Transforme seu celular em uma ?maquininha? de cartões de crédito

Como facilitar o pagamento do cliente?

Há uns 15 anos, poucos poderiam imaginar todas as maneiras que o comércio nos disponibilizaria hoje para pagar uma compra. Evoluímos do cheque para o cartão de crédito em pouco tempo, e a nova tecnologia trouxe mais segurança ao empresário na hora de evitar o calote. As formas de pagamento com cartão estão cada vez mais em convergência com a internet e o telefone celular, o que facilita a vida do cliente e aumenta as opções de pagamento.

 

Para se ter uma ideia, segundo um relatório realizado pela e-bit, consultora de compras on-line e referência no fornecimento de informações sobre e-commerce no Brasil, as compras via internet, nos primeiros seis meses de 2009, aumentaram 27% em relação ao mesmo período do ano passado. A convergência do celular com o cartão de crédito também está crescendo. Hoje, o aparelho pode servir tanto como cartão quanto como a própria máquina que aceita cartões, ou seja, como uma forma de capturar a transação do cliente. Isso significa que, agora, uma vendedora da Avon ou Natura, por exemplo, que vai de casa em casa oferecer seus cosméticos, terá a possibilidade de receber o pagamento do cliente pelo cartão por meio de seu aparelho celular, um médico que atende em casa poderá aceitar pagamentos no cartão, um taxista não precisará mais pagar a mensalidade da máquina se usar seu telefone móvel, o dono de uma pizzaria vai poder oferecer a possibilidade de pagamento com cartão em todas as suas entregas, e não apenas naquelas em que o entregador levar a maquininha.

 

Essa nova tecnologia, também chamada de FoneShop, foi lançada no Brasil pela Redecard, que captura e transmite os pagamentos do MasterCard, RedeShop e Diners Club, e é ideal para os vendedores que precisam de mobilidade.

 

Segundo Emerson Duran, diretor de produtos de captura da Redecard, existem outras tecnologias similares no mundo, mas em nenhum outro país as operações já estão com as mesmas proporções do Brasil. O principal diferencial do FoneShop, além da opção de mobilidade, é o baixo custo para o vendedor ou empresa, já que não há necessidade de pagar o aluguel da maquininha – valor que, hoje, varia entre R$100 e R$150. Além disso, qualquer celular pode funcionar como máquina de cartões, basta apenas que seja feito o download do software da Redecard no telefone móvel do vendedor. O valor mensal cobrado pela conectividade (custos administrativos, de manutenção do software, etc.) é de aproximadamente R$10 mensais, além, é claro, da porcentagem sobre o valor das vendas, que seria semelhante a porcentagem cobrada caso o vendedor tivesse, por exemplo, uma máquina de cartões em uma loja.

 

Além da conta de R$10 mensais, a empresa ou vendedor paga cerca de R$0,05 por transação para a operadora de telefonia celular – esse valor é cobrado devido ao tráfego de dados ao realizar o pagamento. É como entrar na internet com o celular, mas, nesse caso, como a quantidade de informações trafegadas é muito baixa, o custo final é pequeno. Para usar o FoneShop, o vendedor deve digitar o número do cartão no celular, selecionar a forma de pagamento (à vista ou a prazo) e fechar a compra.

 

Uma das grandes dúvidas quanto ao pagamento via celular é a segurança, mas, segundo Emerson Duran, não há motivos para preocupação, já que o aplicativo instalado no celular é da própria Redecard, homologado pelo setor de segurança da empresa. O número do cartão digitado não fica salvo no aparelho e as transações são todas criptografadas, o que garante segurança ao cliente, já que, por meio dessa técnica, a informação é transformada da sua forma original para outra ilegível, sendo reconhecida apenas pelo seu destinatário. O diretor acredita que a nova tecnologia é uma ótima opção para vendedores porta a porta e resulta em economia para empresas que trabalham com entregas, como restaurantes, que não precisarão alugar uma máquina de cartões para cada entregador.

 

Mas as tecnologias para agilizar e modernizar o pagamento das compras vão além do FoneShop. A Visa, por exemplo, possui o Visa Mobile PayWave, que oferece pagamentos baseados em tecnologia contactless, em que os consumidores apenas aproximam o telefone celular adaptado com o software da Visa diante de um terminal seguro e o pagamento acontece sem a necessidade de contar dinheiro, assinar cheques ou digitar senhas – o serviço é mais rápido e evita filas. No Brasil, o Visa Mobile PayWave está em fase de testes na Rede Starbucks com os cartões do Bradesco.

 

Outra tecnologia oferecida, tanto pela Visa quanto pela Redecard, é a que transforma o aparelho em uma carteira eletrônica, mas, nesse caso, a operação não é por contactless, e sim via mensagem de texto. Com essa tecnologia, o cliente atrela o número do cartão de crédito ao do celular. Ao chegar na loja, o vendedor coloca o número do telefone em um terminal de cartões, o cliente digita a senha e recebe uma mensagem de texto no celular com um código que deve ser digitado novamente na maquininha para finalizar a transação. O sistema ainda está em fase de testes na Redeshop, e a parceria com os bancos deve acontecer ainda no início de 2010. Na Visa, o projeto piloto já pode ser utilizado com os cartões do Banco do Brasil em estabelecimentos comerciais delivery e de venda direta.

 

De acordo com Ênio Garbin, especialista em varejo da empresa multinacional IBM, as novas tendências estão principalmente voltadas ao autoatendimento e à convergência com o telefone celular, internet e televisão digital. Ênio participou do Inovarejo 2009, evento que aconteceu no fim do ano passado em São Paulo e que tratou das novas tecnologias na área de varejo. Em entrevista à VendaMais, ele disse que a principal tendência nas grandes redes de varejo para facilitar o pagamento é oferecer self check-out, ou seja, é o cliente mesmo quem passa os produtos no leitor digital e paga suas compras sozinho, com cartão ou dinheiro.

 

Segundo Ênio, quando a tecnologia é usada com inteligência, “a fraude é zero e a agilidade é mil”. Aqui no Brasil, o self check-out existe no Pão de Açúcar e ainda não está muito disseminado entre as redes de varejo. Nos Estados Unidos e Europa, o sistema é mais utilizado e está presente em empresas como Wal-Mart e Argus. Para ele, a grande vantagem da tecnologia é a eliminação de filas. “O cliente faz as compras feliz, mas, quando vê a fila do caixa, desiste de comprar”, explica o diretor, que completa: “O self check-out veio para evitar esse problema”.

 

Com o celular, a IBM tem atualmente um projeto embrionário piloto que está sendo aplicado nos Estados Unidos, na Starbucks. O cliente faz a compra e o pagamento via celular enquanto está a caminho da cafeteria e, chegando lá, não precisa esperar pelo pedido nem entrar na fila de pagamento, apenas pegar seu café. O projeto ainda é novo, mas é uma tendência. Para Ênio, o celular é uma das grandes ferramentas para facilitar a vida das pessoas. Ele acredita que, no futuro, não haverá mais necessidade de cartão fidelidade nas empresas. Por meio do bluetooth (rede sem fio para conectar informações via celular, computador, internet, etc.), o cliente entrará na loja e seu perfil será reconhecido pela empresa. Além disso, a TV Digital, segundo ele, terá seu grande momento daqui a dois ou três anos, em que efetivamente teremos mecanismos seguros de pagamento diretamente pela TV.

 

Para saber mais:

Visite os sites:

www.foneshop.com.br

www.redecard.com.br

www.visa.com.br

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