Ser um empresário e uma experiência fascinante, porque todos os dias você aprende alguma coisa que não ensinam em nenhum curso ou na faculdade. Com mais de 50 funcionários (a maioria mulheres), tive de aprender o que chamo de RH Guerrilheiro – tudo que não te ensinam em Harvard.
A verdade é que lidar com o ser humano é muito recompensador, mas também pode ser muito desgastante. Desde problemas de ética (veja reportagem da capa) dentro da empresa, passando por questões menores, como material de escritório que some, até coisas mais graves, como brigas e discussões internas, conviver num grupo que se encontra todos os dias, muitas vezes sob tensão, pode ser uma maravilha, mas também pode transformar-se numa panela de pressão. E normalmente quem regula essa pressão é o dono, ou o gerente, ou o líder daquela equipe. Uma simples mudança de postura pode ser a diferença entre pessoas que se odeiam e odeiam o trabalho, ou uma equipe produtiva e saudável.
E ás vezes tudo depende de uma boa comunicação interna. Olhe só, por exemplo, alguns comentários reais de chefes sobre seus funcionários, baseados em avaliações internas de performance feitas por algumas empresas:
“Trabalha bem quando está sob supervisão constante e acuado como um rato num canto.”
“Desde meu último relatório, este funcionário parecia haver atingido o fundo do poço, mas parece que agora ele decidiu começar a cavar.”
“Vem a profundidade de uma poça de água no estacionamento.”
“Estabelece metas ridiculamente baixas, mesmo para alguém como ele, e depois falha sistematicamente em atingi-las.”
“Este funcionário vai longe – e quanto antes alguém lhe der um chute no traseiro e transferi-lo para bem longe, melhor.”
Será que são os chefes que são ruins, para merecer toda essa incompetência! Ou talvez seja por que as empresas recrutam errado seus funcionários! Peguei alguns anúncios do classificado de empregos, e traduzi o significado para sua melhor compreensão:
Salário competitivo: Nossa empresa só é competitiva porque paga os salários mais baixos do mercado.
Empresa em rápido crescimento: Não temos tempo de treiná-lo. Vire-se.
Deve respeitar cronogramas: O outro funcionário pediu demissão no meio do projeto, e você estará atrasado três meses já no seu primeiro dia de trabalho.
Candidatos com larga experiência: Você vai precisar, pois irá substituir três pessoas que acabaram de ser demitidas para baixar os custos.
Procura-se um líder: Você vai ter toda a responsabilidade, mas nenhuma autonomia de decisão, e seu salário é uma mixaria.
Tem sempre várias maneiras de dizer algo, de fazer algo, de se expressar. É como aquela mulher que chega em casa e diz para o marido:
– Querido! Estou com um problema no carro!
– O que foi, meu bem?, responde o marido.
– O carro não pega. Acho que entrou água no motor.
– Água no motor? Como assim? Cadê o carro?
– Tá dentro do lago.
Por melhor chefe que você seja, e por mais que tente comunicar-se eficazmente sempre vai ter alguém reclamando, ou achando alguma coisa ruim. A melhor solução: fazer essa pessoa passar pelas agruras da liderança. Como disse Susan Hill: “Você passa a entender e perdoar muitas coisas nos seus pais quando tem filhos”. No momento em que alguém se transforma em líder, começa a entender por que as coisas são como são. A não ser que seja como Gore Vidal, que disse: “Estou positivamente certo de que não existe problema humano que não possa ser resolvido se as pessoas simplesmente fizessem o que estou mandando”. Mas só donos de empresa jurássicas conseguem chegar a esse ponto (e também alguns consultores, categóricos com o seu conhecimento, enquanto não recebem uma proposta melhor de trabalhar numa multinacional). Acham que tudo é possível – principalmente quando não são eles que têm de fazer.
Então, este mês, cuide do ambiente dentro da sua empresa, divirta-se, e venda mais.
Raúl Candeloro
Editor


