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Maninho era ainda jovem quando começou a vender sorvetes na praia da Riviera, em Bertioga, litoral de São Paulo. Não demorou muito, já tinha um trailer sofisticado com petiscos e bebidas. Casou-se, teve um belo filho. O garoto cresceu, cursou Administração e fez pós-graduação em Economia, tudo custeado pelo Maninho. Após a formatura foi passar uns tempos com o pai, antes de fazer seu MBA no exterior e iniciar numa multinacional.
Maninho continua simples, mas seu comércio de praia ficou muito famoso pela qualidade e atendimento que sempre ofereceu aos clientes. Depois de uni feriadão daqueles, onde falta até ar na praia para respirar, Maninho hiperfeliz com o movimento da semana, vai para casa e resolve conversar com o filho sobre negócios.

– Sabe filho, disse Maninho, meu negócio na praia anda muito bem. Conversando com amigos que possuem restaurantes e comércios pelos arredores, percebi que meu faturamento e bem maior do que o deles. Estou pensando aí é em instalar mais alguns trailers em locais estratégicos da praia da Riviera. Pretendo fazer um pouco mais de publicidade, investir em novos equipamentos para a cozinha do trailer, enfim, expandir o negócio. Você poderia dar a sua opinião conto administrador economista e futuro Master in Business Administration?
– Veja bem, disse o filho, as coisas estão muito ruins nestes novos tempos, o índice de desemprego está aumentando, muitas empresas fechando as portas, a economia agora está se voltando para o e-business. Temos um crescimento muito variável e instável em nosso PIB. Somente negócios com muita estrutura de marketing podem progredir neste mercado. E ainda digo mais, o senhor sabia que o Brasil responde atualmente por 40% do movimento em dinheiro gerado a partir de transações de comércio eletrônico na América Latina? Os últimos relatórios apontam que as empresas estão investindo entre US$ 10 mil e US$ 8,5 milhões para implementar e gerenciar seus sites de comércio eletrônico. Essa pesquisa consultou 170 grandes empresas que atuam no segmento B2C (business-to-consumer) e B2B (business-to-business) e abordou questões sobre desempenho de vendas, processos de logística, infra-estrutura, promoções e alianças. Segundo a empresa que fez a pesquisa, as empresas que atuam no comércio eletrônico B2C ainda destacam-se das que realizam transações eletrônicas entre empresas. Portais como Ponto Frio, Siciliano, Submarino e Amwayjá identificaram falhas no processo e estão investindo para aprimorar sua atuação em logística e na oferta de formas de pagamentos… Então, pai, o senhor sequer tem um site de seu negócio…
– Site filho?! Não entendo essas expressões todas que você disse!
– Ter um site, pai, é ser imortal no mundo globalizado, é estar na trilha da empresa digital, expondo seu produto local de maneira global. Sabe pai, o senhor não tem nenhum processo de qualidade implementado em seu negócio, não é certificado por nenhuma norma ISO – fica difícil assim praticar a Tese do Produto voltado ao Cliente. Nenhum negócio hoje pode arriscar a se expandir sem uma profunda e detalhada pesquisa de mercado, onde se detectará nichos e focos de consumo. Todo empresário precisa ter noções administrativas básicas; senão jamais sobreviverá. Então, guarde um pouco mais de dinheiro e invista em alguma franquia já consagrada aqui na região, como um McDonald””””””””s 011 talvez uma Pizza Hut… Pai, é preciso mudar, inovar Bill Cates afirmou que se não nos tornamos obsoletos, os nossos concorrentes vão fazê-lo e ai não teremos mais chance neste ágil mercado. Veja: este seu trailer está superado, assim como aquela vitrola e discos de vinil que o senhor tem em seu quarto…
– Puxa filho, eu nem imaginava que tudo isso fosse necessário para expandir um negócio nesta era digital…
Maninho ficou impressionado com o conhecimento do filho e, ao mesmo tempo, viu-se condenado àquele trailer pelo resto da vida, sem poder colocar em prática suas idéias que, segundo seu filho, não teriam efeito neste novo universo mercadológico do digital, globalizado, talento, 150, virtual…
Depois da conversa com o filho, Maninho volta ao trabalho no trailer. Como de costume, foi ao mercado abastecer sua cozinha. Porém, desanimado, não escolheu as verduras com seu senso de exigência comum, foi” catando” sem muito se preocupar. Comprou refrigerantes mais baratos, apenas uma marca de cerveja, uma cachaça mais baratinha para as suas tradicionais batidas e, em vez de pedir para sua esposa fazer sua famosa deliciosa massa de pastel, decidiu comprar uma marca barata daquelas congeladas. No açougue, pediu carne de segunda mesmo e a salsicha “da mais baratinha”. Resolveu não ir mais três vezes por dia à padaria, e comprou pães de fôrma, daqueles disponíveis nas gôndolas… Economizou nos seus tradicionais molhos, comprando dos prontos.
Abriu seu trailer no sábado pela manhã num lindo dia de sol, ainda com as palavras de seu filho na mente É ele tem razão, este negócio aqui vai ficar difícil mesmo, posso até fechar antes do que imaginava…
Até o seu cumprimento aos clientes naquele dia já não era tão empolgante. Na primeira batida que pediram ele nem se preocupou com a dose, pôs açúcar demais e o cliente reclamou e não pagou. Ao final do dia, o seu mais tradicional sanduíche recebeu várias críticas e houve até quem lhe dissesse: – Sabe de uma coisa, senhor? Agora eu entendo por que o McDonald’s faz sucesso! É porque ninguém sabe fritar um bife neste país….
Logo lembrou-se das palavras do filho. É, bem que nica filho disse que este tal de McDonald’s é bom….
Sua venda de cervejas, naquele dia, caiu. Ele só tinha comprado unia marca e nem se preocupara em colocar a máquina do chope para funcionar. Isso porque Maninho tinha a única máquina de chope em toda a praia da Riviera e, naquele final de semana, nem repôs os barris…
Quando chegou em casa, sentou-se com o filho e disse:
– Sabe, filho, acho que você estava certo! Hoje lembrei-me de tudo que disse! Tive um dia horrível: os clientes realmente estão mais exigentes. o movimento caiu e teve gente até que disse que não vai mais ao meu trailer e vai àquele tal de McDonald””””””””s… Vou precisar mais de seus conselhos antes que nica negócio quebre…
Nunca se deve perder o entusiasmo pelo trabalho que executamos. O sucesso de Maninho sempre esteve no pouco que sabe e faz muito bem-feito. Sepultar nossas melhores inspirações profissionais devido a chegada de um novo mercado é antecipar um resultado que nem está computado a fazer parte de nosso desempenho.
Conheço vendedores que hoje não saem para vender porque não têm um notebook, mas são ótimos vendedores, e por darem mais importância à tecnologia que devem carregar, sepultam suas competências de atuação. Muitas pessoas me escrevem dizendo que sonham escrever um livro, mas não possuem computador. Como se o livro precisasse de um computador para sair de suas mentes e corações!
Então, eu lhe pergunto:
– Será que Pelé deveria ler esperado o computador para planejar suas jogadas?
– Será que Roberto Carlos deveria ter esperado o estúdio digital para gravar seu primeiro disco?
– Será que Airton Senna ainda quando criança deveria não ter aceito seu Jeep de lata para correr e ter esperado por um minibug?
Escrevi meu primeiro livro à mão, na caligrafia. Se fosse esperar pelo computador, A Semente de Deus teria alguns anos a menos ou talvez nem tivesse nascido.
Ler notícias na Internet é espetacular, mas caminhar até o jornaleiro ainda é legal… Mostrar nosso potencial pela tela do notebook ao cliente é sofisticado, mas convencê-lo pelas nossas palavras é um delicioso desafio… Entregar flores pelo iG é ser virtual, mas comprá-las na floricultura e colocá-las na mão da pessoa é fenomenal…
Alie as novas tendências de mercado e tecnologias às suas competências, mas nunca sepulte as suas competências em função das tendências de mercado e tecnologias. Navegar é preciso e importante, mas sobreviver como pessoa neste mar de mudanças e avanços é fundamental à nossa essência de seres agregados e emocionados.

Aqui não somos um trailer globalizado, nem estamos na era digital, mas possuímos os melhores e-petiscos, e-batidas, esanduíches, e-chopes e e-atendimento do mundo.
Trailer do Maninho – O Portal da Praia de Riviera

Ah! Só para contar a vocês o final da história: o filho de Maninho fez seu MBA, trabalhou na multinacional, mas perdeu a vaga, pois não conseguiu aprender chinês mesmo sendo um Talento. Ficou muito estressado, ganhou uma úlcera e poucos amigos, assim como um sistema nervoso abalado. Quase perdeu a esposa e cansou de ver seu bebê no quarto através de uma webcamera. Voltou para o Brasil e hoje ele está servindo no trailer do Maninho, na Riviera de Bertioga, e sua primeira atitude como CLO do trailer foi colocar o seguinte luminoso:
Cesar Romão é escritor e conferencista. Home page: www.cesarromao.com.br

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