Heloísa Schürmann. Um sonho realizado.

Ela abandonou uma vida confortável em terra firme, optou por educar os filhos fora da escola e conviver 24h por dia com as mesmas pessoas num espaço de 44m2 durante 20 anos! Tudo isso para viver o sonho de se aventurar pelo mundo com a família a bordo de um veleiro. A corajosa personagem da nossa matéria é Heloísa Schürmann, que se tornou a primeira mulher brasileira a dar duas voltas ao mundo navegando. ?O homem é do tamanho do seu sonho.? ? Fernando Pessoa


Ela abandonou uma vida confortável em terra firme, optou por educar os filhos fora da escola e conviver 24h por dia com as mesmas pessoas num espaço de 44m2 durante 20 anos! Tudo isso para viver o sonho de se aventurar pelo mundo com a família a bordo de um veleiro. A corajosa personagem da nossa matéria é Heloísa Schürmann, que se tornou a primeira mulher brasileira a dar duas voltas ao mundo navegando.

Heloísa, junto com o seu marido Vilfredo, coordenou, nas úlltimas duas décadas, as viagens em alto mar que fez com seus quatro filhos: Willhelm, David, Pierre e a doce Kat (adotada em 1997, com apenas 3 anos. Ela faleceu em maio deste ano, com complicações decorrentes do vírus HIV, da qual era portadora desde o seu nascimento). A família Schürmann percorreu mais de 118 milhas náuticas, navegou em 3 oceanos e visitou 54 países.

Professora formada pela New York University, antes de mudar radicalmente a sua vida, ela administrava sua própria escola de inglês em Florianópolis, que chegou a ter mil alunos e 32 professores. O desejo de se lançar em alto mar surgiu em 1974, quando ganhou de Natal, da sua mãe, uma viagem St. Thomas, no Caribe. ?Eu e Vilfredo nunca tínhamos velejado. Lá resolvemos fazer um passeio de barco e fomos velejar. No instante em que pisamos no barco, ficamos apaixonados. Olhamos um para o outro e resolvemos que era o que queríamos fazer dali em diante. O barco mudou nossa vida.?

Fora dos moldes

A partir desse dia, eles começaram a planejar uma vida diferente. Foram dez anos de pesquisa até decidirem pela vida no mar. ?Foi um grande exercício de desapego. Você tem que se desfazer tudo. Doamos tudo, os brinquedos, roupas, etc. Em um barco só cabe o essencial e o essencial estava lá, a nossa família. As pessoas têm medo de mudança, pois o estilo de vida tem que mudar?.

Heloísa conta que realizar esse sonho, embora tenha sido compartilhado por todos da família, não foi fácil, foi preciso muita determinação. ?Quando as pessoas me perguntam: o que eu faço para concretizar o meu sonho? Eu digo: não deixa ninguém puxar o tapete, que são coisas como as que eu ouvi: você vai viajar com crianças, elas não vão querer estudar, e como vão ficar os cuidados médicos? … então, havia mil e um componentes nos impedindo, principalmente porque éramos os primeiros, estávamos quebrando os moldes. Mas nossa resposta era sempre a mesma: é nosso sonho! È isso que queremos fazer!?

Para a ela o que mais impede as pessoas de prosseguirem naquilo que sonham é o medo de mudar. ?As pessoas têm muito medo de mudanças. E não só das grandes, como pegar um barco e sair pelo mundo, mas das pequenas mudanças do dia-a-dia que a gente tem que enfrentar, e que são justamente as mais importantes.?

Espírito de equipe

Sobre o espírito de equipe, necessário para a vida no mar, Heloísa diz que desenvolveu-se naturalmente e foi fundamental para o sucesso da aventura. ?Vilfredo era o capitão, o líder, mas ao mesmo tempo um líder que sabia ouvir. Então, ele soube trazer os filhos para ajudar na tomada de decisões. Sempre queria saber a opinião de cada um e, baseado nisso, tomava a decisão final. A partir daí formou-se o sentimento de equipe e fomos desenvolvendo os nossos papéis?.

Heloísa conta que administração de conflitos sempre foi outro ponto levado a sério. ?Nós estávamos literalmente no mesmo barco. Se Vilfredo e eu tivéssemos um desavença, por exemplo, e na seqüência ele me mandasse fazer uma manobra porque estava vindo uma tempestade, eu não podia simplesmente encruzar os braços. Colocava de lado, então, aquela desavença? Só por alguns momentos, porém mais tarde a gente resolvia isso. Conversava e esclarecia o assunto. Esse foi um exercício que consolidou a equipe.?

Livro

No segundo semestre desse ano, Heloísa lançou o seu terceiro livro, Em busca do sonho (editora Record), com o apoio cultural da Nissan do Brasil (os outros dois são: Dez anos no mar e Um mundo de aventuras). A autora compartilha com os leitores histórias de situações divertidas sobre diferenças culturais, fala de amor, paciência, coragem, medo, conquistas e faz uma síntese de duas décadas de experiências em alto mar.

Corporate

A família Schurmann, hoje, faz palestras que ensinam a gestores de pessoas como navegar nos negócios. Eles falam de conceitos como planejamento estratégico, eficiência, liderança, gerenciamento de crises e espírito de equipe. O objetivo é mostrar a similaridades entre planejar, executar e colher resultados de uma expedição global e os desafios diários de uma empresa.

Durante uma hora e meia, Vilfredo, Heloísa e David mostram como aplicam diversos recursos gerenciais na realização de um projeto de vida, superando desafios e adversidades e alcançando o sucesso. Eles também promovem eventos que auxiliam na aproximam de pessoas e são realizados a bordo do veleiro Aysso, no qual a família circunavegou o mundo.

Ação Social

Depois navegar por tantos anos pelo mundo em um veleiro, a família sentiu-se motivada a colaborar de forma mais efetiva com a valorização do meio ambiente. Assim, foi fundado, 1999 o Instituto Família Schürmann, uma entidade sem fins lucrativos e de caráter filantrópico.

Eles realizam projetos na área cultural e educacional, através do desenvolvimento de pesquisas e da implementação de programas de educação ambiental. O Instituto consolida suas ações a partir do Parque Ambiental Família Schürmann, localizado no município de Bombinhas, SC.

Com uma área de 30.000 m2, o Parque abriga um espaço cultural de exposições com fotos e peças trazidas das expedições da família, auditório com capacidade para 70 pessoas, laboratório, sala de estudos, trilhas ecológicas, uma estação de tratamento de efluentes e um sistema para captação de águas pluviais.

Em função de sua estrutura e localização estratégica, em meio a Mata Atlântica e próximo de praias, costões rochosos e manguezais, o Parque constitui um local privilegiado para o desenvolvimento de ações educativas e de sensibilização ambiental compromissadas com a manutenção da qualidade do ambiente marinho e costeiro.

Durante o veraneio, de dezembro a março, o Parque figura como uma das principais atrações do município de Bombinhas e desenvolve ações lúdico-educativas direcionadas para turistas com o objetivo de integrar atividades culturais, educação ambiental e lazer.

Nos demais meses do ano, desenvolve projetos ambientais e possui um programa de visitação monitorada direcionado à instituições de ensino.



Curiosidades

– Antes de iniciar a primeira volta o mundo, os Schurmann dedicaram um ano de organização, planejamento e treinamento para cada ano de vida no mar. Foram 10 anos de preparação para adquirir o sentido, de conjunto, a tranqülidade e o equilíbrio necessários ao sucesso da aventura.

– Na primeira volta o mundo, os Shurmann ficaram 11 dias à deriva.

– A água de bordo do Aysso é obtida por um sistema de desanilizador que faz 75 litros de água potável por hora.

– Para ajudar a manter as roupas limpas, os Schurmann usam uma máquina de lavar portátil elétrica, toda de plástico e bastante pequena, que dá conta de impressionantes 2 quilos de roupa a cada 5 minutos.

– Nos dois anos e meio da expedição MGA, os Schurmann receberam (e respondarem!!)39.560 e-mails.

– O programa ?Educação na aventura?, com conteúdo produzido na MGA, foi acompanhado por alunos de 3 mil escolas dos Estados Unidos.

– Vilfredo tem o orgulho de pescado um dourado de 46 quilos.



Como funciona uma empresa em alto-mar

O mar está calmo. Porém, uma tempestade se anuncia longínqua no horizonte. O Capitão reúne a tripulação e, juntos, discutem as manobras o rumo e o plano a ser seguido. As sugestões dos tripulantes são analisadas. Tomadas as decisões, são delegadas as funções de cada um: verificar velas, equipamentos, material de segurança, preparar refeições hipercalóricas e monitoramento da previsão meteorológica.

O vento aumenta fustigando as velas. O mar se agita e as ondas crescem. A tripulação, com espírito de equipe, faz as manobras enfrentando o desafio. É a tempestade! Liderança, organização, motivação e flexibilidade levam ao equilíbrio entre ordem e mudanças, conceitos fundamentais para alcançar o objetivo: um porto seguro. A tempestade passa. O veleiro aporta e a meta é alcançada. Colocadas as amarras, toda a tripulação comemora. O Capitão, orgulhoso de sua equipe, dá um bônus pela performance. Assim funciona uma empresa em alto-mar.

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