Uma situação corriqueira diz respeito às pessoas que se vingam daquelas que discordam das suas opiniões… Alguns especialistas preocupados com o desenvolvimento infantil, especialmente a formação moral e as suas implicações sociais, descrevem um ponto interessante a respeito da mentira. Após alguns anos de estudos constatou-se, por meio da observação sistemática em laboratórios de psicologia, que, via de regra, a criança mente por medo. Ao perceber que uma punição se aproxima, em resposta a algo condenável que tenha feito, ela se defende mentindo, procurando se esquivar do castigo que lhe assusta. É claro que a educação deve contribuir para o aperfeiçoamento do ser humano através da compreensão que vai construindo sobre se romper com a fuga e assumir as responsabilidades, proporcionando, oportunamente, uma vida adulta madura.
Durante o período da infância, basicamente, os comportamentos se repetem. A mentira é afirmada com rapidez e, conforme cada criança, varia a maneira de apresentá-la, sendo menos ou mais convincente conforme a sua apresentação. Ou seja, cada um se encontra num estado emocional no momento em que é submetido a um interrogatório que visa uma resposta acerca da verdade. Desta forma, alguns podem vacilar e outros não, revelando, assim, uma suspeita ou não na investigação. Durante anos, o ser humano age utilizando este artifício para fugir da dor causada pelo crescimento.
Todavia, o sofrimento gerado pela necessidade de se crescer é fundamental. Não obstante, o atraso neste processo ganha tempo e avança a idades despropositais, levando muitos adultos a se comportar de forma infantilizada em várias circunstâncias nas quais deveriam encarar, de frente, os próprios atos. E, ao contrário do que se espera, agem como crianças.
O adulto infantilizado rouba de si próprio a oportunidade de amadurecer e desfrutar dos benefícios proporcionados pela maior plenitude que o aguarda. Ressalta-se o fato de que muitos pretendem se esconder atrás do comportamento coletivo, buscando com isso o reforço na maioria. Neste caso, a pessoa se despersonaliza e some em meio ao seu faz-de-conta.
Outra situação corriqueira diz respeito às pessoas que se vingam daquelas que discordam das suas opiniões ou que afrontam por se manter firmes em seus propósitos, que não atendem a algum pedido tão prontamente, que não se curvam aos desmandos do poder usado indiscriminadamente, etc. Primariamente, a criança age desta maneira e se expõe ao revelar os seus sentimentos, tornando claro o motivo que a leva a responder vingativamente. Entretanto, o adulto, por sua capacidade de articulação intelectual, torna-se traiçoeiro, haja vista ele esperar um momento oportuno para causar surpresa em sua vítima e lhe aplicar o golpe planejado. Como se não bastasse, ainda se engrandece prazerosamente com a pequenez praticada. É um ato infantil misturado à astúcia e a maldade, visto a inteligência oferecer a escolha por uma decisão madura ou não.
São muitas as façanhas realizadas pelo adulto infantilizado, tal e qual as empregadas pelas crianças, na intenção de afastar qualquer ação punitiva. Os pequenos, mal sabem o significado que tem a aprendizagem moral e tampouco a repercussão nos anos vindouros. Mas tal fato é parte da educação infantil e, nos parece, também o diz respeito à reeducação adulta para os casos específicos.
Resta saber, porém, se a vaidade e o orgulho permitem qualquer tipo de consciência acerca desta questão e a necessária mudança para o progresso e proveito da vítima de si mesma, cujo impedimento ocorre quase que por conta de sua cegueira e infantilidade.
A aprendizagem é um direito irrevogável do ser humano. O direito à mudança merece especial atenção e aproveitamento em qualquer época da vida. Valer-se dos recursos de crescimento é sinal de boa vontade e avanço na maturidade. Ser maduro, por sua vez, é ter uma personalidade singular com boa capacidade crítica para separar o que é bom para si e o que é apenas desnecessário.


