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Tornou-se quase uma regra nos processos de seleção de pessoal. As empresas priorizam a contratação de profissionais jovens, recém-saídos dos bancos universitários ou, em alguns casos, ainda cursando especializações ou MBA””””””””s.

Até aí tudo bem, nada de anormal. Afinal os jovens devem ter o direito de conquistar seu lugar ao sol. Além do mais, são ávidos por novas conquistas, dispostos e cheios de energia.

Mas essas qualidades não são exclusivas de quem tem pouca idade. Elas existem em todos, porém se os de mais idade entre os quais me incluo não trabalharmos com cuidado esses aspectos em nossas vidas, eles tendem a desaparecer. Que fique claro que os tios, pais e avôs profissionais podem e devem manter essas mesmas qualidades ou habilidades para competir em pé de igualdade com os mais jovens.

O grande problema de priorizar os jovens nos processos de seleção aparece quando identificamos os motivos dados pelas empresas que assim agem. Constatamos que boa parte das companhias rejeita os mais velhos por considerarem que os jovens chegam às organizações totalmente sem vícios. Isso é um perigo e um absurdo. Quando a empresa procede assim, procurando pessoas “sem vícios”, ela simplesmente está admitindo que:

? já conhece a pura e absoluta verdade;

? que já foi definido corretamente o “como deve ser feito”;

? que as práticas e idéias que poderiam ser incorporadas por pessoas com outras vivências profissionais não têm qualquer valor.

Ou seja, está propagando seus próprios vícios e erros. Irônico paradoxo.

Uma empresa que só contrata pessoas inexperientes, sem “vícios profissionais”, pode estar perpetuando os próprios vícios e erros.

Nada de mudanças – Essas empresas querem mentes vazias de vivências anteriores para não terem o trabalho de ter de mudá-las. Querem apenas que essas mentes tenham potencial suficiente para aprenderem os paradigmas da empresa, considerados como referência. Ou seja, que estas mentes estejam limpinhas e aptas a serem rapidamente viciadas pelos conceitos e procedimentos da empresa.

Ora, isso é uma armadilha.

O que é um vício profissional? Quais os critérios usados para concluir que certas práticas e habilidades são viciadas e, por isso, indesejadas? Tal definição só aparece se a empresa ou o responsável pela contratação assumir que já conhece a solução para enfrentar todo e qualquer desafio da empresa. E é aí que está o perigo. Eliminar possíveis bons colaboradores em um processo de seleção pelo simples fato de eles terem uma “experiência” diferente da definida pela empresa.

Isso significa se fechar para o novo. E o anti-benchmarking. É ilhar-se no mar corporativo, não abrindo espaço para o questionamento do status-quo. É uma das formas mais eficientes de manter as coisas como elas estão.

Analise o seguinte: você já ouviu falar de alguma empresa onde, logo nos primeiros dias, um recém-contratado tenha sido convidado a analisar o modo como as coisas são feitas na empresa, e emitir seu juízo sobre o que viu, indicando o que considera certo ou errado, e por quê? Lógico que não. A primeira providência é enfiá-lo no curso de imersão denominado de aculturação. Lógico que não sou contra o mesmo. Esses treinamentos são fundamentais.

Sou contra o sentido que é dado aos mesmos. De lavar o cérebro da pessoa, e instalar somente os programas que interessam para a empresa, sem, ao final do processo, ouvir a opinião do contratado.

Qual o critério – Cada empresa deve lutar contra esse sistema que, aos poucos, leva à ruína de sua própria maneira. Você conhece as particularidades do seu cotidiano, e não vou ser leviano e dar uma “fórmula mágica” que funciona para todos.

Mas fica uma sugestão para reflexão: adicione um novo e eficiente critério de seleção.

Esse novo critério independe da idade e de experiências anteriores. É a capacidade que o profissional tem de desaprender e aprender de novo.

Velho é aquele que não mais aprende. Esse é na verdade um arcaico, obsoleto, ultrapassado no tempo. Infelizmente tenho visto jovens de 30 anos que já perderam a capacidade de aprender de novo. Envelheceram!

E você, continua aprendendo de novo?

Paulo Angelim é consultor e palestrante nas áreas de Marketing, Vendas e Motivação. www.pauloangelim.com.br

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