No meio da vegetação, um par de olhos busca seu alvo. A escolha é feita meticulosa e cientificamente. Tenta-se identificar um espécime mais velho, ou doente. Uma vez identificado, a aproximação deve ser feita com todo o cuidado. A cada passo, a mente faz cálculos complexos. O caçador conhece exatamente o ponto onde mais alguns centímetros esgueirando-se trazem um grande risco de ser percebido, então é hora de atacar. Ele checa o equipamento. Músculos especialmente projetados para uma explosão de velocidade e eficiência a curta distância. Garras afiadas prontas a penetrar a carne do oponente. Presas desenhadas para perfurar e rasgar músculos e veias.
E o caçador ataca. Sua mente está fixa no que o instinto e seus pais o ensinaram. Uma vez que escolha seu alvo, mantenha-se fixo nele. Ataque o quarto dianteiro, mire no pescoço. Cuidado com os chifres e com o estouro da manada.
E ainda assim, algumas vezes o caçador falha e volta para casa de mãos, ou melhor, de boca e patas vazias. No caso do guepardo, sua taxa de sucesso é de uma a cada dez tentativas.
Ele desiste? Nunca. Ele tenta de novo. Até porque seu corpo também se adaptou para suportar longos períodos sem comida.
Adapte-se ou morra.
A lei da selva não admite meio-termo. Sobrevive aquele que está mais bem-preparado para enfrentar as constantes mudanças daquilo que o envolve. Se chover de menos, ele sabe se virar. Se vier uma inundação, ele sabe se virar. No caso de uma hecatombe nuclear o mundo será entregue, literalmente, às baratas. Que podem não ser os mais simpáticos membros da fauna, mas são mestres na arte de adaptar-se. De jogar com qualquer carta que apareça. E sobreviver.
PICA-PAU
A caixa craniana dessas aves desenvolveu-se de forma que o cérebro não sofre nenhum dano com as repetidas batidas do bico contra as árvores. E, para alcançar os insetos que estão na parte mais funda da madeira, ele não apenas estica a língua, mas toda sua musculatura e órgãos da garganta projetam-se para a frente, dando à ave um alcance maior. Mesmo assim, ele não alcança alguns insetos. O que fazer quando mesmo toda a evolução não lhe deu algo que o faça conseguir alimento sempre? Alguns pica-paus respondem isso construindo suas ferramentas de caça. Pegam pequenos gravetos, arrancam suas folhas e o utilizam para desalojar insetos e explorar até mesmo o canto mais distante de um buraco de árvore. E ele sobrevive.
LIÇÃO CORPORATIVA: Dificilmente você terá todos os recursos à mão. Em vez de ficar lamentando, vá à luta com o que você tem. Utilize sua experiência e inteligência para suprir possíveis faltas de material ou estrutura.
SURICATE
Esse animalzinho do deserto desenvolveu uma estratégia de sobrevivência única. Sempre um deles fica de guarda, enquanto os outros caçam insetos e pequenas frutas, cuidam dos filhotes, etc. Quando esse guardião percebe um perigo se aproximando, dá o alarme. Todos então se juntam, fazendo muito barulho. Um deles fica em pé pelas patas traseiras, como se fosse a cabeça de um animal muito grande e seus companheiros, o corpo. Agindo assim, conseguem assustar e afugentar muitos predadores.
LIÇÃO CORPORATIVA: Um grupo unido em torno de um objetivo é uma das maiores forças que uma empresa pode ter. Por isso, facilite a comunicação e a troca de idéias. Permita que todos saibam o que está acontecendo e que fazem parte de um todo maior.
Desde que o mundo é mundo – E faz tempo que as coisas são desse jeito. Como as amebas não dão nenhuma história interessante e seus pares hoje em dia não têm lugar nem no mais ineficiente cabide de empregos do interior, vamos avançar alguns milhões de anos.
Ah, os dinossauros. De todos os tamanhos e formas. Cada um dotado de uma forma especial de sobrevivência. Alguns desenvolviam complexos sistemas de ataque em bando. E para cada ataque, reza a lei do equilíbrio, existe um contra-ataque. E assim, surgem monstros encouraçados. Aparecem gigantes com tal mobilidade na cauda que a usam como um chicote, contra qualquer predador. Invencíveis, como a televisão preto-e-branco pareceu ser invencível um dia. Ou os aparelhos de telex e seus operadores. Ou o videocassete sistema Betamax. Isso só para mencionar aqueles que, provavelmente, você viu desaparecer.
E, certamente, você também viu muitas novas oportunidades aparecerem. As vezes, surgem meio desajeitadas, sem entender bem seu lugar no mundo. Aparecem como uma espécie de rato de focinho fino e comprido, pesando menos de 30 gramas no meio de animais que pesavam toneladas. Como se ele já não fosse feio e desengonçado o suficiente, os cientistas resolveram batizá-lo de Aegialodon. Alguém já disse que a botânica não é uma ciência, é a arte de inventar nomes ridículos em latim. Enfim, se alimentando apenas de insetos, minhocas e, se fosse preciso, grama, esse ratinho esquisito, um dos primeiros mamíferos, sobreviveu. E foi passando seus genes, que foram se modificando e dando origem a uma gama incrível de seres. Do Aegialodon vieram tigres, cachorros, orangotangos, girafas, onças, capivaras, senadores do PFL, líderes do MST e, sei que é diFícil de acreditar, veio a Valéria Valenssa também.
Um Aegialodon de nossa época é a informática. Os computadores no começo eram trambolhos tão difíceis de operar que um presidente da IBM chegou a afirmar que no mundo havia espaço para, no máximo, 5 computadores.
Quem usa melhor as suas armas – Você já participou de uma reunião da sua turma da faculdade ou do primeiro grau? Depois de anos estudando exatamente no mesmo lugar, tendo os mesmos professores, era de se esperar que todos apresentassem o mesmo resultado, e acabassem em cargos semelhantes de empresas de ramos parecidos. Acontece exatamente o contrário.
Foi o que Charles Darwin mostrou em sua obra “A Origem das Espécies”. O ambiente está aí, para todos. Céu, terra, água, dia, noite. Você escolhe um desses habitats, mas os outros não deixam de existir.
A partir dessa escolha, como você age? Como enfrenta os perigos? Mais que sobreviver, como você garante seu espaço? Há inúmeras formas para isso, você não precisa ser um predador. Um elefante marca seu espaço do seu jeito. Um beija-flor, com sua incrível agilidade, também o faz.
Como o próprio Darwin notou em seu “A Origem das Espécies”, “uma planta, que produz anualmente um milhão de sementes, das quais em média apenas uma chega a germinar e desenvolver-se, luta com as plantas da mesma espécie, ou espécies diferentes, que já cobrem o solo”.
Essa batalha também não significa vender a qualquer custo. Os animais mais bem-sucedidos e adaptáveis sabem que, para um motivo ou para outro, necessitam de seus competidores e predadores. E, acima de tudo, sabem que para sobreviver devem zelar para que suas presas estejam sempre saudáveis é a garantia de alimento para as outras gerações.
Um vendedor de sucesso sabe que, de uma hora para outra, pode vir uma ordem de Brasília que mude as regras do jogo. Fusões e aquisições. Reorganizações. E, com tudo isso, ele continuará a zelar seu cliente e sua empresa. É o que importa.
A luta pela sobrevivência – e pela vitória – é sua. Lute de seu jeito.


