Um bom coachee não é espectador da sua própria vida. Ele é o ator principal e também o roteirista, que constrói a sua própria história, sempre com um final feliz.
Você provavelmente já deve ter ouvido falar nos termos coach e coaching. Mas será que você é um bom coachee?
O termo coach é proveniente do inglês e designa os papéis de técnico, treinador e facilitador. No âmbito do desenvolvimento pessoal e profissional, o coach é um grande aliado para o seu progresso, orientando-o de forma a mantê-lo sempre alinhado e congruente com suas metas e seus objetivos.
É através do processo de coaching que o coach estabelece objetivos de desenvolvimento, metas, desafios e ações que deverão ser implantadas pelo coachee. Sendo assim, é provável que você se interesse em vir a ser um bom coach. Para chegar a isso, você precisa primeiro aprender a ser um excelente coachee.
O bom coachee é aquele profissional verdadeiramente interessado no seu próprio desenvolvimento e progresso. Para se tornar um deles, você precisa primeiro entender que a responsabilidade pela sua vida é única e exclusivamente. Ou seja, o primeiro passo para se transformar em um bom coachee é resgatar sua própria autonomia e entender que tudo que acontece e deixa de acontecer na sua vida é conseqüência das ações que você empreende ou deixa de empreender pelo caminho.
Um bom coachee é um facilitador do seu próprio processo de desenvolvimento. Ele tem consciência dos seus talentos e dos seus desafios, enxerga com clareza seus objetivos e entende quais serão os obstáculos que se interpõem entre si e seus objetivos.
Uma das competências mais observadas nos bons coachees é a congruência das suas ações com os seus objetivos. Bons coachees são aqueles que enxergam nos feedbacks dos superiores as intenções positivas desses direcionamentos. Entendem que o processo de desenvolvimento requer a valorização e o reconhecimento dos pontos positivos, mas requerem também a observação e o direcionamento para correção de outros pontos, competências e ações.
Um bom coachee é aquele que valoriza a presença do seu coach, que aproveita cada segundo ao seu lado para perceber necessidades de desenvolvimento e promover ajustes nos seus mecanismos de ação. Ele se comporta como uma criança que está fazendo continuamente descobertas sobre suas próprias potencialidades e que não se permite passar um dia sequer sem aprender coisas novas.
Imagine você, um representante externo de vendas, por exemplo. Este profissional deve trabalhar acompanhado do seu superior dois ou três dias por mês. Racionalmente falando, se este tempo não for muito bem empregado, de forma estratégica e valorizando a alta performance, um representante de vendas pode chegar a levar meses para conseguir uma pequena evolução.
Um bom coachee, ao trabalhar acompanhado do seu coach, teria de compactuar um uso intensivo do tempo com desafios para o desenvolvimento de determinadas competências, medir a performance a cada entrevista de negócios do dia, obter feedback e direcionamento para cada nova investida e ao final da jornada de trabalho, acordar metas de desempenho para o próximo encontro e a partir de então manter o nível de atenção pelo tempo restante, mesmo que trabalhando sem o acompanhamento do seu coach. Bons coachees fazem isso.
É estranho, mas é verdade. Muitos profissionais preparam-se para o dia no qual trabalharão acompanhados. Revisam informações, conferem uma energia especial às abordagens e dão o melhor de si. Aí, passados os dois ou três dias, o superior segue para um novo setor, e aquele profissional volta à sua rotina normal, sem tanto empenho e dedicação. Bons coachees não fazem isso! Bons coachees dão o melhor de si em tempo integral, estão de olho na excelência, criam seus próprios desafios e costumam se superar a todo instante.
Em contrapartida, tenho percebido com espanto que é também muito grande o número de pessoas que apregoam sonhos e desejos por todos os cantos, mas que, em suas ações, tornam-se totalmente incongruentes com esses objetivos, não empreendendo nenhum ou quase nenhum tipo de ação que possa chegar a colocá-las mais próximas do cumprimento das suas supostas metas. São pessoas que desejam ?um dia? conquistar a medalha, levantar o troféu, mas que sequer dedicaram um dia das suas vidas ao treino exaustivo que se exige de um verdadeiro campeão. Esses tais são os mesmos que se dedicam a sonhar com os minutos sobre um pódio, medalha na mão e hino aos ouvidos, mas que não se permitem pensar nos anos de trabalho intensivo que antecedem a cada verdadeira conquista.
Esses supostos profissionais, são aqueles que acreditam que o chefe, para ser um bom chefe, deve poupá-lo de direcionamentos e feedbacks. Desejam superiores passivos, que compactuem com padrões de desempenho mediano e que se limitem a cumprir com a simples rotina do acompanhamento sem objetivos.
Um bom coachee é mais do que isso. Ele gosta da gestão por resultados e está acostumado a ser reconhecido por sua performance. Ele é ativo e inconformado. Tem metas e objetivos, conhece os obstáculos e assume o compromisso com o seu próprio processo. Não vive num ?mundo de Alice? e não espera que o mundo reúna as características perfeitas ao seu redor. Não depende da empresa ideal, do chefe ideal, do governo ou de qualquer outra coisa. É realista e lida com os fatos como eles são. Um bom coachee, não se apóia em desculpas, pois entende que toda justificativa perpetua mediocridade. Seu foco está na solução e não nos problemas, gerencia a dispersão e valoriza o seu ativo mais precioso: o tempo. Costuma definir uma estratégia para sua vida, e o critério para seu processo de tomada de decisões é subordinar todas elas a sua estratégia. As ações congruentes com a sua estratégia são empreendidas de imediato, as incongruentes são deixadas de lado sem perda de tempo e dispersão.
Bons coachees desenvolvem a arte de aprender a aprender. Conseguem enxergar conhecimento e aprendizado em tudo ao seu redor. Como todas as outras pessoas, estão sujeitos às mesmas experiências, estímulos e oportunidades. A diferença é que um bom coachee valoriza cada passo em direção aos seus objetivos. São pessoas de ação, e não de intenção. São mais ouvintes e menos conselheiros. Estão no mesmo mundo que você, com os mesmo desafios, o mesmo tempo e as mesmas dificuldades, só que bons coachees são proativos ao invés de reativos.
Bons coachees são pessoas de potencial, têm idéias próprias e pensamentos bem estruturados, mas são flexíveis e conseguem mudar o seu próprio ponto-de-vista quando necessário, pois para o bom coachee, o que importa é o seu progresso e os seus resultados.
Um bom coachee não é espectador da sua própria vida. Ele é o ator principal e também o roteirista, que constrói a sua própria história, sempre com um final feliz.
Reflita um pouco antes de responder. E então, você é um bom coachee?


