Superação pela arte

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?Quando eu tinha seis anos tive um tumor extirpado da garganta e fiquei um longo período com uma sonda no pescoço. Me isolei um pouco do convívio com outras crianças porque me envergonhava estar com o pescoço aberto. Meu pai decidiu então comprar um piano, pois era seu sonho desde menino. Comecei a estudar ao oito anos.? ?Quando eu tinha seis anos tive um tumor extirpado da garganta e fiquei um longo período com uma sonda no pescoço. Me isolei um pouco do convívio com outras crianças porque me envergonhava estar com o pescoço aberto. Meu pai decidiu então comprar um piano, pois era seu sonho desde menino. Comecei a estudar ao oito anos.?

Assim inicia-se a trajetória de João Carlos Martins na música e no piano. Famoso mundialmente por suas interpretações da obra de Johann Sebastian Bach, ele é um grande exemplo de persistência, especialmente de superação.

O menino João Carlos tinha no piano um grande companheiro. Aos nove anos ganhou seu primeiro concurso ?Bach?. Uma trajetória natural, mas de muito esforço e dedicação. ?Sempre estudei mais de seis horas por dia, todos os dias.? Aos 18 anos, ganhou seu primeiro concurso internacional e logo depois estreou nos Estados Unidos, num concerto assistido pela então primeira dama Eleanor Roosevelt. Ela patrocinou a estréia de João Carlos no Carnegie Hall de Nova York quando ele tinha apenas 20 anos. ?Quando você se entrega a uma atividade os resultados surgem, mais cedo ou mais tarde?, diz João.

Algum tempo depois, teve início uma série de acidentes que marcaram o caminho de João Carlos. O primeiro foi aos 26 anos, jogando futebol no Central Park, em Nova York, que o fez para de tocar por algum tempo. Em 1978 fez sua reestréia no Carnegie Hall. ?Foi um momento inesquecível. O teatro estava lotado e a produção teve que colocar mais de 300 cadeiras no palco.? Em 1993, após um concerto na Bulgária, o pianista foi assaltado e golpeado na cabeça. Resultado: paralisia do lado direito do corpo. Precisou de oito meses de tratamento de reprogramação cerebral nos Estados Unidos. E, mais uma vez, foi acolhido pelo Carnegie Hall, em 1996, num concerto memorável.

Na reprogramação cerebral a fala foi reativada, mas a cada palavra dita ele tinha um espasmo de dor na mão direita. Era impossível conversar por mais de cinco minutos. Mas ele agüentou firme até terminar a gravação da obra integral de Bach. A única solução para acabar com a dor foi cortar um nervo da mão direita. João Carlos passou, então, a fazer concertos somente com a mão esquerda. Porém, durante uma turnê pela China, esta mão começou a inchar e a doer. Foram retirados dois tumores. Isso afetou os movimentos também daquela mão.

Fim da história? Não. É apenas o começo, ou recomeço, pois João Carlos agora é maestro. Seus planos são continuar com sua orquestra ? a Bachiana Chamber Orchestra, que em menos de um ano já está se firmando como uma excelente orquestra de câmara. Ano que vem, estréiam em Nova York e partem para uma turnê nos Estados Unidos. ?Quero que a Bachiana represente a música do Brasil no exterior, seja um produto de exportação brasileiro.? João Carlos também quer continuar os projetos com jovens carentes e, através da música e de seu exemplo de superação, ajudar o maior número possível de crianças. Quando perguntamos se ele se considera um homem de sucesso, João Carlos Martins responde: ?Quem mede o sucesso é o público e a mídia. Eu sou um homem feliz.?

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