.

4. Cumpra o que prometer ao cliente – Mesmo investindo em chefs malabaristas, a empresa sabe da importância de atender rápido seus clientes, já que muitos trabalham e desejam uma refeição rápida e saudável no intervalo do almoço.

5. Estimule o intraempreendedorismo – Sua equipe pode dar sugestões valiosas, basta criar um cenário propício para isso. Além disso, ainda que o empreendimento seja um sucesso, novos produtos serão sempre bem-vindos. Invista em novas descobertas.

Conteúdos Relacionados

Pin It on Pinterest

Rolar para cima