O incompetente de confiança

O incompetente de confiança Um dos hábitos mais arraigados a nossa cultura empresarial é manter no quadro de funcionários algumas pessoas apenas porque elas são de confiança. Não que exista algo contra pessoas de confiança, muito pelo contrário, mas incompetentes, contra essas sim… existem muitos pontos contra.

Geralmente, essas pessoas se tornam aparentemente indispensáveis na organização, pois criam uma verdadeira ?caixa-preta? em que guardam informações que apenas elas têm. Não por estratégia maquiavélica, mas por pura incompetência. Isso acontece porque elas têm dificuldade de criar processos e de se integrar com o sistema da empresa, o que gera essa falsa sensação de necessidade.

E o pior é que elas funcionam como um mau exemplo para o restante da equipe. Afinal, quando um novo funcionário entra na empresa, ele identifica e, por uma questão de sobrevivência, se aproxima daqueles que estão há mais tempo no local. Acredito que isso faça parte do instinto de sobrevivência do ser humano, ele quer ficar próximo dos líderes e dos que conseguem sobreviver. E, algumas vezes, assim que se aproxima, descobre que sob aquele manto de segurança está um incompetente de confiança. Então, o novo funcionário se pergunta: ?Será que preciso ser assim para me dar bem??.

Veja algumas variações de incompetentes que encontramos nas corporações:

Mobília da empresa ? Sabe aquela escrivaninha antiga que você ganhou do seu avô, e que não tem mais nada a ver com você ou com sua sala, mas fica lá por uma questão de respeito às tradições da família? E, algumas vezes, você até disfarça colocando uma longa toalha em cima. Pois é mais ou menos assim o incompetente do tipo mobília da empresa. Ele continua lá por méritos adquiridos, mas não dá para disfarçar, é um incompetente.

Incomparente (o incompetente parente ou amigo) ? Quem nunca ouviu a colocação que diz: ?Contrate amigo ou parente e ganhe grátis uma dor de cabeça?. É claro que não é sempre assim, pois ser competente não tem nenhuma relação de parentesco ou amizade, mas quando o amigo ou parente são realmente incompetentes, o problema na hora da demissão é grande e o constrangimento também. Conseqüentemente, eles ficam na empresa por muito tempo.

O incompetente delator (vulgo fofoqueiro) ? Ele é incompetente, mas nutre os líderes com informações do que acontece no ?baixo clero? da empresa. Com isso, é valorizado, recebendo promoções e bônus no fim do ano.

O incompetente puxa-saco ? Ele não apresenta bons resultados, mas mantém um ótimo relacionamento com os líderes. Com isso, acaba confiante de que seu futuro na empresa está garantido. Esse tipo de incompetente casa muito bem com o líder egocêntrico, que tende a valorizar esse tipo de atitude. O sinal deixado para os outros membros da equipe é muito claro: ?puxem o saco e, se sobrar um tempo, trabalhem, que as promoções virão?.

Tenho certeza de que, nesse momento, você tem em sua mente alguma pessoa com esse perfil e, quem sabe, até esteja próxima a você. Entretanto, o que quero com este artigo é dizer para você que, em vez de ajudá-la, você pode estar comprometendo de maneira definitiva o futuro dela. Afinal, ela deve ser muito competente em alguma função que não está exercendo na sua empresa. E, por favor, resista a tentação de fazer uma recolocação, deixando que ela faça isso em outro lugar. Afinal de contas, vejo pessoas sofrerem grandes transformações positivas quando mudam de emprego e isso raramente acontece no local em que estão estigmatizadas.

Ajude o incompetente de plantão e, consequentemente, você estará ajudando a si mesmo e a empresa.

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