Tenha esperança na confiança!

Fio do bigode e mão no fogo já eram. Será que não podemos mais confiar em ninguém? Fio do bigode e mão no fogo já eram. Será que não podemos mais confiar em ninguém?

Confiança parece algo que saiu de moda!

Voltando aos meus anos prateados, aqueles que vieram logo depois dos anos dourados na década de 60, lembro-me de que a confiança era tudo. Você fechava contratos apenas com um aperto de mão, com um simples ?concordo?.

Hoje parece que confiança ficou démodé.

Mas será que ficou mesmo fora de moda?

Você ainda confia nas pessoas? Ainda confia em fatos positivos? Ainda confia em apertos de mãos celebrando contratos?

Ou já perdeu a esperança na confiança?

Tenho um defeito de fabricação incorrigível. Mesmo diante de tanto avanço genético, acho que se um dia algum louco quisesse me clonar não conseguiria reparar esse defeito. Nasci sob aquele que, na minha opinião, é o signo mais defeituoso do zodíaco: gêmeos; e, como digo, sou um geminiano avariado.

Um autêntico geminiano esbanja confiança. Confia até em gente que vende terreno na Lua. Não é capaz de comprar, mas confia. Não acredita em fadas, mas acha que elas existem. Tem os pés no chão, a cabeça no espaço e um verdadeiro parque de diversões nesse espaço… mas, apesar disso tudo, confia. Um verdadeiro ?confiador? confinado.

Confiança tem um preço com dois valores. Um deles é o moral, quando o tiro não sai do tambor e a decepção vem. O outro é o real, quando o tiro sai e acerta o alvo. Nesse momento somos invadidos por uma sensação de satisfação e alegria por ver algo em que acreditamos acontecer como o previsto.

Entretanto, quando o erro ocorre, ele se torna um tropeço no caminho daquilo que fizemos e achávamos estar certo.

Porém, vejamos o lado positivo do erro. Estamos no caminho certo quando reunimos o máximo de informações sobre algo. Julgamos que, com isso, colocaremos esse algo em movimento e em nosso favor.

É aí que está a vantagem do erro. Erramos tentando acertar!

A confiança é quase isso também. Confiamos querendo acreditar que alguma coisa mereceu nossa atenção a ponto de depositarmos ali nossa tão bem protegida e frágil confiança.

É impressionante como, antes de confiarmos em algo ou alguém, temos um número de informação sobre o caso em questão, mas nem sempre é o suficiente.

Em uma tarde de calor escaldante no estado do Paraná, estava viajando de carro para uma palestra em uma empresa. Era uma palestra daquelas que chamo de ?palestra em campo?, pois são eventos realizados em cidades sem muitos recursos e regalias dos grandes centros. Por essa razão, o cliente solicitou 300 exemplares de meus livros para serem comercializados entre os participantes. Informou-me ainda que todo o processo de atendimento aos leitores seria feito por um pessoal especializado da própria empresa. Pelas minhas informações, muitas das pessoas que ali estariam sempre quiseram ter um livro autografado, mas infelizmente não tinham uma livraria adequada em sua região que pudesse atendê-la.

Os livros seguiram comigo, juntamente com a bagagem, e pouco antes do evento uma pessoa muito simpática, chamada Marilda, aproximou-se e disse:

? Olá, sr. César! Fico feliz em conhecê-lo! Sou eu quem vai ficar com seus livros e atender nosso público que, ao término da palestra, quer seu livro autografado. O sr. tem alguma recomendação especial?

Eu disse que sim e entreguei-lhe a relação de títulos da Editora juntamente com os respectivos valores de cada livro. Nessa relação continha a forma de pagamento que a Editora costuma utilizar. Brinquei, ainda, dizendo que as pessoas poderiam pagar como achassem melhor, que estava aceitando até cheque sem banco, pois minha Editora era muito legal.

Palestra iniciada, palestra encerrada, as pessoas começaram a se achegar ao palco, solicitando autógrafo, quando um dos diretores da empresa me chamou de lado e disse:

? Romão, temos um problema!

? Mas qual poderia ser o problema? Correu tudo muito bem! Aplaudiram bastante ? disse eu.

? Romão, você não entendeu, temos um problema sério… Sabe a dona Marilda?

? Sim, claro, eu a conheci há pouco, muito simpática…

? Romão, quando todo o público saiu do evento, como você pôde constatar, havia pessoas em cadeiras colocadas nos cantos para poder abrigar os muitos participantes. Todos correram para a mesa dos livros e começaram a pegá-los, pois dona Marilda colocou todos em cima da mesa… Ela ficou meio desesperada e começou a dar os livros para as pessoas sem cobrar. Praticamente vendeu apenas cinco livros e o resto ela deu, deu todos, todinhos… ? e continuou ? Romão, ainda nem levei o caso para o nosso diretor. Ele vai ficar uma fera! Como vamos fazer para receber de todo esse pessoal? Porém, você pode ficar tranqüilo, nossa empresa vai acertar tudo com sua Editora.

Dona Marilda veio falar comigo com um jeitinho arrasado, e eu lhe perguntei:

? Dona Marilda, a senhora realmente deu todos os livros para as pessoas?

Ela olhou meio cabisbaixa e respondeu com a voz quase sumindo:

? Dei, eu dei sim! Nem sei como, mas dei. Não sei por que, mas dei todos eles ? e o choro correu solto.

? Não chore, dona Marilda ? eu disse. ? Vamos encontrar uma saída. Vá até o microfone do salão e diga exatamente o seguinte: ?Atenção pessoal, peço a atenção de todos vocês! Há poucos minutos, a todas as pessoas que estiverem na banca de livros foi permitido pegar um livro de Cesar Romão para conhecer. Solicito que aquelas pessoas que não apreciaram o livro, por favor, devolva-o à mesa de onde retiraram e, as que gostaram dele, por favor, efetuem o pagamento e venham buscar seu autógrafo com o autor aqui no palco. Obrigada a todos?.

Dona Marilda me olhou meio descrente e disse:

? O senhor confia demais nas pessoas, sr. Cesar. Quem vai devolver os livros? Ninguém! Muito menos voltar para pagar. Posso até fazer, mas o resultado será decepcionante.

? Vá, dona Marilda, faça o que sugeri. Vá ao microfone e fale exatamente o que eu disse.

O diretor da empresa balançou a cabeça e disse:

? Vale tentar, mas acho difícil as pessoas voltarem para pagar.

Dona Marilda então foi ao microfone e voltou para a mesa dos livros. Quando a sessão de autógrafos terminou, pude avistar dona Marilda chorando aos prantos, com um envelope nas mãos. Quando me aproximei, ela segurou em minhas mãos e disse:

? Senhor Romão, Deus existe! Acredite que todas as pessoas vieram até a mesa e pagaram pelos livros. Pagaram todos os livros. Não faltou nenhum, e ainda tem aqui muitas encomendas para sua Editora enviar pelo correio.

? Ora, dona Marilda, isso não tem nada a ver com Deus, tem a ver com confiança. Sim, confiança…

Naquele momento, reforcei minha tese geminiana de que devemos ter esperança na confiança.

Quando confiamos em alguém, inconscientemente transferimos uma responsabilidade. Digo ainda mais: as pessoas assumem essa responsabilidade.

Confie mais em seus semelhantes. Acreditar em alguém é dar-lhe escolha e com certeza essa pessoa fará a escolha certa.

Confiar alimenta uma esperança!

E o que fazemos todos os dias de mais belo em nossas vidas além de alimentarmos uma esperança?

Confie! Não se intimide diante de situações que possam parecer perdidas. Elas existem e estão aí para provar sua confiança.

Alimente sua confiança com esperança!

Frase: ?A esperança é algo que traz o sol às sombras das nossas vidas. Enquanto a esperança permanece viva, também permanece nossa determinação de prosseguir? ? Yitta Halberstam

Para Saber Mais: Tudo Vai Dar Certo ? Editora Arx (www.edarx.com.br), de Cesar Romão. (Olho para a matéria) ?Seja você! Seja confiante!?

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