Ser um profissional do futuro é o grande desafio e a grande oportunidade do mundo digital. Segundo Bill Gates, “em dez anos, o mundo dos negócios mudará mais rápido do que mudou nos últimos 50 anos”. Isso requer mudanças radicais no perfil dos profissionais para que permaneçam no mercado de trabalho.
Mas o que é ser um profissional do futuro? Apesar das inúmeras receitas do mercado, a verdade é que não há fórmulas que garantam o sucesso. Há caminhos que podem ser seguidos. No entanto, o que encontrar ao fim de cada trilha, vai depender da essência de cada um. Vontade, perseverança, lealdade, ética, espiritualidade, conhecimento, praticidade, criatividade e bom senso são um bom começo. Mas, isso não é tudo.
A conexão ao mundo digital é a expressão chave para designar o profissional do futuro. Lidar bem com as ferramentas de comunicação por meio da “rede”, saber usá-las em benefício da empresa e de seu autodesenvolvimento, significa estar à frente da concorrência.
O profissional do futuro é um visionário. E a grande diferença entre profissionais comuns e os visionários está na capacidade destes de enxergarem que podem seguir além do horizonte e, a partir dessa visão, construir o seu caminho passo a passo, administrando as interferências, mudando a rota, mudando de empresa, mudando de sonhos, mas sem nunca perder a essência do que um dia vislumbraram e acreditaram.
Os visionários não desistem de seus ideais. Eles têm o bom senso para redirecioná-los e para perceber aquilo que podem ou não mudar. Não dispersam suas energias em lutas por causas irreais.
Os visionários acreditam em uma deidade tanto quanto acreditam em si mesmos. Não esperam que os motivem; encontram um sentido especial em tudo que fazem.
Eles enxergam oportunidades em situações adversas; têm sorte e uma personalidade singular: nunca abaixam a cabeça – decididamente não nasceram para serem comandados; assumem seus erros e com isso aprendem mais rápido do que os demais.
O profissional do futuro agrega valores tangíveis, intangíveis e constrói uma organização que aprende continuamente. Possui a sabedoria necessária para comandar sem dominar, para ser respeitado sem necessariamente precisar ser carismático. Ele incomoda muito, porque estabelece padrões elevados de trabalho. Ele lidera, porque consegue transmitir conhecimento, emoção e valor a cada desafio.
As habilidades técnicas são básicas e não diferenciam profissionais que estão em um mesmo patamar. Não preciso citá-las, não é mesmo? Quem não as tem, está em desvantagem. É a essência, a grande diferença.
Ousadia é a marca do futuro desses profissionais, que devem ter reflexos rápidos às situações, agindo como se a empresa fosse sua. Eles não têm medo do desconhecido, do novo. Pelo contrário, isso os instiga a ir além dos seus limites. A sua crença em si mesmo torna os seus fardos mais leves e a sua glória digna. E por pensar e agir assim, o profissional do futuro vale ouro no mercado em que atua. Para segurá-lo, é preciso ir além de remuneração acima da média; é preciso que se definam alçadas para tomada de decisão e grandes desafios que o façam aprender e crescer continuamente. Caso contrário, o profissional do futuro será comum, e ser comum é pouco para um visionário.
O profissional do futuro tem ambição, ética e uma boa dose de espiritualidade. É a espiritualidade que lhe traz a paz e a antevisão necessária para agir diante daquilo que não é perceptível a todos. Por meio dela, ele aprende a humanizar-se. Isso traz-lhe a preocupação com a causa humanitária, na qual convergem interesses do papel da empresa social e ambiental, tornando a organização um instrumento maior, dentro do seu objetivo máximo de lucratividade e remuneração aos sócios.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o próximo século não será dominado pelos céticos. A crença e as obras pela humanidade são marcas fundamentais para compor o profissional do futuro. Ele valoriza e preserva a natureza, preocupa-se com o seu ambiente familiar e social, além do profissional. Ele trabalha muito, mas não deixa de viver qualitativamente. E, para ter qualidade de vida, é condição sine qua non melhorar o ambiente em que vive. A forma de melhorar o mundo será peculiar a cada um, mas sempre culminará na caridade pelo próximo. Sem dúvida, para ser um profissional do futuro é preciso ser completo: espírito, família, social, técnico e comportamental. Se não tiver um dos aspectos, faltar-lhe-á aquilo que o homem, independentemente do seu status quo, persegue desde o início da humanidade: a sua felicidade.
A essência não está na perfeição e, sim, na busca insaciável por ela. Ora, é muito mais fácil e cômodo ser um profissional comum, sem grandes sonhos, ser cético, aético ou apenas um workaholic e viver uma felicidade virtual. Ser assim é pouco e muito pequeno para o profissional do futuro. O ser humano não tem limites mas, decididamente, ele é o retrato daquilo que pensa e acredita ser. A força que existe dentro de cada um é infinitamente maior do que imaginamos. O profissional do futuro sabe disso, e usa como ferramenta estratégica, enquanto os demais amargam na mediocridade dos obstáculos, no medo em perder ou se preocupando com o brilho da estrela que não é dele, enquanto a sua está ofuscada.
Se você ainda não é um profissional do futuro, corra atrás do tempo perdido e aprenda a reaprender. Acredite em seu potencial, encontre o seu caminho!
Ah, não se esqueça: no seu caminho, você encontrará várias estrelas; reconheça a sua e faça-a brilhar, sem preocupar-se com aquelas que estão ao seu lado. Traga-as para junto de si nos momentos oportunos, aprenda, e o seu brilho será tão forte ou maior que o delas. A intensidade dependerá da essência que está dentro de você!
Lília Barbosa é consultora master da JCR & Calado Consultores, empresa associada à Deloitte Touche Tohmatsu.
E-mail: l_barbosa@jcr.com.br


