Varejo na Era dos Jetsons

Tá, já sei, amanhã vocês vão encher a minha caixa de e-mails dizendo que isso é uma viagem na maionese, etecera e tal (Enéas, você não vale, OK?!), mas eu não resisti. Estive relembrando o tempo em que achava que Atari, videocassete e antena parabólica eram descobertas tecnológicas definitivas para influenciarem o dia-a-dia de várias gerações. Ou melhor, funcionariam como marcos, a partir dos quais seriam necessários pelo menos vinte ou vinte e cinco anos (uma geração, praticamente) para que algo novo e revolucionário acontecesse.

Ledo engano. Em pouco mais de dez anos, vimos o nascimento e morte (?) do CD ? a ser substituído pelo DVD, o Blu-Ray ou outra novidade que surja nos próximos cinco anos. Me lembrei também que coisas como celular e teletransporte tinham a mesma possibilidade de serem implantados antes do ano 2100. Internet então não era possível nem de ser concebida! O resultado foi: os poucos que conseguiram ver dois passos à sua frente naquela névoa tecnológica lucraram milhões (de dólares, ienes, seja lá o que for).

Com o varejo virtual é a mesma coisa. Se hoje eu sugerisse para você pensar sua loja na Internet a partir de um ponto de vista tridimensional, certamente a primeira resposta seria: ?mas isso vai requerer um século de programação, bilhões em investimentos, outros tantos séculos de retorno?, blá, blá, blá.

Acontece que a estratégia visual das lojas virtuais da Internet dos nossos dias atinge (e continuará a atingir) apenas o cidadão de mais de 25 anos, um tipo que mais parece o Mr. Jetson, do seriado de desenho animado da Hanna-Barbera. Para quem se lembra (e o Mr. ou Mrs. Jetson que está lendo este texto agora deve estar de acordo), o filho do casal, o Elroy, simboliza bem o seu novo público-alvo: desmamado com um babá eletrônica, que na nossa realidade pode ser comparada aos mais avançados games 3D.

Com tudo isso quero dizer que a geração ?Elroy Jetson? vai se sentir em casa fazendo compras online usando óculos em três dimensões, visitando um supermercado ou loja de roupas com maior interatividade. Bem provavelmente, você não precisará desenvolver seu site de uma forma tão avançada num primeiro momento, mas deverá estar pronto para ações de webmarketing que abordem essa nova realidade.

Exemplos:

1. Merchandising no ponto de venda: imagine um consumidor jovem ?circulando? pelo supermercado virtual em busca de uma lata de leite ou pacote de macarrão e vê uma figura saída do filme ?Monstros S.A.? correndo pelos corredores. Tudo para chamar a sua atenção tentando guiá-lo para a seção de biscoitos, onde há um lançamento da marca.
2. Marcas jovens e ligadas ao esporte, principalmente, podem projetar suas lojas/sites para se tranformarem em verdadeiros labirintos 3D, onde o consumidor se transforma em jogador, apoiado nos benefícios do produto.
3. Promoções e brindes, ações que geram grande fidelização junto aos usuários, teriam um poder ainda maior, pois esses consumidores ficariam mais tempo navegando em seus sites.

Bem, agora já coloquei minha cara para bater. Aguardo sua opinião/sugestão de sites afins. Mas antes de finalizar, gostaria de comentar que com o tempo, construir websites com as características acima ficará cada vez mais em conta em relação ao custo de se montar lojas e shoppings do tipo ?bricks and mortar?. Então, não durma no ponto.

Um abraço, confira as matérias dessa semana no canal Webmarketing (duas delas inclusive são de assinantes de nossa e-zine) e bons negócios.

Rodrigo Saporiti
Editor

PS: O nosso colega redator, Brasílio Andrade Neto, xenófobo de plantão, me pediu para traduzir o termo ?bricks and mortar? para ?tijolos e cimento?. Ah! E se você não tem muita intimidade com games 3D (não necessariamente com óculos 3D, mas no formato conhecido como ?primeira pessoa?), comece dando uma olhada nos cenários de jogos como Doom, Quake, Unreal, etc.

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