Waldemar Niclevicz

Waldemar Niclevicz diz como escalar as montanhas da vida Encontre sua montanha e se prepare para a escalada!

Subir montanhas pode ser mais difícil que se imagina, quando não há preparação e treinamento. Entretanto, a montanha não precisa ser de rocha ou de gelo, ela pode ser uma venda complicada de fechar, uma negociação que não tem fim ou um cliente cheio de objeções.

Waldemar Niclevicz é alpinista profissional e já escalou as maiores e mais difíceis montanhas do mundo. Para que sua escalada seja um sucesso, ele está em constante treinamento e valoriza muito o trabalho de preparação para enfrentar desafios. Nesta entrevista, concedida com exclusividade para à Motivação, Niclevicz conta um pouco sobre sua carreira e dá dicas para os vendedores que desejam escalar suas montanhas.

Quando surgiu a vontade de ser alpinista?

Foi naturalmente, nasci em Foz do Iguaçu, PR, e passei a infância em uma chácara, convivendo com a natureza. Quando fui para Curitiba, morava em uma casa cercada por um muro alto e eu me sentia dentro de uma prisão. Aos 15 anos, peguei um trem e viajei para a Serra do Mar do Paraná. Desci na estação do Marumby e reencontrei a natureza que tanto gostava. Eu acabei me surpreendendo com as montanhas. E a primeira coisa que pensei foi: ?Será que eu consigo chegar lá em cima??. Na semana seguinte, eu já estava lá novamente, só que tentando chegar ao topo, mas não consegui porque encontrei uma cobra no meio do caminho, estava sozinho e morrendo de medo.

Assim como alguns vendedores, você precisa definir rotas para desenvolver seu trabalho. Como você escolhe a melhor rota?

É preciso fazer um planejamento. No meu caso, é feito um grande trabalho de pesquisa antes de começar uma escalada. Eu preciso saber de vários dados da montanha, além de traçar um perfil detalhado do objetivo que quero atingir e de tudo o que pode acontecer no percurso. Quanto melhor for o planejamento, maior será a chance de sucesso ? isso é lógico e vale para qualquer coisa na vida.

Para que possa escalar, você precisa do patrocínio de empresas. Como você as convence de que sua escalada pode ser lucrativa para elas?

Isso não é fácil. Preciso ter uma visão comercial do meu produto, que é a minha expedição. Eu realmente tenho de ser um pouco vendedor para convencer as empresas. Eu preciso entender o que é o produto, além de formatar a expedição como sendo um produto que venderei para os patrocinadores. É necessário um embasamento comercial, um plano de comercialização, é preciso justificar o custo?benefício, pois o patrocínio é um investimento e o patrocinado é um ?prestador de serviços?, ou seja, ninguém me dará dinheiro para eu sair por aí viajando ou tirar férias remuneradas. Alguém vai investir no meu projeto e vai esperar um retorno comercial em troca.

Muitos vendedores temem não fechar uma venda ? o fechamento pode ser considerado o topo da montanha escalada pelos vendedores. E você, teme não chegar ao topo?

Eu não tenho medo de não conseguir porque isso faz parte de toda escalada. Nem sempre a gente chega ao topo de uma montanha. Em várias ocasiões, fui obrigado a retroceder, mas não tenho medo de não conseguir alcançar o cume porque estou preparado para esse tipo de acontecimento. Acho que as pessoas, independentemente do que fazem, devem estar preparadas para qualquer coisa. É por isso que valorizo tanto o treinamento, pois quando a pessoa está treinada, preparada e tem um planejamento entende melhor qualquer coisa que possa aparecer durante a subida.

O que o motiva para terminar uma escalada e já pensar na próxima?

Você já imaginou terminar uma escalada e não ter outra montanha para subir? Existem infinitas montanhas comparadas com a nossa breve vida aqui na terra, e cada montanha é uma descoberta e cada descoberta é um prazer imenso. Eu gosto de escalar pontos diferentes. Eu gosto de ir em um lugar e, depois, virar a bússola para o lado oposto e ir para outro completamente diferente.

Além da dificuldade da escalada, o que interfere na hora da escolha da próxima montanha?

Gosto de adquirir novos conhecimentos, conhecer outros lugares e tudo isso baseado em uma montanha. Procuro definir os meus objetivos dessa forma, pois não consigo ficar muito tempo parado. Por mais dolorosa que a experiência e a escalada sejam, após alguns dias, começo a pensar e definir qual vai ser a próxima. Conta a beleza, a dificuldade, a história… Várias coisas.

Os vendedores escalam montanhas diariamente para vender o seu produto ou serviço. Através dessa analogia, quais são as suas dicas para que os vendedores também consigam atingir o topo de suas montanhas?

? Descubra qual é a sua montanha e onde você quer chegar.
? Se prepare para essa ?escalada?. Faça uma pesquisa sobre o ambiente em que vai atuar, sobre o perfil do seu cliente, estude o seu produto e conheça bem as qualidades dele ? o que ele pode oferecer de vantagem para seu cliente ou seu futuro cliente.
? Sonhe! O meu produto são as montanhas, é o meu sonho de escalar as montanhas. Então, sou um vendedor de sonhos e um sonho é um encantamento por aquilo que você faz. Você deve encantar as pessoas por aquilo que faz para convencê-las a acreditarem e sonharem, também, os seus próprios sonhos. Acredite na realização dos seus sonhos e busque a realização deles ? através de planejamento, treinamento e capacitação.
? A altura que você atingirá na sua montanha vai depender de você e das suas atitudes. Quanto mais você fizer, mais alto chegará. Se ficar sentado, você não vai sair do lugar, não vai chegar ao cume e nunca sentirá a sensação maravilhosa de uma verdadeira conquista.


Para saber mais Título: Um Sonho Chamado K2
Autor: Waldemar Niclevicz
Editora: Record

Visite o site: www.niclevicz.com.br

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