A imprensa norte-americana não está satisfeita com a GM. O jornal New York Times chegou a chamá-la de ?Empresa mais perigosa dos Estados Unidos?, tudo graças a uma nova promoção, batizada de ?Programa de Proteção contra o Preço dos Combustíveis?.
Explicando: desde o último ano, o país sofre com o aumento sensível e constante do preço dos combustíveis. Em alguns estados, como Flórida e Califórnia, o valor da gasolina, etanol e diesel sobe ainda mais. A GM, que já há algum tempo centra a sua produção nas pouco econômicas peruas e minivans (também chamadas de SUV?s), Tahoe e Suburban pela marca Chevrolet; Yukon pela GMC; H2 e H3 pela Hummer; SRX pela Cadillac, entre outras, reagiu. Em vez de fazer carros mais econômicos, prometeu reembolsar os seus clientes por qualquer gasolina que eles paguem acima de um determinado preço por litro (ou galão, medida usada no país), por um ano.
Mudanças ? Segundo as pesquisas recentes, 61% dos motoristas norte-americanos dizem que o preço dos combustíveis faz com que eles considerem comprar carros que normalmente não comprariam, econômicos e pequenos. Coloque ao lado disso a importância dos mercados da Flórida e Califórnia, e a decisão da GM parece ser acertada. E, de mais a mais, não seria a primeira vez que o combustível seria usado como argumento de venda de carro, certo?
Errado, e de muitas maneiras. Primeiro, o programa não poderia ser mais complicado. Só teria direito ao reembolso quem comprasse veículos com o rastreador por satélite OnStar, tornando obrigatório um acessório opcional. Segundo o press release da empresa: ?O consumo de combustível é baseado na quilometragem feita pelo veículo, conforme gravada pelo OnStar, e a autonomia do veículo na cidade de acordo com os testes feitos pela empresa e publicados em revistas especializadas. De acordo com o consumo esperado a cada mês, os motoristas de carros da GM serão reembolsados no valor equivalente à diferença entre o preço médio da gasolina especial naquele estado (conforme a tabela publicada periodicamente pela Associação dos Automóveis da América) e o valor de 1,99 dólares?. Entendeu? Pois fica pior: ?Tal crédito será creditado todo mês em um cartão pré-pago, que será enviado aos motoristas?. Isso tudo parece um pouquinho mais complicado do que outras montadoras fizeram: simplesmente formaram parcerias com determinadas marcas de postos de gasolina. Quem compra um carro mais gastador ganha na hora um vale-combustível nos postos da parceira.
Na prática ? Vamos ver como isso funciona, na prática. Se você comprar um Hummer H2 em Beverly Hills, Califórnia, e dirigir pouco menos de 20 mil quilômetros em um ano, você irá receber aproximadamente 150 dólares por mês, o suficiente para encher o tanque do carro uma vez ou, com sorte, uma vez e meia.
Agora, se você tirar o Hummer da garagem somente nos fins de semana e rodar por volta de 4 mil quilômetros, em um ano, receberá 31 dólares por mês. Que diferença 31 dólares fazem em um carro que custa mais de 50 mil? A própria GM reconhece que alguns competidores têm programas mais vantajosos, e o reembolso pode não ser vantajoso para alguns clientes. Some isso ao fato de que a GM pode estar comprando briga com uma legião de prospects: por que o programa só é válido na Califórnia e Flórida, se a gasolina está encarecendo em todos os Estados Unidos?
Em suma, trata-se de um programa complicado de vantagens que não são vantajosas para todos e pode desagradar boa parte dos prospects, feito para vender um tipo de carro que já não atrai tanto o público-alvo. Se há alguma lógica nisso, gostaríamos de saber.


