Transformar o chefe em líder é difícil, mas vale a pena!

O líder deve assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento de novos líderes, capazes de desempenhar papéis de chefia no futuro. Na empresa em que atuo, o trabalho de coaching personalizado para executivos é muito solicitado. Normalmente, a pergunta ou queixa inicial dos diretores e gerentes que nos procuram é: ?Posso deixar de ser um chefe para ser um excelente líder??. Digo que sim, mas pergunto: ?Por que você quer mudar??. A resposta que mais ouço é que as pessoas com quem ele trabalha querem que ele mude: ?Dizem que sou centralizador, que só confio em mim mesmo, que tenho resposta para tudo e que só eu penso e elas se movimentam do pescoço para baixo?. Frases como essas são comuns, não só na sala de coaching como também nos corredores das empresas. Pergunto ao cliente: ?Você quer mudar??. Claro que sim! Senão não estaria aqui.

Às vezes, comparo a mudança de comportamento com alguém que pesava 120 quilos e teve de emagrecer 40. A pessoa teve de mudar seus hábitos e ainda precisa manter o peso, depois de todo sacrifício, o que é ainda mais difícil.

Sabemos que mudar de atitude e comportamento é tão ou mais difícil quanto emagrecer ou parar de fumar. Quando um diretor ou gerente chega à conclusão de que precisa mudar, é porque não está bem consigo e com as pessoas que o cercam.

A abordagem do líder de ontem era a de um tomador de decisões e alocador de recursos, que procurava a melhor maneira de explorar as habilidades de um funcionário em proveito da organização. Os funcionários eram vistos como ferramentas e recursos para as metas do chefe serem atingidas. O líder atual é um desenvolvedor de pessoas e construtor de relacionamentos duradouros. Abre mão do poder de sua posição e age potencializando seu poder pessoal.

A verdadeira forma de liderança é influenciar o indivíduo a trabalhar entusiasmado para atingir metas, e o comprometimento mútuo é fundamental como comportamento orientador. Isso, dito aqui, é simples, mas sabemos que no dia-a-dia acontece pouco. É preciso ser um John, personagem do livro O Monge e o Executivo, e fazer uma espécie de retiro para mudar seus hábitos. O hábito da compaixão, como ensina Dalai Lama, no livro A Arte da Felicidade, é um valor fantástico para iniciar a aprendizagem para se tornar um verdadeiro líder; o hábito da humildade, sendo autêntico, sem pretensão ou arrogância; o respeito, tratando os outros como pessoas importantes, e outros tantos hábitos que alimentam a própria vida do líder e a vida das pessoas que o cercam.

A responsabilidade pessoal do líder começa com a autocompreensão, que é essencial para que ele administre os pontos fracos e desenvolva os pontos fortes. O líder tem de reconhecer e aceitar as obrigações que acompanham seu papel organizacional e aprender a resistir a qualquer tentação de abusar do cargo. Abrir mão do poder para ser autoridade torna-se, para o líder aprendiz, um verdadeiro desafio. O conceito de poder é uma preocupação para muitos. Para alguns líderes é como um entorpecente e, para outros, uma fonte de fascinação. Sabe-se que alguns indivíduos (e organizações), movidos pelo poder, podem ser definidos como bem-sucedidos a curto prazo, mas as evidências apontam para essas pessoas as sementes de sua destruição.

Os líderes que forem capazes, competentes, combinarem ação com reflexão e possuírem autoconhecimento suficiente para reconhecer o vírus do poder serão os mais poderosos. Serão lembrados com respeito e carinho. Serão admirados por todos e terão lealdade. As empresas inteligentes estão investindo no desenvolvimento socioemocional e espiritual dos líderes. Para que eles se comportem com princípios, tais como:

&raquo Levar as pessoas e o trabalho a sério, com respeito e dignidade.
&raquo Escutar, aprender e apreender a liderança com sua equipe de trabalho.

Na prática, o processo de liderança servidora enfatiza o consenso para ter comprometimento (essa palavra está desgastada) e é o segredo de uma melhor performance.

Ser um excelente líder requer muito comprometimento e prática. O líder deve ser, conforme o que ensinamos, digno de confiança, respeitoso, preocupado, equilibrado entre ser e agir, emocionalmente letrado e culturalmente autoconsciente. O líder também deve encontrar tempo para se dedicar a uma reflexão honesta e contínua, a fim de ser bem-sucedido. E o mais importante: o líder deve assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento de novos líderes, capazes de desempenhar papéis de chefia no futuro.

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