Uma vida sempre é um presente

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Lourdes era uma jovem de 27 anos já com dois filhos quando conheceu um rapaz chamado Augusto. Os dois tiveram um envolvimento… Mas ele foi embora da cidade. E Lourdes percebeu que estava grávida ?Ser adotado significa que você cresceu no coração de sua mãe, e não no seu ventre? – George Dolan Uma vida sempre é um presente Lourdes era uma jovem de 27 anos já com dois filhos quando conheceu um rapaz chamado Augusto. Os dois tiveram um envolvimento… Mas ele foi embora da cidade. E Lourdes percebeu que estava grávida.

Era complicado sustentar uma família sozinha; imagine se essa família aumentasse. Para piorar, ela perdeu o contato com Augusto, portanto, não poderia contar com ele. Assim, Lourdes estava decidida a dar a criança quando ela nascesse.

Os meses foram se passando… Até que o bebê nasceu. Era uma linda menina. Mas dessa vez não houve festa e grande alegria pelo nascimento de um bebê, como é de se esperar em uma família comum.

Uma visita inesperada É aí que entram na história Paulo e Regina, um casal que conhecia Lourdes. Eles já tinham um filho de quatro anos, e resolveram visitar a moça, pois sabiam que ela estava grávida e queria dar seu neném. Quando chegaram à casa de Lourdes, encontraram sua mãe. ?A Lourdes não está, querem ver o bebê?? A senhora indicou o caminho de uma casa nos fundos, mas nem sequer os acompanhou.

O casal encontrou a nenezinha em uma situação lamentável. Estava em um caixote com uma vela ao lado, pois não tinha luz elétrica no lugar. Regina tomou então a iniciativa de levar a criança para casa. Ficou alguns dias com o bebê, que estava desnutrido. Comprou roupinhas, tratou dela com todo o carinho e mandou chamar Lourdes. Por incrível que pareça, a mãe ainda não havia ido procurar sua filha. E apenas disse que, se Regina quisesse, poderia ficar com o bebê.

Diferenças vencidas pelo amor A menina não era muito saudável, como já poderia se esperar. Regina resolveu ficar com ela, mas não comunicou logo o fato para seus parentes. Ela vinha de uma família bastante rígida, que achava que ela teria aborrecimentos em adotar uma menina tão diferente. Regina era loira de olhos verdes, e a bebê era negra. Mas isso não foi empecilho para a moça, que, com o apoio de seu marido, enfrentou a todos. E, com o tempo, a família acabou aceitando a adoção.

Enquanto isso, Lourdes, a mãe biológica do bebê, ficou grávida novamente… Mas, com sete meses de gravidez, veio a falecer, não se sabe exatamente a causa. E assim a pequena menina foi crescendo em sua nova família. O amor e carinho com que foi cercada a fizeram superar seus problemas de saúde. Nem por ser fisicamente diferente dos seus sentiu-se menos amada. Quando os coleguinhas perguntavam sobre a diferença de cor de sua mãe, ela dizia simplesmente que era ?filha do coração?.

Surpresa na adolescência e sucesso na carreira Tornou-se uma adolescente. Estudava, trabalhava, como toda menina de sua idade. Com 14 anos, teve uma surpresa: conheceu seu pai biológico, o Augusto, que a procurou, querendo a ajudar e se aproximar dela.

Hoje, Andréa Bonato (o nome dela é este!) trabalha como consultora de vendas e sente-se realizada profissionalmente. Ama a vida e sempre agradece a Deus pela mão que lhe estendeu quando colocou Regina em seu caminho…

Andréa é uma mulher feliz e principalmente grata. Diz: ?Tenho pais, tios, avós que não trocaria por família alguma. Sempre vivo rodeada de amigos, e acredito que Deus não faz nada por acaso. Pode ter certeza.?

Esta é uma história real de uma jovem que tinha tudo para ser infeliz e insatisfeita. Mas ela soube dar a volta por cima. O destino a ajudou, colocando pessoas generosas e amorosas em seu caminho… e ela soube aproveitar isso.

Faz de sua vida um caminho aberto para o sucesso, ao invés de ficar se lamentando por um passado que não pode mudar. Que seja inspiração para aqueles que, mesmo tendo tudo para serem felizes, ainda continuam num caminho de autopiedade e apatia.

Depoimento de Andréa Bonato ? edição de Valéria Poletti

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