Um futuro empreendedor

Como a Culinária Brasil pretende incentivar o empreendedorismo no País?

Feijoada, acarajé, churrasco com chimarrão, tapioca, baião de dois, escondidinho, cocada, vatapá, angu de milho, tutu de feijão, vaca-atolada, virado à paulista, barreado, isso sem falar em uma das sobremesas de chocolate mais amadas do Brasil: o brigadeiro. Do Oiapoque ao Chuí, a riqueza da culinária brasileira é indiscutível. Um dos prazeres mais básicos do ser humano está prestes a se tornar uma atração a mais para fomentar o turismo no País. Idealizada pelas pós-graduandas Carla Souza, Diana Villanueva e Manuela Bastone, a empresa Culinária Brasil, com sede em Niterói, pretende mostrar não somente o que a baiana tem, mas a riqueza gastronômica de diversos estados brasileiros.

 

A ideia foi uma das quatro eleitas pelo Prêmio Santander de Empreendedorismo. A premiação, que em 2009 teve sua quinta edição e a marca de 2.116 projetos inscritos, divide-se em quatro categorias: Indústria, Cultura e Educação, Tecnologia da Informação e Comunicação e Biotecnologia. Ricardo Fasti, diretor-geral do Universia Brasil, parceira do banco Santander na realização da premiação, explica que, “ao participar do Prêmio Santander de Empreendedorismo, os candidatos têm a chance de aprender, na prática, a elaborar um plano de negócios bem estruturado, que passa pela avaliação de profissionais reconhecidos, como autoridades do empreendedorismo brasileiro, para que as ideias se transformem em empresas sólidas e bem-sucedidas”.

 

E os ganhadores ainda recebem R$50 mil como incentivo à aplicação do empreendimento. Além do dinheiro, adquirem o reconhecimento e a divulgação de seus projetos em cerimônia nacional. Os orientadores, por sua vez, ganham três semanas de curso intensivo de espanhol na Universidade de Salamanca com passagem, hospedagem e alimentação incluídas.

Turismo gastronômico

As pós-graduandas Manuela, Carla e Diana souberam aproveitar a oportunidade do prêmio e levaram para casa a vitória na categoria cultura e educação. Colegas desde a faculdade, Manuela e Carla iniciaram o MBA de turismo e negócios da Ucam, no Rio de Janeiro. Lá, conheceram Diana e começaram a traçar os primeiros passos do que viria a ser uma grande amizade e vida profissional em comum. Apaixonadas pela culinária brasileira, elas procuraram imaginar algo que pudesse aliar o turismo a essa paixão. Deu certo! O Santander e o Universia entenderam que esse seria um empreendimento inovador, que traria retorno não só às estudantes, mas também ao País.

 

Agora elas se preparam para colocar a iniciativa em prática. O foco da empresa Culinária Brasil é atrair estudantes estrangeiros de gastronomia oriundos dos Estados Unidos e Europa que desejem estudar a culinária brasileira.

 

Em entrevista à VendaMais, Manuela contou que o trio está correndo com a série de documentos necessária para abrir uma empresa e pretende dar vida à Culinária Brasil ainda no primeiro semestre deste ano.

 

E as três empreendedoras sabem que terão muito trabalho pela frente.“Uma de nossas maiores dificuldades é que seremos uma empresa nova em um segmento novo, sem tradição e referências no mercado. No entanto, o próprio prêmio já nos dá visibilidade e passa uma imagem de confiabilidade para nossos futuros parceiros e clientes”, assegura.

 

Por outro lado, elas esperam crescer rapidamente, já que esse, segundo estudos comandados por elas e orientados pelo professor Marcos Arzua Barbosa, é um segmento que está em expansão em todo o mundo, mesmo que no Brasil seja quase inexplorado. “Nossas pesquisas demonstraram que existe interesse dos turistas na nossa gastronomia e cultura. Iremos entrar em um segmento com demanda e pouca oferta”, aponta.

 

Ideia pioneira no País, Manuela exalta os pontos fortes do empreendimento: “No Brasil, não teremos concorrência direta, mas iremos competir com pacotes de intercâmbio gastronômico de países com muita tradição nessa área, como: Itália, França e Espanha. No entanto, apenas a Culinária Brasil irá oferecer um serviço em que o cliente poderá aprender a culinária brasileira onde ela realmente acontece, não ficando apenas na sala de aula, mas se envolvendo com a comunidade, conhecendo in loco toda a teoria”.

 

Para quem sonha dar início a uma nova empresa e pretende contar com o auxílio do Prêmio Santander de Empreendedorismo, Manuela dá algumas dicas: “Primeiramente, você deve ter uma boa ideia e saber passá-la para o papel, pensando em cada detalhe e se ela pode realmente se transformar em um negócio. Deve-se avaliar se o projeto está de acordo com o que o Prêmio Santander almeja e montar um plano de negócios benfeito e estruturado. Acredito que todos que possuem uma ideia que irá fazer a diferença devem se inscrever, mesmo que só como experiência. Para nós, foi um incentivo muito grande”.

 

Os planos que concorreram ao prêmio foram avaliados pelos objetivos gerais e específicos, viabilidade financeira e de infraestrutura, valor criado para a organização brasileira, indicadores dos resultados esperados (quantitativos e qualitativos), caráter inovador, potencial para a geração de riqueza e análise de impactos social e ambiental. A seleção e validação dos projetos foram de responsabilidade do professor e consultor Fernando Dolabela e do professor Afonso Cozzi, do Núcleo de Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

 

Outros vencedores

Outros três projetos foram contemplados com o prêmio de R$50 mil. Mariana Diniz, Francisco Cariri, Bruna Porchia e Vinicius Santana criaram a empresa Inovagene, fabricante de imunoterápicos que pretende comercializar, como primeiro produto, o G-Vax, medicamento revolucionário no combate de tumores e lesões induzidas pelo vírus do papiloma humano (HPV), causador do câncer de colo do útero.

 

Marcio da Silva deu início a Partículas, empresa que investirá na fabricação de pisos e painéis de madeira por meio da inovadora tecnologia dos Painéis Homogêneos de Partículas (PHP), que proporciona o reaproveitamento de resíduos de serrarias e da indústria moveleira. O ponto principal desse projeto, segundo o próprio autor, é que ele traz “benefícios para o meio ambiente em virtude da redução da demanda por árvores oriundas de florestas nativas”.

 

E, por fim, Welkey do Carmo abocanhou os R$50 mil com o software Smart.clipping, que mensura a percepção e imagem de empresas, sejam elas públicas ou privadas. Trata-se de uma ferramenta de business inteligence criada para dar aos gestores informações de como o cliente visualiza a empresa.

 

Paralelo ao prêmio de empreendedorismo, a entidade bancária também realizou o Prêmio Santander de Ciência e Inovação. Em 2009, destacaram-se: Nelson de Luccia, com uma prótese para revascularização de membros inferiores; Dante Lanna, com um software desenvolvido para a alimentação do gado; Maria Claudia Takasusuki, com um projeto que seleciona as melhores abelhas rainhas, contribuindo assim para o aumento de produtividade na apicultura; e Demercil Oliveira Jr., com um sistema que permite a geração e distribuição de energia eólica.

Para saber mais:
Se você tem o sonho de montar seu próprio negócio, corra até o site: www.santanderempreendedor.com.br. Lá, você poderá conferir uma série de dicas para empreendedores, além de se manter informado sobre as inscrições para o Prêmio Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação.

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