Treinamento, vivencial desafiando os próprios limites

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Prática bastante comum nos Estados Unidos, o treinamento vivencial outdoor é um dos caminhos que muitas empresas vêm buscando para mudar comportamentos e melhorar a qualidade de trabalho individual e coletivo.

Uma empresa é feita por muitas cabeças. Cada uma delas pensa de forma diferente, o que leva a ações distintas. Cada uma tem suas virtudes e seus defeitos, suas facilidades e suas dificuldades. Mas, juntas, num mesmo caldeirão, devem funcionar de maneira harmônica, de modo a trazer resultados positivos para a casa. Acontece que, muitas vezes, nem sempre os acordes dessa orquestra são tão afinados assim. Os limites pessoais de cada indivíduo, não raro, impedem a equipe e, conseqüentemente, a própria empresa de crescer. Justamente para reavaliar esses limites é que pode entrar em cena o treinamento vivencial. Ainda encarado como novidade no Brasil, esse tipo de trabalho é aplicado com freqüência em países da Europa e nos Estados Unidos. Naqueles países, inclusive, é utilizado não apenas pelos profissionais de empresas, mas também por dependentes de drogas, portadores de deficiência e estudantes, só para citar alguns exemplos.

Por aqui, há algumas empresas que se propõem a trabalhar limites por meio de experiências vivenciais. Dentre elas, destaca-se a DHP – Desenvolvimento Humano Profissional – com sede em Lorena, interior paulista. Segundo Cléber Ribeiro Gonçalves, um dos sócios da DHP, “ela é a única empresa voltada exclusivamente para este tipo de enfoque”.

Muitas pessoas devem estar se perguntado, afinal de contas, o que é exatamente o treinamento vivencial. Na verdade, trata-se de uma “grande brincadeira séria”. Explicando melhor: os profissionais são estimulados a rever seus comportamentos no dia-a-dia da empresa, participando de exercícios nada ortodoxos. Para Cléber Gonçalves, o ponto principal é trabalhar o medo, característica nata de qualquer ser humano. “A idéia é usá-lo a nosso favor, porque ele jamais vai nos deixar. No treinamento vivencial, os profissionais experimentam situações-limite diante das quais aprendem que podem vencer muito mais desafios do que imaginam.

“Em time que está ganhando…

…não se mexe, certo? Errado. O ponto de partida do treinamento vivencial é obrigar o indivíduo, enquanto profissional e pessoa, a romper a chamada zona de conforto. Num ambiente de trabalho ou doméstico há muitas situações que nos levam à mais completa comodidade. Nem sempre percebemos, mas na empresa, por exemplo, a rotina de trabalho nos oferece segurança. O que é conhecido – a mesa onde ficam os papéis, o ambiente em que todos se conhecem – torna aquela situação confortável. Diante do previsível, o profissional acaba se sentindo, além de protegido, competente. E passa a ter medo de se arriscar, de mudar. Prefere lançar mão do velho lema do “em time que está ganhando, não se mexe”.

Fora dessa zona “segura” está o desconhecido, o desconfortável, o estranho. E o profissional, então, recua. Não tendo vontade de ir além daquela área conhecida, claro, perde boas oportunidades de progresso.

Quando sai da zona de conforto, há o rompimento de barreiras e, com ele, muitos ganhos: aumento da autoconfiança, vontade de inovar, aumento da capacidade de observação e da crítica e autocrítica, além da criação de novas possibilidades de crescimento.

Programas para todos os gostos

A teoria desse discurso muita gente já conhece. E sabe também o quanto é difícil deixar situações confortáveis para trás e se arriscar em terrenos novos. Para dar uma forcinha nessa empreitada um tanto quanto complicada, a DHP dispõe de um centro de treinamento num sítio, no município de Santo Antônio do Pinhal, perto de Campos do Jordão, interior de São Paulo. Esse centro mais parece um parque de aventuras radicais: conta com oito obstáculos que incluem um paredão para escaladas que mede 9,5 m de altura. Cléber esclarece que alguns obstáculos foram copiados de versões norte-americanas e adaptados à realidade tupiniquim. Outros são criações da DHP, já que o próprio Cléber teve muitas experiências de sobrevivência em matas, nos tempos em que seguia carreira militar.

Ele explica que há basicamente três programas de treinamento. O primeiro é o “Low Rope”, onde os participantes fazem os chamados exercícios de solo, e cujo objetivo é reforçar a coesão do grupo. O segundo programa tem exercícios de alto impacto e recebe um nome bastante sugestivo, “Challenge your Limits”, ou seja, “Desafie seus Limites”. É nesse módulo que o pessoal “se diverte” no paredão e em outros obstáculos como o step, a centopéia e o high challenge. Finalmente, o último programa é trabalhado na chamada pista de reação. Dentro de uma mata, as equipes têm de vivenciar oficinas em que podem trabalhar certas competências como liderança e viver sob pressão.

Nada é impossível

A revista Técnicas de Venda acompanhou um dia no centro de treinamento e tem muito para contar. Na ocasião, um grupo de dezesseis pessoas da EAN – European Article Number – empresa com sede na Bélgica que licencia e administra o uso do código de barras no Brasil, fez um programa de um dia. Cléber Ribeiro Gonçalves esclarece que esse é o tempo mínimo de “curso”. “Existem outras opções e já houve empresas que ficaram vários dias conosco”, diz.

Era um dia ensolarado de verão e o grupo se divertia em fazer piadas sobre o que poderia acontecer com eles ali. Ninguém sabia ao certo o que os esperava. Tinham apenas a vaga idéia de que teriam de subir no paredão, obstáculo mais evidente naquele cenário. E foi justamente por ele que tudo começou. Depois de uma pequena introdução sobre o objetivo do treinamento, todos vestiram o equipamento de segurança e encararam a primeira prova.

É bom lembrar que todos os obstáculos são monitorados por Cléber e uma equipe de apoio que garante a total segurança dos participantes. Para escalar o paredão, grupos de três pessoas interligadas por cordas amarradas nos seus pés tinham de vencer o medo de altura e tentar dosar a força física e o equilíbrio para chegar ao topo. Enquanto o “trio em ação” tentava se entender com os pontos de apoio, o pessoal que estava em solo firme gritava palavras de ânimo, além de dar dicas para facilitar a subida. Frases como “Vai que você consegue”, “Coloca o pé direito perto da pedra que está perto do seu joelho”, “Ajuda a fulana que ainda está mais para baixo” e “Não olha para baixo!” empurraram o pessoal para cima, literalmente. “É importante destacar que o pessoal que fica no chão tem de falar a mesma língua para orientar quem está subindo. Dicas desencontradas só atrapalham. Isso vale também no dia-a-dia de uma empresa”, lembra Cléber.

Essa prova foi apenas o pontapé inicial para revelar a todos que o trabalho afinado de uma equipe pode superar limites nunca imaginados. Depois que todos cumpriram o objetivo, uma breve reunião avaliou o desafio. “Tive muito medo, vontade de desistir. Mas o desejo de chegar lá em cima foi maior”, disse Alessandra Martins Oliveira. “A vontade de quem está embaixo empurra a gente para cima”, observou Rosana Zanzarini Leme. Lucineide Assis Ribeiro concordou com Rosana: “Não teria conseguido se não fosse a equipe. Morro de medo de altura!”. Marcello Vila Nova de Oliveira lembrou que assim como na escalada, no cotidiano da empresa “é preciso confiar em quem está do seu lado”. “E ter humildade de pedir ajuda”, completou Rosana. No final, mesmo José Dionísio Flenik, o único a não subir por problemas de saúde, considerou-se um vitorioso: “Não subi, mas também cheguei. Torci por todos e todos conseguiram. Vocês podem acreditar que as metas na empresa são muito mais simples do que subir esse paredão”, afirmou.

Mais aventuras

Quem achava que o pior tinha passado, de fato não tinha idéia do que ainda os esperava. Depois desse, outros obstáculos vieram. Entre eles, o step, uma espécie de escada feita com toras, onde a base acomoda apenas os pés bem próximos. A pessoa fica presa a um equipamento de segurança, mas tem de subir os 17 degraus – o mais alto mede 4,5 m -, praticamente sem apoio algum. A sensação de altura, aliás, é muito maior, já que o step fica no alto de um morro de onde se tem uma vista panorâmica. Esse obstáculo, segundo Cléber Gonçalves, ajuda a adquirir confiança nas suas atitudes, além de quebrar o medo de encarar desafios. Um a um, concentradíssimos, todos subiram os degraus, controlando o pavor, buscando o equilíbrio e tentando acalmar as batidas do coração. Um detalhe curioso: nesses momentos de tensão, cada pessoa reage de forma diferente.

Houve quem não quisesse torcida, porque desejava subir em silêncio, concentrado. E o pessoal respeitou. Mal se ouvia a respiração da equipe. Houve quem pedisse o incentivo da galera. E a festa foi feita. Novamente, mais frases de estímulo do tipo “Só faltam mais dois”, “Não fica nervoso que você está quase conseguindo”.

No final da dura prova, outra pausa para avaliação, sempre coordenada por Magda Cariello, psicóloga da DHP. Rosana Zanzarini Leme resumiu o sentimento de todos, afirmando que o mais importante daquele obstáculo era perceber que todos temos limites e que os outros devem tentar entendê-los e ajudar o companheiro a superá-los. O presidente da EAN, Sérgio Ribinik, lembrou que, a partir daquele instante, ficava claro para todos: “Está provado que é possível vencer qualquer limite”. Para Sérgio, que já tinha tido uma experiência em treinamento vivencial fora do país, a intenção da empresa ao levar o grupo para aquele sítio era justamente despertar nessas pessoas a importância do trabalho em equipe. “Estamos desenvolvendo um projeto a partir do início deste ano onde o sentimento de equipe tem de ser muito maior. Acredito que essa vivência vá ajudar bastante. A partir dela, o indivíduo passa a ter mais espírito de apoio, além de entender que todos têm suas limitações mas, por outro lado, são capazes de realizar uma série de outras coisas. A grande lição é aprender que não há brilho individual sem brilho coletivo”.

De volta ao desafio real

Depois de um dia inteiro de grandes tensões e emoções, o grupo da EAN era unânime: toda aquela adrenalina tinha sido útil para descobrirem o quanto a autocolocação de barreiras impede o crescimento individual e coletivo. No final do treinamento, cada um recebeu um vaso onde plantou um muda. A plantinha foi levada para casa, simbolizando o novo referencial que deveriam colocar em suas vidas, dali para frente.

A grande questão depois dessa história toda é avaliar até que ponto, terminada a “brincadeira”, o treinamento vivencial pode Ter influência na vida de uma empresa. Wílson Rodrigues, gerente de vendas da área do Rio de Janeiro da Würth do Brasil, multinacional que atua no segmento automotivo e industrial, fez o curso há dois anos e meio e afirma: “É claro que é impossível aplicar essa experiência cem por cento na rotina de trabalho. Mas dá perfeitamente para adequar muitos dos princípios do treinamento na vivência profissional. Um ponto importante do treinamento vivencial é que nos certificamos de que nós não vivemos sem motivação. E ela pode ser conseguida quando temos claro para nós mesmos que há outros caminhos seguros, além dos que já conhecemos. Essa percepção me fez mais audaz. Sei que tenho de ser mais atirado, que preciso arriscar. Não fico pensando nisso o tempo inteiro. Mas tenho certeza de que, mesmo de forma involuntária, aplico grande parte daquela experiência dia após dia.”

Para o presidente da Würth do Brasil, César Alberto Ferreira, embora tenha passado pelo treinamento há algum tempo, dois valores realmente marcaram, e ele procura passá-los adiante. “O primeiro tem a ver com o reconhecimento do quanto é importante a criação de um time. Ficou claro como a gente pode superar obstáculos em grupo se motivando mutuamente. Na empresa, uma equipe unida, realmente, vence. O segundo ponto a destacar é o reencontro com a coragem. Sempre tive um medo absurdo de altura. E lá, com o incentivo de todos, pude lidar com ele e encarar os obstáculos. No dia-a-dia de trabalho também temos medo de muitas coisas. Mas precisamos nos armar de coragem para enfrentá-los. Aqui na Würth, tenho uma posição de liderança. E a partir do momento em que redescobri esses valores, procuro transmiti-los para todo o grupo. Defendo que com união podemos atingir qualquer meta e, com coragem, podemos acreditar que podemos tudo.” César Alberto Ferreira lembra, contudo, que apenas um curso desses não salva nenhum negócio. Ele diz que na volta do treinamento vivencial houve um grande clima de euforia refletido, resultando inclusive num certo aumento nas vendas. “Mas é óbvio que isso não resolve todos os problemas de uma empresa. O mais importante é estar sempre buscando motivação. Fazemos questão de renovar esse fôlego por meio de circulares, reuniões mensais com os funcionários de vendas e também com outros treinamentos”, conclui César.

Para Cléber Gonçalves, a idéia é que os participantes assimilem o escopo da questão – que eles tenham condições e conhecimento para superar seus limites – e que levem para sua empresa e sua casa. “O fortalecimento de uma organização se dá, principalmente, pelo ser humano”, lembra. Cléber esclarece, ainda, que após 90 dias do treinamento, a DHP volta a se reunir com o grupo para avaliar como andam os ânimos dos integrantes. “Queremos que o profissional fique com a essência do treinamento, não que se lembre daquela ocasião como um dia legal.” E para reafirmar tudo o que viveram, na volta ao ambiente formal de trabalho, o autoconvencimento e o convencimento dos demais companheiros de departamento, só pode acontecer quando se dá o exemplo. “Você não convence ninguém se realmente não mostrar que acredita naquilo. Por isso, você precisa crer que pode conseguir tudo o que quiser”, diz Cléber.

Aventuras de Indiana Jones

No módulo realizado na pista de reação, os participantes encaram situações que embaraçariam até Indiana Jones! Numa das “missões”, o líder tem de conduzir o grupo que está de olhos vendados, de volta a determinado ponto. Detalhe: propositadamente, essa trilha é confusa e a equipe sempre se perde… Como o líder deve se portar diante dessa situação? E qual é a sensação do grupo ao ser conduzido pelo líder, numa situação em que não estão enxergando? Outra incumbência: dentro da mata há uma ponte pênsil quebrada. E eles precisam passar para o outro lado. Essa dificuldade serve para avaliar o grau de iniciativa de cada um e a união da equipe para superar barreiras. Por meio dessas e de outras “missões”, cada membro do grupo tem condição de rever seu papel dentro da empresa.

Quanto custa

O programa mínimo da DHP trabalha com um dia de treinamento, num grupo de pelo menos dez pessoas. O preço fica em torno de R$ 370 por pessoa, que inclui quatro refeições. Se o grupo tiver de pernoitar, a empresa tem parceria com o hotel-fazenda que cobra, à parte, cerca de R$ 30 por noite. O transporte corre por conta da contratante. Grupos maiores têm descontos progressivos.

Serviço:
DHP – Desenvolvimento Humano Profissional
Diretor: Cléber Ribeiro Gonçalves
Tel: (012) 552-3270
Home page: wwwdhp.com.br
E-mail: dhp@easygold.com.br

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