Jovens alunos de faculdade perguntam: “Cléber, qual é a profissão que dá dinheiro?” Tento, me esforço para que eles percebam que não existe profissão que dê dinheiro. Ninguém dá nada a ninguém. A gente faz dinheiro em todos os momentos da vida, quando escolhe uma profissão que nos torna seres íntegros, profissionais por inteiro. Não ganharei dinheiro em medicina, ou engenharia, ou advocacia, ou filosofia se eu não gostar, se eu não for apaixonado pela profissão que escolhi. Então respondo a pergunta com outra indagação: “Por que você está fazendo esse curso?”
A grande maioria dos jovens responde evasivamente: “Acho legal”, “Minha mãe quer”, “Meu pai banca”, “Acho que tem a ver comigo”, “Minha avó deixou um apartamentinho de aluguel para pagar a minha faculdade”,… e por aí vai. Poucos, menos de 30%, respondem com certeza: “Porque eu quero”, “Sou apaixonado pela área” ou “Porque esse e o meu futuro”.
Nas pesquisas que realizei, esse índice, 30% ou menos, se repete. Portanto, poucos sabem realmente o que querem: quase metade dos profissionais que irão ingressar no mercado nos próximos anos. Os demais definem suas vidas profissionais pelas mais variadas razões, muitas vezes motivos que não são seus. Motivos definidos pelo pai, pela mãe, até pela avó que já morreu. Para reforçar o anseio dos familiares não faltam pressões emocionais. “Sua mãe nunca mais vai dormir se souber que você escolheu outro curso” ou “Somos mais velhos e sabemos o que é melhor para você”, são apenas alguns dos argumentos usados por familiares de estudantes que insistem em impedir que os jovens escolham seu próprio caminho.
Essas pessoas esquecem que, no mundo globalizado, só quem for realmente competente e feliz, um profissional completo e dedicado, conseguirá um espaço digno e dignificante no mercado de trabalho. Os medianos nunca serão profissionais de sucesso, dificilmente ultrapassarão os limites da mediocridade.
“Vale a pena sair de casa para trabalhar numa atividade na qual não tenho prazer?”, “É isso que estou fazendo, que desejo realmente para minha vida?”, são perguntas que precisam ser feitas todos os dias, até que tenhamos a certeza de que o caminho que escolhemos é aquele que nos tornará profissionais completos. Até que possamos repetir, sem dúvida, com toda a fé, como numa oração “A profissão que escolhi é tão motivadora que sou capaz de trabalhar de graça. Ela tem mais importância que a remuneração imediata”, não estaremos trilhando o caminho do sucesso.
Nas minhas pesquisas entre profissionais bem sucedidos, constato que muitos trabalhariam de graça, pelo simples prazer da realização pessoal, nas atividades pelas quais são bem remunerados. Em resposta às minhas perguntas, alguns deles complementam, rindo: “Eles me pagam para fazer o que eu gosto”. Reflita sobre essa questão, pois ela resume grande parte do segredo do sucesso. Não priorize o dinheiro, mas o prazer em executar um bom trabalho. Supere a ansiedade pelo sucesso em benefício de um cotidiano profissional criativo, tranqüilo, completamente satisfatório. Assegure que qualquer remuneração, venha ela de clientes, de mercados ou patrões, corresponda ao pagamento por aquilo que realmente gostamos de fazer. Isso é indispensável para nossa qualidade de vida, para que continuemos percorrendo a trilha que nos levará para a felicidade.
Quem não gosta do que faz, dificilmente investe em autodesenvolvimento. Acomoda-se.
Quando discutimos autodesenvolvimento, isto é, investimentos que fazemos em nós mesmos para disputar um lugar no futuro, queremos dizer que, sem essas ações, acabamos impedindo, mesmo sem perceber, que outros também acreditem em nós. Os patrões sempre escolhem colaboradores que acreditam em si mesmos no momento de oferecer cursos, de oferecer oportunidade de ascensão na carreira. O currículo moderno tornou-se um instrumento de atualização, não para quem busca emprego, mas para aqueles que querem evoluir em suas áreas. O currículo, hoje, é um retrato do nosso impulso na luta por uma vida profissional melhor.
Dados de julho de 2001, da Fundação Getúlio Vargas, mostram que seremos mais de 200 milhões de brasileiros em 2015. Praticamente 87% de nós estará tentando sobreviver nas grandes regiões metropolitanas. Esses números podem ser traduzidos como “problemas futuros”. Daí a importância vital em aprendermos a ser “solucionadores de problemas”. A desatualização profissional normalmente carrega consigo seu primo querido, “o comodismo”, que nos torna cada vez mais inaptos a solucionar problemas, além de ultrapassados por aqueles que se preocupam em investir, permanentemente, em reciclagem profissional. O autodesenvolvimento é uma das portas de entrada para nosso ingresso no futuro.
Nunca seja apenas um ser que quer TER. Sinta também o SER que quer SER, que sonha, que vai realizar. Esse SER é a bússola diante das dúvidas do caminho. Quando identifico essa energia também passo a saber que o TER é um acréscimo do SER.
Aquele que perdeu a capacidade de sonhar terá dificuldades para entender as idéias de quem sabe que tudo é possível.
Coloque cores nos seus sonhos… e mais ação na sua vida.
Procure no site www.vendamais.com.br mais informações sobre esse tema: PALAVRAS-CHAVE Empregabilidade, autodesenvolvimento.
Para saber mais: Enfrentando o Mercado de Trabalho, de Paulo Pereira – Editora Nobel.
Cléber Machado é consultor de empresa, empresário, motivador e autor do vídeo O Profissional do Terceiro Milênio, entre outros. E-mail: clebermachado@terra.com.br Homepage: www.clebermachado.com.br


