?A única coisa certa sobre a sorte é que mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, vai virar? Fralber Saidam ?A única coisa certa sobre a sorte é que mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, vai virar? Fralber Saidam
Nunca se poderia imaginar que a derrubada de duas torres, por gigantescas que fossem, e toda a tragédia que envolveu mais de três mil mortos, impactasse tão fortemente a indústria mundial do turismo. Fazendo com que dezembro de 2001 entrasse para a história do marketing como o mês em que o pânico que se apoderou de quase totalidade dos players os levassem a abrir mão de suas margens, a trabalhar no vermelho, revelando a consciência de que acima de tudo e todos, deveria prevalecer, o se preservar o negócio; ?Vão-se os anéis, ficam os dedos…?
A onda promocional iniciou-se a partir dos escombros das Torres Gêmeas na cidade da tragédia, Nova York. Devidamente suportada numa histórica e corajosa campanha publicitária, garantindo ainda ser Nova York a cidade mais segura do mundo, em comerciais bem-humorados com Robert DeNiro, Billy Cristal, Kevin Bacon, Woody Allen, Henry Kissinger dentre outros, milhares e inimagináveis descontos passaram a ser oferecidos em quase todos os estabelecimentos comerciais da cidade, nas diárias dos hotéis com desconto mínimo de 50%, mais ingressos para a Broadway a preços simbólicos e ainda jantares em restaurantes famosos de bonificação.
O ?barulho? da queda das torres e aviões, mais a rápida reação da cidade onde tudo começou, e por efeito dominó, fez com que as promoções rapidamente se multiplicassem, também, por todo o mundo. Brasileiros que jamais sonharam colocar os pés na Disney, mesmo considerando-se a elevação do dólar, acabaram tendo a oportunidade de suas vidas e passaram a semana do Natal e do Réveillon com o Mickey, irmãos e primos da família Disney em Orlando, por preços bem inferiores, a essa mesma semana, em resorts no Brasil. O legendário Hotel Biltmore na Flórida, reduziu suas diárias de US$250 para US$99, fazendo com que o Hyatt Coral Gable, reduzisse as suas de US$150 para US$39.
Cruzeiros marítimos no Caribe e nos melhores navios reduziram seus preços a menos de 50% do que cobravam em dezembro de 2000. Já os cruzeiros de maior duração, como um roteiro partindo dos EUA e visitando Marrocos, Espanha e a Riviera Francesa, despencaram de US$10 mil para menos de US$4 mil, no emblemático e inesquecível, em todos os sentidos, dezembro de 2001.
Hoje, a situação é completamente diferente, não obstante tudo o que aconteceu na seqüência. Mas só é diferente, repito, porque todos os players da cadeia entenderam que em determinados momentos é necessário abrir mão de margens, cortar preços, realizar prejuízos, tendo como motivação a melhor dentre todas as causas: a sobrevivência.


