Imagine-se, leitor, em uma terra estrangeira, sem domínio da língua. Para completar, você já passou dos quarenta anos, sendo considerado velho pela maioria das empresas. Nessas condições, você começaria a trabalhar como vendedor?
Conheça agora Yoshitomi Yagura. Aos 73 anos, trabalhando nove horas por dia, ele é o primeiro vendedor do arroz “agulhinha” e do momiji (oriental), da Camil Alimentos S/A. Conhecedor dos mais variados tipos de arroz, o senhor Yagura, nascido no Japão e radicado em Mirandópolis, interior de São Paulo, foi convidado para trabalhar como vendedor na Camil e, após 28 anos, continua fechando negócios para os seus mais de 200 clientes.
Sem conhecer direito o português, o senhor Yagura se voltou especialmente para o mercado varejista, supermercados e mercadinhos, da zona norte de São Paulo. Vendia exclusivamente arroz “agulhinha”, cujo sabor era mais apreciado pelos seus clientes. Depois, tirando proveito de suas afinidades pessoais, passou a vender o arroz momiji aos orientais, preferido por esse público.
Atuar durante esses anos como profissional de vendas o fez ter a convicção de que é importante conhecer bem o que se vende e atestar a qualidade do produto. Para isso, chegou mesmo a participar, pessoalmente, da seleção e controle de qualidade de safras de arroz. “Insisto com os diretores na manutenção da qualidade dos produtos”, afirma.
Outro ponto forte de seu trabalho é o interesse em aprimorar-se. Sempre disposto a participar de cursos de treinamento e reciclagem, oferecidos pela empresa, segue novas orientações como se estivesse em início de carreira. Curiosamente, não usa notebook, agenda eletrônica ou celular. Guarda os nomes dos clientes na velha agenda de bolso, e através do bip, recebe seus recados. Disse nunca ter sofrido qualquer discriminação por parte de colegas de trabalho ou clientes.
Sobre o futuro, quer continuar trabalhando até o dia em que “proibam-me de continuar dirigindo”, garante.
Arigatô, Yagura-sam.
(* SuperVendedor)


