“TEMPUS PECUNIA EST”

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A revista SELLLNG, uma das mais conceituadas na área de Vendas, publicou recentemente uma matéria sobre “O Maior Vendedor de Todos os Tempos”: Ben Feldman, um corretor de seguros.

Embora eu seja meio cético quanto a estes títulos pomposos, a verdade é que os números realmente impressionam: ele foi o vendedor nº 1 da New York””””s Life por 22 anos seguidos, foi membro da Round Table (Távola Redonda – somente para quem vendia mais de US$ 1.000.000 por ano) por 47 anos e membro da Top of the Table (Topo da Távola – somente para aqueles que vendiam mais de US$ 5.000.000 por ano) por 12 anos. No total, vendeu 1,6 bilhões de dólares sozinho – não é à toa que ele entrou para o Guinness Book.

Para conseguir tudo isso, Feldman trabalhava de 12 a 15 horas por dia, 7 dias por semana, 50 semanas por ano (às vezes 52). Um verdadeiro “workaholic”, viciado em bater cotas. Raramente jantava com a família, embora devesse ser um bom pai, porque seus dois filhos acabaram indo trabalhar com ele.

Só para se ter uma idéia, uma vez ele vendeu US$ 87.000.000 dólares em apenas um mês (Dezembro de 69), mais do que o faturamento anual de muitas empresas por aí.

A reportagem me impressionou bastante, principalmente porque o velho Ben era daqueles vendedores da “velha guarda”, agressivos, capazes de telefonar todos os dias durante um ano para ver se um cliente já se decidiu. (Ele reservava as suas manhãs, sábados e domingos para se organizar – estudar mudanças na legislação, novas formas de vender, novos contatos, etc.). Resumindo, ele só fazia isso na vida.

E foi exatamente isso o que mais me impressionou: a pobreza daquela vida. Mesmo tão cheio de prêmios e homenagens, a biografia na verdade mostra um homem obcecado pelo jogo de vender, que é basicamente “Quanto dinheiro será que consigo tirar do próximo?”.

Muitos leitores daquela publicação devem ter concordado comigo, porque a redação da SELLIING foi inundada por cartas de pessoas com comentários sobre a reportagem – a imensa maioria criticando o “super-vendedor” e chamando-o de neurótico.

Embora eu não vá tão longe (cada um faz da sua vida o que quer), a verdade é que para se conseguir resultados extraordinários alguém tem que fazer um sacrifício. E se você não agüenta pressão e stress, é melhor sair da área de Vendas. Mas eu acredito, e acho que você deve concordar comigo, que hoje em dia a busca pela qualidade de vida já não se discute mais. Você pode até ser um viciado no trabalho (porque adora o que faz), mas provavelmente deve estar buscando (ou já achou) alguma forma de equilíbrio.

Hobbies, esportes e turismo são cada vez mais comuns entre os “Top Executives”. Não porque eles ficamos mais “moles”, mas porque descobrimos que assim se produz mais (principalmente, diminuem radicalmente as chances de perder a esposa e morrer de um ataque cardíaco súbito, como nosso amigo Ben).

É exatamente por isso que a coluna deste mês se chama “Tempus Pecunia Est”. Aliás, tempo é muito mais do que dinheiro. Tempo é vida. E como você provavelmente só tem uma, aproveite-a bem.

Como eu disse antes, a área de Vendas é inerentemente estressante. Mas existem maneiras de lidar com isso – a primeira delas é admitir a própria existência do stress.

Não se esqueça: todo atleta sabe que não adianta treinar horas e horas se não se descansar depois, dando ao corpo a chance de se recuperar. São as pequenas pausas que recarregam a sua “bateria” de vendas – e deixam você pronto para mais uma.

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