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Você está no meio da selva amazônica. Temperatura média diurna: 40°C, sem falar na umidade que faz com que andar pela selva assemelhe-se a caminhar em uma piscina de bolas de isopor até o pescoço. Insetos zumbem à sua volta sem cessar. De quando a temperatura cai a 20°C , muitos animais saem para caçar. Você pode escutá-los, senti-los à sua volta. Mas não pode vê-los.

Para sobreviver uma semana nessas condições, você conta com uma faca e três palitos de fósforo. Nada mais.

Vai encarar?

Selva – Tal situação faz parte do treinamento do Centro de Instruções Guerra na Selva – CIGS. Esse curso forma uma elite das forças armadas brasileiras, capaz de enfrentar qualquer situação na selva amazônica, caatinga nordestina e outros ambientes pouco amigáveis. Todos os anos, são selecionados oficiais, subtenentes e sargentos, voluntários do Exército, da Marinha, da Força Aérea, das Forças Auxiliares e das Nações Amigas. Antes de pensar em partir para o mato, o candidato passa por uma bateria de testes médicos e físicos.

Aí, começa a adaptação ao ambiente – processo que, no jargão do CIGS, chama-se “adestramento”. Imagine os motivos por si mesmo.

O treinamento varia de acordo com os ambientes, lógico. Na selva, além das dificuldades referentes à região, os militares voluntários ainda precisam enfrentar a distância da família e amigos. “Se ele já está desgarrado do ambiente familiar fica mais fácil se adaptar, comenta um militar que Prefere não ser identificado.

E as dificuldades parecem somar-se. O calor é potencializado pelo pesado uniforme militar. Insetos que já mais resistentes aos repelentes comuns podem transmitir malária e lieshmaniose.

Pelo menos, pode-se dormir. Três horas por noite. Sim, pois a maioria das operações é noturna:

? emboscadas, patrulhas-surpresa que aniquilam o inimigo;

? localização de pontos e objetivos através de bússola;

? patrulhas de reconhecimento.

Brevê de Onça – A fase mais difícil durante a formação do Curso de Operações na Selva é Operações na Selva é o treinamento de sobrevivência, descrito no primeiro parágrafo. Durante o resto do curso, cada participante recebe um “kit conforto”, composto de itens de higiene, muda de roupa, rede para dormir e mochila. Bom, para quem passa uma semana só com uma faca e três palitos de fósforos, realmente é um kit de enorme conforto(!)

Normalmente, durante o treinamento de sobrevivência, o militar perde em torno de 10 kg, durante uma semana. Ao final do curso inteiro, a perda é de 15 kg.

Aqueles que conseguem concluir o curso recebem o “Brevê Onça”, como prêmio ao esforço, á força de vontade, à coragem, à inteligência, à rusticidade e à força moral com que enfrentaram os diversos obstáculos.

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