Você já notou como nos filmes de Hollywood as bombas têm sempre um grande visor vermelho, onde o cronômetro nos mostra com precisão de milésimos quanto falta exatamente para explodir? E que a maioria dos instrumentos nos filmes pode ser tocada sem mexer os dedos? Ou que para pagar o táxi nos filmes basta colocar a mão no bolso e tirar uma nota – qualquer nota – e você vai dar sempre a quantia exata? Ou ainda, que um soldado pode sobreviver a qualquer tipo de explosão ou ataque na guerra – desde que não mostre uma foto da sua namorada? Pois é assim que algumas pessoas passam pela vida – vendo e acreditando em tudo o que é visto ou dito. (Tínhamos inclusive em casa uma cozinheira que, para acabar com qualquer discussão, afirmava categoricamente: – Isso é científico, saiu ontem no Fantástico!).
Diz um antigo ditado chinês que o sábio não vê o mesmo arbusto que o tolo vê. Isso é comprovado todos os dias quando, numa determinada situação, algumas pessoas aprendem muito, e outras não aprendem nada. Com as coisas acontecendo tão rápido hoje em dia, principalmente numa sociedade neurótica como a brasileira, que vai do torpor ao desespero e depois à euforia em três meses apenas, mais do que nunca o aprender com os erros, seus ou de outros, passa a ser fundamental. Experiência não é o que acontece com você; é o que você faz com aquilo que acontece a você.
Afinal, como diz um certo ditado texano, você não aprende nada na segunda vez que leva um coice de mula. Logo, é fundamental adaptar-se, coisa que brasileiros em geral sempre souberam fazer através do famoso jeito”, ou jeitinho, para os íntimos. (Num editorial do New York Times, se não me engano, eles justificaram nossa saída milagrosamente rápida da crise que ia acabar com o mundo e derreter o Brasil exatamente ao “jeito”, e até ensinavam a pronunciar – jay-too). Daqui a pouco, só porque os americanos estão elogiando, o Gérson vai acabar virando ícone cultural ou consultor de empresas.
Mas voltando ao tema inicial, que é aprender, vale a pena lembrar uma frase do filósofo chinês Mencius (realmente o nome de chinês não tem nada, mas dizem que era chinês mesmo), que escreveu “Nem os deuses conseguem ajudar aquele que desperdiça as oportunidades na sua vida”.
Este mês estive dando palestras em quatro cidades da Bahia – Alagoinhas, Salvador, Santo Antônio de Jesus e Ilhéus. Enquanto na mídia de São Paulo/Rio todo mundo só fala em crise e desemprego, no resto do Brasil se trabalha duro -sem histeria sobre a cotação do dólar às 14h28 ou se a Bolsa da Indonésia abriu em baixa. É um outro Brasil – trabalhador, esforçado, que teve de se adaptar ao clima inclemente, mas dedicado a dar a volta por cima. Nada como viajar e sair um pouco do eixo para ver por que o Brasil é tão resistente, mesmo às crises mais sérias.
E como sempre dissemos, com crise e tudo, tem muita gente ganhando dinheiro por aí (já virou até lugar comum comparar crise com oportunidade). O Brasil não acabou, a inflação não disparou, não houve quebradeira geral, o desemprego não explodiu e mais uma vez os “fracassomaníacos” e os arautos do caos erraram feio. Ganhou quem cortou seus custos, treinou a equipe, atendeu bem os clientes etc. Esses sobreviveram à maré contra e agora estão “em ponto de bala”, prontos para ganhar dinheiro, crescer, contratar, investir… enfim, ajudar a mudar a cara do Brasil.
Então, dedique-se este mês a aprender mais: seja sábio, veja o que os tolos não vêem, e Venda Mais!
Raúl Candeloro Editor


