Vendendo a morte

O negócio da morte sempre foi próspero, jamais conheceu crises e não pára de crescer, afinal, nos últimos duzentos anos o mundo saltou de um bilhão para quase sete bilhões de habitantes O negócio da morte sempre foi próspero, jamais conheceu crises e não pára de crescer, afinal, nos últimos duzentos anos o mundo saltou de um bilhão para quase sete bilhões de habitantes ? vivos, que, seguramente, irão morrer.

Assim, a cada dia que passa, multiplicam-se os prestadores de serviços que se propõem a ?combater? a morte: prevenir ou remediar doenças para prolongar a existência das pessoas ? aqui se inserem os médicos, enfermeiros, hospitais, indústrias farmacêuticas e milhares de outros prestadores de serviços. Da mesma forma, multiplicam-se os prestadores de serviços que só entram em ação após o passamento: novos médicos para o atestado de óbito, agências funerárias, cemitérios, crematórios, floriculturas, religiões, jornais e muito mais.

De uns tempos para cá, no entanto, uma nova modalidade de negócio vai ganhando campo e legalidade ? inicialmente anônima, pois é proibida pela legislação da quase todos os países: a prática da eutanásia ou abreviação da vida/antecipação da morte.

A liderança desse ?novo negócio? pertence à Suíça, onde dezenas de pessoas, nos últimos anos, dirigiram-se à sua capital, Zurique, para morrer. Mais precisamente, segundo os dados oficiais, 38 em 2001, 55 em 2002, número que cresce em idêntica proporção em todos os últimos anos. Lá também é proibida a eutanásia, como nos demais países, mas uma pequena exceção, contida em uma lei de 1942 tem garantido legalidade a essa prática. Nessa lei, admite-se a prática do suicídio assistido, para pessoas que comprovadamente não têm chance de cura, desde que o doente se encarregue de tomar a droga que o levará à morte.

Considerando a crescente demanda por pessoas que querem abreviar seu sofrimento, Ludwig Minelli, ex-jornalista e advogado de 70 anos de idade, criou a ONG Dignitas, que já conta com 2.500 membros que pagam uma anuidade para custear a iniciativa.

Mesmo tendo se notabilizado por ser um dos principais centros financeiros do mundo, pela sua paisagem, pela qualidade de seu chocolate e de seus relógios, Zurique não se incomoda em atrair aqueles que querem antecipar a partida e possuem renda para pagar todos os serviços diretos e indiretos envolvidos no processo.

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